Falta de reformas em escola de Gravataí expõe alunos a calorão  - Notícias

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Seu Problema é Nosso22/10/2019 | 11h32Atualizada em 22/10/2019 | 11h54

Falta de reformas em escola de Gravataí expõe alunos a calorão 

Devido a temperatura alta dentro da sala, alunos tiveram aulas nos corredores e no pátio da Escola Estadual de Ensino Médio Tuiuti

Falta de reformas em escola de Gravataí expõe alunos a calorão  Fernanda Pacheco Laesker/Arquivo pessoal
Professores dão aula na rua Foto: Fernanda Pacheco Laesker / Arquivo pessoal

Calor intenso, forte barulho de chuva e aulas no pátio. Essas são algumas das situações diárias que os alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Tuiuti, na Vila Bonsucesso, em Gravataí, tem enfrentado. Depois que o forro de uma das salas caiu durante uma aula, em janeiro deste ano, a escola passou pela análise de um engenheiro enviado pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc), que decretou a retirada do forro de todos os pavilhões, pois também apresentavam risco de queda. Então, as estruturas foram retiradas de todas as salas de aula. Desse modo, os locais ficaram sem isolamento térmico. 

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No dia 1 º de outubro, na semana em que os termômetros chegaram a 37°C, a sensação térmica dentro de uma das salas foi de 55°C, de acordo com a medição feita por uma das professoras. O calor obrigou os alunos a terem aulas nos corredores e no pátio do colégio. Uma parede da escola foi usada como quadro para a explicação durante uma aula de Matemática. 

Calor intenso, forte barulho de chuva e aulas no pátio. Essas são algumas das situações diárias que os alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Tuiutí, na Vila Bonsucesso, em Gravataí, estão enfrentando. Depois que o forro de uma das salas caiu durante uma aula, em janeiro deste ano, a escola passou por uma análise de engenheiros, que decretou a irregularidade das coberturas nos pavilhões.
Professora mediu a temperatura da salaFoto: Fernanda Pacheco Laesker / Arquivo pessoal

De acordo com a diretora, Geovana Rosa Affeldt, 41 anos, as altas temperaturas não trazem prejuízo apenas para o ensino dos estudantes, mas também para a saúde de quem frequenta a instituição: 

— Quando está muito quente, meu dia é resumido em atender alunos e professores que passam mal por causa do calor. Isso é desumano. 

Outra alternativa da diretora foi transformar os únicos dois ambientes climatizados da escola em salas de aula. 

— A sala dos professores e a de informática são sorteadas. Assim, uma turma por vez é escolhida para estudar se refrescando no ar-condicionado — explica. 

Geovana conta que o problema não está apenas no calor. Em dias chuvosos, o som da água caindo no telhado de zinco é tão alto que os professores precisam interromper as aulas até a chuvarada parar. 

Valor foi retomado

Em 2016, a Tuiuti foi uma das contempladas com R$ 120 mil do financiamento do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird). Na época, o projeto de utilização da verba foi encaminhado para o governo do Estado, porém, a diretora esclarece que a escola nunca pode usufruir deste valor: 

— Quando nós apresentamos a proposta da reforma que seria feita com esse dinheiro, nos disseram que mandariam um engenheiro para avaliar a situação da nossa instituição. Porém, fomos informados por eles que só existia um profissional para atender a demanda de todo o Estado. Ele não conseguiu nos visitar antes do final do prazo de apresentação do projeto, e o dinheiro foi recolhido pelo Estado.

Vaquinha da reforma

Cansados de ver os estudantes passando por situações difíceis, a bombeira civil Marília Silva dos Santos, 37 anos, mãe de três alunos da Tuiuti, reuniu outros pais e estudantes para ocupar a escola, em junho deste ano. A tentativa foi de chamar a atenção das autoridades para as condições do lugar. Durante quase uma semana, o grupo “morou” na instituição, levando colchões, travesseiros, comida e outros itens essenciais. 

Após seis dias, a Secretaria de Educação prometeu o início das obras para a mesma semana. De acordo com a diretora Geovana, o material de construção foi deixado nas dependências da escola, mas a obra ainda não foi iniciada, pois há apenas um funcionário realizando a reforma. Para amenizar as condições ruins, Marília, outros pais e comerciantes da região estão se mobilizando com vaquinhas e doações para agilizar o processo da reforma. 

— O que está acontecendo é a naturalização da precariedade do ensino. Não consigo me conformar, porque acho que o mínimo que temos que oferecer é qualidade para os alunos estudarem — lamenta a diretora. 

Aguardando licitação

Em nota, a Seduc informou que estão sendo realizadas reformas estruturais em quatro prédios da instituição de ensino, que inclui reparos no telhado, forro e parte elétrica. De acordo com a Seduc, o pavilhão 4, que teve a queda do forro no início do ano, está em obras e o prazo de entrega por parte da empresa responsável é dia 21 de novembro. O investimento nesse pavilhão foi de R$ 110 mil. 

Entretanto, a pasta esclareceu que a reforma dos pavilhões 1, 2 e 3, que somam juntos o custo de R$ 525 mil, está em fase de licitação. Apesar disso, a secretaria garante que o prazo para entrega da obra, após assinada a ordem de início, é de 120 dias. 

Sobre os problemas que os alunos estão enfrentando em sala de aula, a Seduc afirmou que todos os estudantes estão devidamente alocados em outras salas de aula e não em ambientes improvisados ou abertos. 

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