Gêmeo de sete anos raspa a cabeça para ficar idêntico ao irmão com câncer - Notícias

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Inseparáveis11/12/2019 | 21h30Atualizada em 11/12/2019 | 21h30

Gêmeo de sete anos raspa a cabeça para ficar idêntico ao irmão com câncer

"Eu fiz pra ajudar ele. Gosto muito do meu irmão", disse Gabriel, sobre Guilherme

Gêmeo de sete anos raspa a cabeça para ficar idêntico ao irmão com câncer Tiago Boff/Agência RBS
A dupla também usa roupas iguais, para fortalecer a semelhança Foto: Tiago Boff / Agência RBS

Correndo lado a lado na calçada, próximo à Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, os irmãos Gabriel e Guilherme da Silva dos Santos, sete anos, não se diferem em nada. Gêmeos idênticos, eles repetem também a vestimenta, que combina bermuda jeans, meias brancas e sapatos marrom escuro. Até mesmo a camiseta estampa o youtuber favorito da dupla, em ambos. Sobre suas cabeças, uma característica passou a ser compartilhada após um pedido de Gabriel.

A história foi contada no Timeline desta quarta-feira (11).

— Ele quis raspar o cabelo para ficar igual ao mano — conta a mãe, Letícia Rodrigues da Silva, 24 anos, sobre a atitude do filho, tomada após a primeira sessão de quimioterapia de Guilherme.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL,11/12/2019- Gêmeo de 7 anos raspa a cabeça para ficar idêntico ao irmão com câncer. (Foto: Tiago Boff / Agencia RBS)<!-- NICAID(14355380) -->
Letícia Rodrigues da Silva (c) diz que os dois fazem tudo juntosFoto: Tiago Boff / Agencia RBS

Em fevereiro de 2018, o menino foi diagnosticado com um tumor maligno no rim esquerdo, órgão retirado em dezembro do mesmo ano. As idas ao hospital são acompanhadas pelo irmão que escolheu ter a cabeleira raspada.

— Eu fiz pra ajudar ele. Gosto muito do meu irmão — diz Gabriel, de forma acelerada, mostrando querer se desvencilhar do microfone do entrevistador para seguir a brincadeira na rua.

Em 2020, os dois terão de repetir o primeiro ano do Ensino Fundamental. Guilherme não conseguiu seguir o estudo devido aos efeitos do tratamento. Gabriel demonstrou não ter condições psicológicas de ir à escola sozinho, segundo a mãe.

A comovente iniciativa do garoto não surpreendeu a família.

— Eles fazem tudo junto. Jogam videogame, bola, brincam... e isso é desde bebê — explica a mãe.

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Com o início do tratamento, que demanda sessões de quimioterapia e visitas constantes ao Instituto do Câncer Infantil (na Rua São Manoel, bairro Santa Cecília), na Capital, ela teve de deixar o emprego de faxineira. A ajuda para os gastos do mês vem da avó dos garotos e do ex-companheiro, pai das crianças. Na casa, em São Leopoldo, no Vale do Sinos, vive ainda a filha mais nova, de apenas seis meses de vida.

A caminho da festa de natal do instituto que acolhe as crianças para o tratamento, os dois irmãos revelaram o pedido feito ao Papai Noel. O primeiro, já realizado, deu a cada um uma fantasia do personagem Super Foca. O outro desejo, mais uma vez, foi idêntico: um videogame.

A mãe tem um pedido maior, que sem dúvida seria o mesmo de um número incontável de famílias que lutam contra a doença:

— Eu queria a cura dele e de todas as crianças que têm câncer no mundo. É o que toda mãe quer.

Confraternização

Os gêmeos Gabriel e Guilherme estiveram entre as cerca de 800 pessoas que participaram da tradicional festa de Natal do Instituto do Câncer Infantil, que ocorreu na Associação dos Servidores do Hospital de Clínicas. O evento reuniu pacientes, ex-pacientes, voluntários e parceiros. 

A chegada do Papai Noel foi um dos momentos mais aguardados. O bom velhinho veio em uma moto carregada de presentes. A atividade também ofereceu brincadeiras, maquiagem e tatuagem infantil, cabine de fotos e personagens. 


 
 
 
 
 
 
 
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