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GRAVATAÍ19/11/2019 | 05h00Atualizada em 19/11/2019 | 05h00

Alunos têm aulas em CTG, salão de festas e até em refeitório 

Três pavilhões da Escola Estadual Tuiuti foram interditados na última quarta-feira (13). Desde segunda (18), 1,2 mil alunos ocupam os espaços que sobraram disponíveis

Alunos têm aulas em CTG, salão de festas e até em refeitório  Tadeu Vilani/Agencia RBS
Salão de CTG transformado em sala de aula Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Na manhã desta segunda-feira (18), no salão de festas da Escola Estadual Tuiuti, em Gravataí, quatro quadros posicionados em cada um dos cantos da peça davam suporte aos alunos do 3º, 4º e 5º anos do Ensino Fundamental. Paralelamente, no refeitório, nas salas dos professores e de informática, e no salão de dança do CTG Carreteiros da Saudade, que fica a 270 metros da escola, outras turmas davam sequência às aulas.

Apesar do improviso, essa foi a maneira encontrada por pais, alunos e professores de darem continuidade ao ano letivo desde que a escola teve três pavilhões interditados pela Secretaria Estadual de Obras e Habitação na última quarta-feira, 13. O quarto pavilhão já estava fechado desde o fim do ano passado, quando parte do forro desmoronou. Desta forma, sobraram apenas o prédio principal – onde funcionam a direção, secretaria e sala de informática –, o refeitório e o salão de festas.   

  O Diário Gaúcho acompanha a situação da instituição há mais de um ano. Recentemente, duas reportagens demonstraram os desafios enfrentados pelos estudantes em dias de calor ou de chuva. Quando não eram as altas temperaturas no interior das salas, eram as goteiras incessantes que atrapalhavam o fluxo das aulas. Segundo o laudo do engenheiro do Estado, devido às altas temperaturas e aos índices de chuva da estação seria insustentável a prática pedagógica nos prédios, sendo recomendada a interdição a fim de resguardar a integridade física dos estudantes.

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Resistência

Professores da Tuiuti iriam aderir à greve da categoria, que começou ontem no Estado. Mas, com medo de que o fechamento da escola acarretasse em mais um impeditivo para a continuidade das obras nos prédios, optaram por manter as aulas. 

— A interdição não foi uma surpresa, mas achávamos que iríamos poder terminar o ano letivo normalmente. Na quarta de noite (dia da interdição), decidimos não fechar a escola. Nossa forma de protesto é permanecer aqui — disse a diretora Geovana Rosa Affeldt.

Na quinta-feira, as aulas foram suspensas. Ontem, foi o primeiro dia nas dependências arranjadas. A escola tem 1,2 mil alunos. Sete turmas, dos turnos da manhã e tarde, estão estudando no CTG, e sete dentro da escola. À noite, quatro turmas ficam na escola e cinco têm aulas no IFSul, a 400 metros da Tuiuti. Ainda ontem, pais entregaram um dossiê com fotos e documentações a respeito da situação da escola no Ministério Público. 

— A impressão que a gente tem é que, porque mostramos todos os problemas da escola na mídia, eles vieram aqui e interditaram. Os professores estão com os salários atrasados, trabalhando em situação precária e, ainda sim, vêm dar aula — opina a mãe de três alunos da escola, Marília Silva dos Santos.

Devido à situação, em 2020, a Escola Tuiuti não irá receber novas matrículas, embora estudantes que já pertençam à instituição estejam com a sua vaga garantida. A iniciativa, garante a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), busca agilizar a conclusão das obras e dar mais segurança aos alunos. O local voltará a ter novos inscritos quando as obras forem concluídas.

Revolta e luta

Na Rua Borges de Medeiros, onde fica a escola, a cada fim de turno estudantes cruzam o caminho carregando os livros didáticos no vaivém entre o CTG e a escola. Pais e professores acompanham o trajeto para garantir a segurança dos alunos. Na sala dos professores, até o sofá é usado para acomodar a galera. 

— Me sinto extorquido, pois também trabalho, pago meus impostos, tenho um pai funcionário público com salário parcelado, e não venho a ter o direito nem ao mínimo do que se espera de educação — desabafa o aluno do 3º ano do Ensino Médio Gabriel Bessa, 18 anos. 

— Acho uma injustiça com a escola, que sempre abraça os alunos e tenta achar soluções para nós. Vão acabar com a história dessa escola de 80 anos que, desse jeito, vai acabar fechando — reitera a colega Ana Carolina Del-Fini, 17 anos.

Em julho, pais e alunos ocuparam as dependências da escola e planejavam fazer o mesmo até a interdição. Agora, batalham para que as obras prometidas pelo governo estadual, de fato, aconteçam.

— Nossa luta é para ter a certeza de que o ano letivo comece no ano que vem com as as salas reformadas. Que alguém nos diga quando essas obras vão ter início, meio e fim — disse Marília.  

Seduc explica o calendário de reformas

A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) informa que estão sendo realizadas reformas estruturais em quatro prédios da instituição de ensino. O serviço inclui telhado, forro e parte elétrica. O pavilhão 4 está em obras e o prazo de entrega, por parte da empresa responsável, é até o final do mês de novembro. O valor é de R$ 110 mil. 

A reforma dos pavilhões 1, 2 e 3, que somam juntos um investimento de R$ 525 mil, está em fase de licitação. Ainda não há um prazo para conclusão deste serviço. 

A Seduc reitera que o calendário do ano letivo de 2019 está mantido.

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