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Seu Problema é Nosso12/11/2019 | 09h38Atualizada em 12/11/2019 | 09h38

Obra parada há mais de dois anos causa transtornos a moradores do bairro Belém Novo, na Capital

Galerias de concreto foram depositadas nas calçadas da Rua Florêncio Faria. Para contornar os obstáculos, pedestres precisam passar pelo meio da via

Obra parada há mais de dois anos causa transtornos a moradores do bairro Belém Novo, na Capital Andre Avila / Agência RBS/Agência RBS
Obra deveria ter sido concluída em agosto de 2018 Foto: Andre Avila / Agência RBS / Agência RBS

Foi em meados de 2017 que o coordenador de qualidade Clayton dos Santos, 50 anos, notou, pela primeira vez, uma estranha movimentação nas proximidades de sua residência, na Rua Florêncio Farias, bairro Belém Novo, na Capital. A estranheza foi causada pela presença de topógrafos na região (profissionais que realizam estudos sobre a geografia das superfícies), munidos de equipamento que lembrava uma câmera fotográfica. De cara, Clayton, que vive há mais de 20 anos na rua de chão batido – com exceção de um pequeno trecho, que possui calçamento –, desconfiou que o tão sonhado asfalto poderia estar prestes a sair do plano das ideias. 

Tempo depois, o morador acompanhou, animado, a colocação de uma placa anunciando o início da obra de infraestrutura e pavimentação e a descarga de dezenas de caixas de concreto nas calçadas da via. Os trabalhos deveriam ser concluídos até 14 de agosto de 2018. Contudo, contrariando as expectativas de quem vive na região, isso não aconteceu. 

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De acordo com Clayton, desde o dia em que as caixas – que são, na verdade, galerias pluviais que deveriam ser instaladas no subsolo, antes da pavimentação – foram depositados na Florêncio Faria, nenhum outro profissional foi visto por ali. Hoje, mais de dois anos após o "início" do empreendimento – em 14 de agosto de 2017 –, a situação mais parece de abandono. 

— Quando anunciaram a obra, me senti valorizado pela prefeitura, pois era algo que estávamos esperando havia anos. Vários candidatos vinham ao bairro nos prometer isso, mas nunca ninguém fazia. Porém, colocaram a placa, depositaram o material, e foram embora — relembra o morador.

Transtornos

Para a vizinhança, o maior incômodo é causado pelos cerca de 70 caixotões de concreto que tomam conta das calçadas. Ao percorrer a extensão da via, é possível vê-los abandonados em diversos trechos, ocupando o espaço que deveria ser destinado ao passeio de pedestres. Para contornar os obstáculos, os moradores se veem obrigados a transitar pelo meio da rua, junto aos carros.

— Me sinto frustrado, pois, além de não fazer a obra, a prefeitura não se prestou nem para retirar as caixas. Se não querem fazer o serviço, que pelo menos tirem isso daqui. Seria um transtorno a menos — desabafa Clayton.

De acordo com o motorista Carlos Daniel Bernardes, 45 anos, que mora há três na região, a situação é de insegurança. Esquecidos, os dutos se tornaram ponto de encontro para usuários de drogas, que escondem-se ali para consumir os entorpecentes. Segundo o morador, assaltos também se tornaram comuns na região e as galerias acabam servindo como dormitório para pessoas em situação de rua, que encontram nos caixotões um abrigo para encarar a noite. 

—  A iluminação sempre foi ruim e, agora, os assaltantes podem se esconder dentro das caixas. Minha esposa já foi assaltada na esquina de casa, por "caras" que saíram de dentro dos canos. Quando escurece, não tem mais como sair de casa, pois é muito perigoso — relata o motorista. 

Rua é importante para a região

Diversos serviços essenciais para a população do bairro Belém Novo estão dispostos ao longo dos cerca de um quilômetro de extensão da Florêncio Farias. Ali, ficam a Unidade Básica de Saúde (UBS) Belém Novo e a base do Samu que atende a região. Além disso, a via também abriga um Corpo de Bombeiros, a Estação de Tratamento de Água (ETA) Belém Novo, o Clube de Mães da comunidade, um Telecentro Municipal e a Praça João Batista Lessa. 

Contudo, apesar da relevância da via, apenas um trecho de aproximadamente 50 metros, localizado em frente à UBS, possui pavimentação. Desanimado, Clayton, que reside na Florêncio já há duas décadas, segue esperando que o sonho de ver sua rua toda asfaltada se torne, enfim, realidade:

— Tenho esperança de que algum dia fique pronto. Mas, diante desses dois anos de obra parada, fica difícil acreditar. 

Trabalhos serão retomados esse mês

De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Smim), a obra da Rua Florêncio Farias não foi concluída dentro do prazo previsto porque o projeto original precisou ser alterado. Segundo a pasta, foi constatada "presença de grande quantidade de adutoras do Dmae" no subsolo da via, de modo que não haveria espaço para alocar toda a tubulação prevista. Diante disso, o órgão informou que um novo projeto foi elaborado, o qual prevê a instalação das galerias na Rua Podalírio Teixeira Machado, também na região.

Segundo a Smim, o projeto já foi concluído e a retomada dos trabalhos deve ocorrer ainda esse mês. Questionada sobre o porquê de as caixas de concreto não terem sido retiradas da via durante o período em que a obra esteve parada, a pasta informou que "não havia uma definição de onde iria passar a rede" e que, agora, com a conclusão do projeto, as galerias serão enviadas para a Rua Podalírio Teixeira Machado. 

Produção: Camila Bengo 

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