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Seu Problema é Nosso29/04/2020 | 16h19Atualizada em 29/04/2020 | 16h19

Em Charqueadas, solidariedade toma a forma de colchas de retalhos

Idosos que vivem em lares perto de escola da cidade receberão as colchas, feitas por voluntárias.

Em Charqueadas, solidariedade toma a forma de colchas de retalhos Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Doraci é super ativa, e a costura tem ajudado a voluntária a se distrair em casa Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Com o intuito de ajudar o próximo, uma verdadeira corrente de solidariedade formou-se no bairro Sul América, em Charqueadas. A iniciativa partiu da Emef Professora Maria de Lourdes Freitas de Andrade, que mobilizou os clubes de mães da região com um objetivo: confeccionar colchas feitas de retalhos para doação a idosos que vivem em dois asilos das proximidades. 

Para pôr em prática o projeto Colcha de Retalhos, os alunos da Emef encarregaram-se de mobilizar a comunidade para arrecadar doações de retalhos e tecidos, enquanto as integrantes dos clubes de mães assumiram a missão de costurar as colchas que, depois de prontas, ajudarão os idosos dessas instituições a aquecerem-se nos dias de frio.

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Segundo a diretora da escola, Carmine Ames Berwanger, 40 anos, a iniciativa partiu de percepções dos próprios alunos, que já tinham o hábito de, por intermédio da escola, visitarem asilos da região. Nas idas, os estudantes perceberam as dificuldades enfrentadas e foram instigados a ajudarem. Porém, além de beneficiar quem deve receber as doações, o projeto auxilia no aprendizado e desenvolvimento de valores dos alunos e, de quebra, estreita os laços entre a escola e a comunidade.

– A escola sempre buscou trabalhar muito a questão da empatia. Com isso, eles (alunos) passam a olhar com outros olhos para as pessoas, a pensar mais no outro, percebem que o mundo não gira ao seu redor e que precisam ajudar. É uma troca muito bonita e de muito carinho – relata a diretora.

Coronavírus

Atualmente, o projeto está na etapa de arrecadação dos materiais e, também, já executando a confecção das colchas. Por conta da pandemia da covid-19, o cronograma planejado precisou ser alterado. A entrega, que estava prevista para ocorrer no início de junho, talvez tenha que ser adiada e o processo de captação dos retalhos adquiriu um ritmo mais lento, devido ao isolamento e suspensão das aulas. 

Solidariedade

Ainda assim, a arrecadação dos tecidos continua ocorrendo – respeitando as medidas de prevenção – e é de extrema importância para que a ação consiga contemplar os cerca de 40 idosos que vivem nas instituições participantes. Enquanto isso, de suas casas, as parceiras dos clubes de mães seguem costurando os itens. 

De acordo com a professora e coordenadora da ação, Paula Ynajá Vieira Nunes, 51 anos, mesmo de longe, a união tem sido o carro-chefe do projeto. Como em uma colcha de retalhos, que reúne um pedacinho da cada tecido, o trabalho de cada participante tem possibilitado a continuidade da iniciativa, ainda que em meio à pandemia. 

– Cada um tem uma história diferente, que precisa ser respeitada e valorizada. A colcha de retalhos é isso: o pedacinho da história de cada um, que vai ser unida para se transformar em algo maior. Me sinto orgulhosa, porque vejo os alunos e a comunidade engajados no projeto. A região da escola é de muita vulnerabilidade social, mas mesmo aqueles que têm pouco estão ajudando também – comenta Paula.

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Dione orgulha-se da composição que está sendo feitaFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Iniciativa traz benefício duplo

Para quem está por trás da produção das colchas, a iniciativa também tem  ajudado a encarar o período de isolamento. Esse é o caso da atendente de enfermagem aposentada Doraci Butske, 75 anos, uma das responsáveis pela confecção dos itens. 

A idosa, acostumada a levar uma vida ativa e dar longos passeios de bicicleta pelas ruas de Charqueadas, agora precisa ficar em casa, prevenindo-se. Porém, o período de isolamento está longe de ser sinônimo de tristeza para ela:

– Como estou nessa função de não poder sair de casa, fico costurando. Pra mim não está sendo sacrifício nenhum (o isolamento), estou achando ótimo até. Costuro com calma, todos os dias um pouquinho, e depois lavo, passo e empacoto as colchas. É muito bom, porque me distraio e adoro fazer esse tipo de coisa, pois é algo que vai servir para pessoas que não têm condições. 

“Terapia”

Para a professora aposentada Dione de Souza Vieira, 74 anos, que também está engajada na confecção das colchas, a possibilidade de participar do projeto tem sido uma terapia:

– Cada pedacinho que costuramos é unido com muito amor e dedicação, pensando nesses velhinhos que são como a gente, mas estão nos asilos. E, além de fazer algo bom, que me trás um bem-estar muito grande, passa o tempo e não fico pensando em bobagem. 

Como ajudar

/// Doações de retalhos ou peças de tecido podem ser feitas diretamente na escola, que fica na Rua Alvidia da Silva Costa, 120, bairro Sul América, em Charqueadas. 

/// A instituição está funcionando de terça a quinta-feira, das 9h às 11h e das 14h às 16h.

Produção: Camila Bengo

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