Manoel Soares: "A favela é circo"  - Notícias

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PAPO RETO 05/10/2019 | 05h00Atualizada em 05/10/2019 | 05h00

Manoel Soares: "A favela é circo" 

Colunista escreve para o Diário Gaúcho aos sábados

Manoel Soares: "A favela é circo"  Lauro Alves/Agencia RBS
Manoel Soares compara a realidade da favela à vida no circo Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

A favela é circo. Em todos os cantos que olho, essa verdade se reafirma. No circo, tem mágico – e que melhor título a ser dado para quem faz milagre com pouco dinheiro? Os mágicos da quebrada fazem truques de ilusionismo diários para que as dores da favela não traumatizem seus filhos. No circo tem equilibrista e na favela também: ficar de pé todos os dias sem pirar já é uma demonstração de equilíbrio mental. Infelizmente, muitos tentam mascarar na bebida ou outros entorpecentes, mas acabam caindo da corda bamba sem rede de proteção. 

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Antigamente, no circo havia animais. Na favela, ainda tem, digo isso porque somente animais atiram no rosto de alguém que poderia ser seu irmão. Rotinas de bestialidade produzem um ambiente de ética selvagem onde meninos ficam exilados no tráfico. Esses animais, além de devorar seus semelhantes, sofrem com domadores que invadem o palco para silenciar feras que, por opção ou destino, estão condenadas a uma vida e a uma morte miseráveis. 

No circo também tem palhaços, na favela, isso não falta. Aqueles palhaços que arrancam sorrisos em horas que não imaginávamos ser possível. Pessoas com uma capacidade natural de transmitir alegria e mudar o contexto a sua volta. Sem eles, as favelas seriam só dor. Neste circo chamado favela, temos 365 espetáculos por ano. A cada dia que nasce, as cortinas se abrem, e os artistas da vida real entram no palco dando seu show.

 
 
 
 
 
 
 
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