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Coronavírus11/06/2020 | 22h17Atualizada em 11/06/2020 | 22h17

Entenda o que muda nas regras de distanciamento controlado no Estado

Piratini alterou quatro indicadores, apertou ponto de corte em sete e manterá por duas semanas regiões nas bandeiras vermelha ou preta

Em meio ao aumento de contaminações, mortes e internações em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) por coronavírus no Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite anunciou, na tarde desta quinta-feira (11), o endurecimento no modelo de distanciamento controlado a partir da semana que vem. 

Na prática, fica mais fácil a entrada das regiões do Estado nas bandeiras vermelha ou preta – as que preveem mais restrições – e um maior tempo de permanência nas classificações de risco antes de migrar para as cores em que as regras ficam mais flexíveis (laranja e amarela). 

Dos 11 indicadores levados em conta para classificar regiões, o Palácio Piratini alterou quatro (veja a seguir) e apertou o ponto de corte em sete. As análises estarão mais sensíveis para redução de leitos disponíveis, aumento de internações em UTI e mais óbitos prováveis. 

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Exemplo de mudança é que, a partir de agora, o Estado vai projetar o números de mortes nas semanas seguintes em vez de olhar para estatísticas de dias anteriores – a ideia é se antecipar a um possível esgotamento de leitos e evitar um olhar atrasado da pandemia, uma vez que normalmente uma pessoa leva semanas entre se infectar e falecer.

— Entendemos que é preciso ter um modelo mais sensível a mudanças para dar mais segurança no atendimento hospitalar no futuro — afirmou Leite. 

Segundo Leany Lemos, coordenadora do Comitê de Dados, análises do governo indicavam que, em alguns cenários, o modelo aplicaria bandeira vermelha somente 15 dias antes de todos os leitos de UTI estarem ocupados na região – e somente dois dias antes de identificar uma zona de bandeira preta. 

— O objetivo de fazer a revisão é reduzir o risco de esgotamento e promover segurança — disse Leany.

Outra variação importante é que as regiões que atingirem as bandeiras vermelha ou preta seguirão duas semanas, em vez de uma, na classificação, sofrendo as respectivas sanções. Assim, o sistema de saúde local terá mais tempo para se recuperar antes de voltar a tratar pacientes.

Planos próprios municipais

As novas regras não teriam grandes efeitos nas bandeiras das últimas semanas. Mas o Estado estima que, a partir de agora, as alterações nas medidas deverão penalizar regiões.

Ainda assim, Leite negou que o decreto que permite às prefeituras flexibilizar atividades, caso apresentem plano próprio, seja obstáculo no combate à pandemia. Isso permite, na prática, uma maior facilidade para retomar atividades.

— O prefeito que quiser fazer ajustes precisa ter plano estruturado, baseado em evidências científicas e assinado por responsáveis técnicos, e apresentá-lo ao Estado, que vai analisar. Se o prefeito não atender a isso, sofrerá as consequências, inclusive com ações judiciais — afirmou.

Leite também divulgou que o Ministério da Saúde vai enviar 130 respiradores ao Rio Grande do Sul – neste momento, 37% dos quase 2 mil respiradores estão em uso. Além disso, o governo federal investirá R$ 45 milhões para custear 314 leitos de UTI de 20 hospitais do Rio Grande do Sul. 

Segundo o governador, o Estado mobilizou a iniciativa privada para custear o conserto de respiradores estragados de hospitais gaúchos. Foram identificados 254 com defeito – destes, 85 receberam manutenção e estão à disposição. O Piratini optou por investir na reparação, em vez de comprar novos, após identificar “preços muito elevados e falta de garantia de entrega”, conforme Leite.

O governador ressaltou que o Rio Grande do Sul deve lidar com um segundo semestre ainda pior em termos econômicos – para além da pandemia, o Estado enfrenta a estiagem. Ele descartou a retomada de campeonatos esportivos com público:

— A conjuntura econômica é desfavorável. Estamos lidando com um cenário inédito. É muito forte o impacto na nossa economia, e sabemos que no segundo semestre será ainda maior. 

Os dados mais recentes mostram que o Rio Grande do Sul registrou 14,1 mil casos de coronavírus e 323 mortes. 

Mudanças em quatro indicadores

Óbitos por covid-19
Antes: mortes dos últimos sete dias/100 mil habitantes
Agora: projeção de mortes nos próximos 14 dias com base nos últimos sete dias e na variação de pacientes covid-19 em UTIs 

Indicador de leitos de UTI por macrorregião
Antes: leitos livres na sexta-feira/100 mil idosos
Agora: leitos livres na sexta-feira/leitos ocupados por covid-19

Indicador de leitos de UTI no Estado
Antes: leitos livres na sexta-feira
Agora: leitos livres/leitos ocupados por covid-19

Doentes ativos com coronavírus
Antes: casos ativos na sexta-feira/recuperados nos últimos 50 dias
Agora: casos ativos na última semana/recuperados nos últimos 50 dias antes do início da semana

Gatilhos de segurança

1) Trava para baixar risco de bandeira
Antes: registrar até cinco novas internações por covid-19 nos últimos 14 dias
Agora: registrar até três novas internações por covid-19 nos últimos 14 dias

2) Permanência em bandeiras
Antes: região permanecia uma semana em bandeiras vermelha ou preta antes de reclassificação
Agora: região permanece duas semanas em bandeiras vermelha ou preta antes de reclassificação


 
 
 
 
 
 
 
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