Na Vila Funil, sem futebol, time marca golaço de empatia e amor ao próximo - Notícias

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Seu Problema é Nosso18/05/2020 | 19h12Atualizada em 18/05/2020 | 19h12

Na Vila Funil, sem futebol, time marca golaço de empatia e amor ao próximo

Esporte Clube São Vicente está mobilizado pela solidariedade e precisa de apoio para seguir atuando

Na Vila Funil, sem futebol, time marca golaço de empatia e amor ao próximo Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Galera do Esporte Clube São Vicente faz entregas na zona sul da Capital Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Mesmo com a suspensão das atividades esportivas – em razão das medidas de isolamento para prevenção da covid-19 –, o Esporte Clube São Vicente, nascido na Vila Funil, bairro Camaquã, na zona sul de Porto Alegre, não parou de bater um bolão. Desta vez, a equipe varzeana deixou de mirar as goleiras da quadra de futebol 7 e passou a marcar gols de solidariedade. 

Em parceria com o projeto Move Montanhas – também atuante na região da Vila Funil –, o time tomou a linha de frente em uma iniciativa que está apoiando quem enfrenta dificuldades durante a pandemia do novo coronavírus. Leva proteção e põe comida na mesa dos moradores da região. 

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Por meio da distribuição de cestas básicas, itens de higiene e limpeza e máscaras para famílias da comunidade que estão em situação de vulnerabilidade, a ação tem visado amenizar o impacto do isolamento na fonte de renda de muitos moradores. Vários dependiam, para sobreviver, de atividades agora paralisadas.

– A questão da renda foi o primeiro choque. Muita gente trabalhava na comunidade e para a comunidade, fazendo um conserto, capinando um pátio, atividades autônomas que agora não acontecem mais. Esses R$ 600 (do auxílio emergencial), em muitos casos, não são nem a metade do que as pessoas ganhavam – explica o educador e líder comunitário Roger Gama Correa, 29 anos, articulador do projeto Move Montanhas.

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Alegria ao receber alimentosFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

“Vírus positivo”

A partir de um cadastro feito na comunidade, as famílias com mais dificuldades foram identificadas e, em seguida, deu-se início à campanha de arrecadação. Por meio de divulgação nas redes sociais, a busca por alimentos e quantias em dinheiro foi impulsionada, possibilitando o sucesso da iniciativa. 

– Temos recebido doações de todas as partes. Nosso time é famoso na Zona Sul, então, essa campanha se espalhou também como um vírus, mas positivo. Cada um, com um pouquinho, e a gente tem ajudado muitas pessoas – comenta o administrador Reni Teles Poitevin, 43 anos, um dos dirigentes do EC São Vicente.

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Visita solidáriaFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Até o momento, já foram mais de 150 cestas básicas distribuídas na Vila Funil. Em dois lotes de entregas, feitas em abril e maio, os integrantes da equipe percorreram as ruas da comunidade levando os donativos até a residência de quem havia sido cadastrado – a fim de evitar aglomerações. 

Segundo Reni, com o arrecadado, ainda foi possível repassar cestas básicas para famílias de outras regiões:

– Sempre tem alguém pior do que a gente. Temos recebido pedidos de pessoas de lugares diferentes e, graças a Deus, temos conseguido ajudar. 

Rumo à terceira entrega, que deve ocorrer em junho, os integrantes do projeto seguem em busca de doações.

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Meninada engajadaFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Entre doadores, mobilização dentro e fora da comunidade

Segundo os organizadores, a pandemia pegou de surpresa a comunidade da Vila Funil, que tem cerca de 5 mil moradores. De forma inesperada, muitas pessoas viram suas rendas caírem e, até mesmo quem antes auxiliava precisou ser auxiliado. Diante da situação, e a partir da mobilização iniciada pelo time, a própria vizinhança da vila passou a contribuir com a campanha, cada um doando um pouquinho.

– Minha família, por exemplo, tem a particularidade de sempre ajudar aos outros na comunidade. Mas, agora, ela também precisou ser ajudada, pois alguns  familiares tiveram o salário reduzido pela metade. Antes, eu via isso de longe, em outras famílias. Agora, vejo de perto – comenta Roger, enquanto Reni salienta a importância da rede de solidariedade que se formou na vila:

– É uma coisa bem coletiva, as pessoas que não podem contribuir com algum alimento, doam o seu trabalho. O sentimento é de que aquele pouco que tu está fazendo ou entregando, já faz uma diferença enorme para essas famílias que estão com quase nada nesse momento. É pesado e trabalhoso, mas no fim é bastante gratificante.

Ainda assim, as doações mais representativas têm chegado de fora, pois o projeto acabou servindo, também, como ponte para empresas e pessoas que não vivem o dia a dia da comunidade, mas tinham desejo de fazer a diferença neste momento. A exemplo disso está a influenciadora digital Mariana Weckerle, conhecida no Instagram como Guria Natureba, que, a partir de uma vaquinha online feita entre seus seguidores na rede social, doou 50 cestas básicas para a ação da Vila Funil.

Como ajudar

/// Depósitos em dinheiro podem ser feitos em nome de Roger Gama Correia, na conta 01032042-9, agência 4364 do banco Santander. Segundo os organizadores, haverá prestação de contas aos doadores sobre o destino dos valores arrecadados.

/// Para combinar doação de alimentos, entre em contato pelos telefones (51) 98436-1002, com Roger, ou (51) 99954-1420, com Reni. É dada preferência para alimentos não perecíveis.

Produção: Camila Bengo 

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