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Carnaval23/01/2020 | 21h00Atualizada em 23/01/2020 | 21h00

Após três anos sem verbas públicas, escolas de samba receberão repasses da prefeitura

Total de R$ 982 mil será repassado a 13 agremiações e servirá para realizar oficinas relacionadas à folia

Após três anos sem verbas públicas, escolas de samba receberão repasses da prefeitura Alberi Neto / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Alberi Neto / Agência RBS / Agência RBS

O Carnaval de Porto Alegre voltará a ter apoio financeiro da prefeitura depois de três anos — nos quais as agremiações passaram por dificuldades. O dinheiro será repassado pelo município às 13 escolas de samba dos grupos Ouro e Prata que têm sede na Capital. No total, a prefeitura vai distribuir R$ 982 mil, cerca de R$ 75 mil para cada agremiação. A verba será entregue em parcelas, conforme prestação de contas, entre fevereiro e outubro deste ano.

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Mas este não é um dinheiro direto para os desfiles. A verba deve ser utilizada na realização de oficinas de trabalho, que já são tradicionais no meio carnavalesco. Estas aulas servem para passar os conhecimentos dos chamados mestres — responsáveis pela criação de alegorias, adereços, músicas, etc— às gerações mais novas e a todos aqueles interessados no domínio da arte carnavalesca. 

Com o apoio público, neste ano, as escolas poderão remunerar os oficineiros pelas aulas ministradas. Além disso, a verba ainda poderá ser aplicada na compra de materiais que serão usados nos módulos práticos dos encontros. Mesmo que a prefeitura não trate como uma verba direta para os desfiles — como o cachê artístico que era pago em outros anos —, o que for produzido nas oficinas deve ser utilizado na Avenida nos dias 6 e 7 de março, data dos desfiles deste ano no Complexo Cultural do Porto Seco, na Zona Norte.

Beneficiados

No total, as oficinas terão 3,9 mil vagas disponíveis e devem empregar 195 oficineiros. Cada escola deve produzir 15 oficinas, cada uma com 20 vagas. Conforme o diretor do projeto das oficinas, Miguel Sisto, esse planejamento poderá ser revisto conforme a necessidade das agremiações.

— Alguma escola pode precisar mais de oficina de pintura do que de solda, por exemplo. Aí, poderemos rever as turmas. As instituições têm liberdade e conhecimento para definir isso melhor do que a secretaria, então, poderemos ter essa flexibilidade nas turmas — projeta Miguel.

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Em seu rascunho atual, o programa divide as oficinas em três eixos, sendo cinco dentro de cada um deles. Na área artística, devem ser oferecidas oficinas de música, percussão, dança, para ritmistas e também ensaiadores. No eixo técnico, os cinco módulos incluem serralheria, pintura, solda, costura e marcenaria. Por fim, há o eixo de gestão, que será focado na melhoria das estruturas administrativas das escolas de samba. As cinco oficinas abrangem gestão de projetos culturais, gestão de projetos, relacionamento e marketing, gestão contábil e financeira, e gestão jurídica e documental.

— Os cursos de gestão foram um pedido das escolas. Neste eixo, estamos com a parceria do Sebrae, que definiu o tema das oficinas em conversas com os carnavalescos. A ideia é conseguir mais parceiros em todas as áreas, melhorando a qualidade das oficinas — explica o diretor do projeto, que também é gerente do Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural (Fumproarte).

Evento na quadra da Bambas

O anúncio oficial do Programa de Oficinas do Carnaval foi feito nesta quinta-feira (23) na quadra da escola Bambas da Orgia, na Rua Voluntários da Pátria. No evento, além dos diretores das principais agremiações da cidade e membros da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), ainda esteve presente o prefeito Nelson Marchezan Junior. Presidente da Bambas da Orgia, Nilton Pereira elogiou o projeto que retoma a relação da prefeitura com o Carnaval:

— Isso nos deixa mais tranquilos e mostra a relevância cultural do Carnaval. Os Bambas, aliás, foram aprovados num projeto da Secretaria Estadual de Cultura para tornar a escola um ponto cultural do Estado.

Em 2017, foi o mesmo prefeito Nelson Marchezan quem anunciou que não haveria mais dinheiro público destinado ao Carnaval. Para aquele ano, a festa estaria orçada em R$ 7 milhões, entre os cachês às escolas de samba e a infraestrutura do sambódromo — que inclui arquibancadas, iluminação e sonorização. Por fim, só as escolas do Grupo Ouro desfilaram.

Histórico

Sem apoio público, os problemas seguiram. No ano seguinte, 2018, em razão da crise que se espraiou no setor, principalmente pela falta de dinheiro público, não houve nenhum desfile. E no ano passado, as próprias agremiações se uniram para levar as alegorias para a pista — sem o apoio da Liga Independente das Escolas de Samba de Porto Alegre (Liespa), que acabou por ser extinta. Quem representou as entidades legalmente em 2019 foi a União das Escolas de Samba do Grupo de Acesso de Porto Alegre (Uecgapa). Assim, tanto as agremiações da elite quanto as do grupo Prata e tribos convidadas foram juntas para o Porto Seco.

— A prefeitura não se afastou do Carnaval. Nós repassávamos R$ 7 milhões para um evento que era gerido por uma entidade da qual se cobrava transparência — disse Marchezan, em referência a extinta Liespa:

— Agora, temos uma entidade preocupada de verdade com a festa e conseguimos fazer esse direcionamento não para os desfiles, mas o povo que trabalha pelo Carnaval.

Como vão funcionar as oficinas

/// Cada escola receberá, parcelados, R$ 75.600.
/// Serão contempladas 13 escolas dos grupos Ouro e Prata com sede em Porto Alegre.
/// Cada agremiação deve oferecer 15 oficinas divididas igualmente em três eixos: artístico, técnico e de gestão.
/// O período de duração será de nove meses, entre fevereiro e outubro.
/// Serão disponibilizadas 3,9 mil vagas e contratados, pelas próprias escolas, 195 oficineiros.

 
 
 
 
 
 
 
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