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Seu Problema é Nosso25/05/2020 | 12h35Atualizada em 25/05/2020 | 19h46

Na Vila Respeito, comida, poesias e livros para alimentar o corpo e a mente

Comunidade do bairro Sarandi, na zona norte de Porto Alegre, recebe apoio de escola e de biblioteca comunitária

Na Vila Respeito, comida, poesias e livros para alimentar o corpo e a mente Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Leitura acompanha o alimento Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Uma marmita quentinha acompanhada de poesias e livros. Além de nutrir o corpo com o alimento, a entrega do combo preparado pela Escola Estadual de Ensino Fundamental Aurora Peixoto em parceria com a Biblioteca Comunitária Girassol está nutrindo o hábito da leitura de crianças e adultos da Vila Respeito, no bairro Sarandi, zona norte de Porto Alegre. 

Após a paralisação das aulas, em março, em função da pandemia de coronavírus, professoras da Escola Aurora Peixoto, preocupadas com a situação dos alunos e de suas famílias, reuniram-se para a produção de comida na cozinha da entidade. 

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– Combinamos por meio de um grupo, que, nós, professoras, começaríamos a cozinhar e distribuir as marmitas para as famílias mais carentes. Parte dos alunos tinha a refeição na escola como a principal do dia. Nossa maior preocupação foi a alimentação desses alunos e de suas famílias. Iniciamos a produção, e a Biblioteca Girassol, nossa parceira, nos procurou para participar da ação com a distribuição de poesias e livros junto das marmitas – conta Elizabeth Gonçalves Ulrich, 36 anos, vice-diretora da escola, com 270 alunos matriculados. 

No entanto, hoje, a produção das marmitas, que acontecia três vezes na semana, está parada, devido a diminuição no salário das docentes e a dificuldade de manter as idas até a escola. Em mais de um mês de ação, as professoras produziam cerca de 300 quentinhas por semana. 

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Entregas feitas na comunidadeFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Cultura

Além da comida, as famílias dos alunos da região receberam cestas básicas. No sábado passado, mais de 100 kits de alimentos fornecidos pela Secretaria de Educação do Estado foram distribuídos na vila, onde moram cerca de 80% dos alunos da escola. 

– Claro que a emergência das pessoas é pelo alimento, mas além disso, elas têm fome de cultura e de entretenimento. E para alegrar um pouco a vida neste momento difícil, nada melhor do que uma poesia – afirma mediadora de leitura da biblioteca Bianka Maduell, 23 anos. 

De acordo com Bianka, as poesias são de escritores periféricos, com uma temática que se aproxima da realidade das pessoas que vivem na Vila Respeito. Na ação, poesias da escritora Conceição Evaristo foram anexadas na embalagem de comida.

A coordenadora da Biblioteca Girassol, a bibliotecária Priscila Macedo, 28 anos, conta que, no momento da entrega, era notável a gratidão das pessoas pelo alimento e pela leitura:

– Uma das alunas, que frequenta a biblioteca, começou a fazer mediação da leitura em casa. É bonito ver o interesse até das crianças que não sabem ler ainda. Foram diferentes reações.

Priscila: “Leitura como sendo um direito”

Existente há três anos no bairro Sarandi, a Girassol integra a rede Beabah de bibliotecas comunitárias. Além das poesias e dos livros, nos próximos três meses, a partir de junho, a entidade distribuirá 150 cestas básicas com produtos de higiene e alimentos orgânicos provenientes de recursos da rede. 

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"Quentinhas" cuidadosamente preparadasFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Segundo Priscila, fundadora da Girassol com Bianka, a entrega das cestas busca atender as necessidades da comunidade e também fortalecer o segmento de produtores da agricultura. Como complemento, levar a leveza das poesias e dos livros para alegrar os leitores.

– Nós sabemos que, no Brasil, ter um livro ainda é visto como privilégio, mas tentamos colocar a leitura como sendo um direito. Assim como o alimento, o acesso à literatura tem que ser visto como essencial, mas conhecemos a realidade de muitas famílias que não possuem um espaço para ler em casa e, por isso, a biblioteca se faz tão importante dentro da comunidade – afirma Priscila.

Conheça o projeto

/// Saiba mais no Facebook da biblioteca: @bibliocomunitariagirassol.

/// A entidade aceita voluntários que queiram imprimir de informativos sobre a ação. O material é colocado dentro dos livros.

Produção: Caroline Tidra

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