Fã do caminhão do lixo, menino de dois anos ganha uniforme de gari em Porto Alegre - Notícias

Versão mobile

 
 

Carinho13/11/2019 | 13h44Atualizada em 13/11/2019 | 13h56

Fã do caminhão do lixo, menino de dois anos ganha uniforme de gari em Porto Alegre

Vítor Hugo de Matos Moraes não quer mais tirar a roupa que recebeu dos profissionais que passam pela rua em que mora com os pais

O futebol no pátio é interrompido ao primeiro sinal de aproximação do caminhão da coleta de lixo. Olhos arregalados, dedo indicador apontado para o alto, e até alguns gritos com palavras incompreensíveis. É desse jeito, repleto de admiração sincera, que Vítor Hugo de Matos Moraes, dois anos e meio, recebe os trabalhadores da empresa que recolhe os resíduos na rua em que mora, na Vila Costa e Silva, bairro Sarandi, zona norte da Porto Alegre. 

— Ele pode estar dormindo, ouvindo música alta, não importa. Sabe o horário e o dia que vai passar. Dá o ronco do caminhão e os latidos dos cachorros, ele já saí correndo com a sacola — explica a mãe, Paula Franciele Silva de Matos, 26 anos.

O carinho entre a criança e os coletores cresceu a ponto de a equipe "contratar" Vítor Hugo, presenteando-o com uma bermuda e uma camiseta idênticas ao uniforme de gari que usam.

— Quando o uniforme chegou, ele já vestiu, na calçada mesmo. O difícil é tirar depois, porque ele adora, fica o dia todo — conta o pai, André Luiz Flores Moraes, 26 anos, sobre a batalha que é fazer o menino trocar de roupa.

LEIA MAIS
Moradores do bairro Bom Jesus, na Capital, constroem geladeirotecas para incentivar leitura na comunidade
Resultado de oficinas de arte, obras feitas por crianças que vivem em abrigo da FASC vão participar de exposição
Ex-morador de abrigo vira professor de escola onde aprendeu a ser barbeiro

Laranja com faixas reflexivas, a roupa foi costurada pela mãe do motorista Luciano Pesente, o “Bolacha”, a partir de um uniforme que já estava em desuso. Para acompanhar o trabalho, uma caçamba de plástico foi entregue ao pequeno fã na manhã desta terça-feira (12), logo preenchida por pedras que ele recolheu na calçada.

Trabalhando há um ano na BA Meio Ambiente – empresa terceirizada responsável pela coleta domiciliar na Capital –, Samuel Flores, 24 anos, afirma que a recepção com festa é um motivador para encarar os 30 quilômetros de corrida diária ao lado do caminhão.

— O carinho que os pequenos têm com a gente é o que me leva a não desistir. Já me cortei, já cai, mas esse tipo de coisa é o que vale, motiva dia após dia — define, com o "colega de serviço" no colo.

Nas raras ocasiões em que o tempo permite, os garis levam Vítor Hugo em um breve passeio pelas ruas estreitas do bairro humilde. Atônito, o garoto não desgruda o olhar do caminho, apontando e olhando espantado para os cães que "atacam" o veículo. Após descer – visivelmente contrariado –, opera a prensa que otimiza o espaço do lixo na caçamba. Tudo supervisionado pela equipe.

Ainda sem construir frases completas, o garoto balança a cabeça em sinal positivo quando questionado sobre a paixão pelos profissionais. A família demonstra orgulho pela atitude do filho.

— Para mim, é uma emoção. Apesar da pouca idade, ele já sabe reconhecer esse trabalho tão honesto — define o pai.


 
 
 
 
 
 

Mais sobre

 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros