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Livres da doença18/06/2020 | 21h31Atualizada em 18/06/2020 | 21h31

Os motivos pelos quais dois bairros de Porto Alegre não têm nenhum caso de coronavírus

Extrema e Pedra Redonda, na zona sul, não apresentaram nenhuma ocorrência da doença

Os motivos pelos quais dois bairros de Porto Alegre não têm nenhum caso de coronavírus Jefferson Botega/Agencia RBS
Bairro Pedra Redonda, com apenas 274 habitantes, é um dos que não tem nenhum caso registrado Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS
Jéssica Rebeca Weber
Jéssica Rebeca Weber

jessica.weber@zerohora.com.br

Segundo a última atualização do mapa de incidência do coronavírus em Porto Alegre, restam apenas dois bairros sem casos da doença: o remoto Extrema, a mais de 30 quilômetros do centro da Capital, e o pequeno Pedra Redonda, que tem apenas 274 habitantes, segundo o último censo. Três bairros tiveram uma confirmação apenas (Agronomia, São Caetano e Vila Conceição) e outros três somam dois casos da doença até então (Chapéu do Sol, Lami e Sétimo Céu).

Sete destes oito bairros ficam na Zona Sul da Capital. André Luiz Machado, infectologista do Hospital Conceição, que já trabalhou na Vigilância Epidemiológica da Capital, acredita que contribuem para isso as características interioranas e a baixa densidade demográfica — parte dos habitantes reside em sítios. Bem como o Extrema, os bairros São Caetano, Chapéu do Sol e Lami ficam a cerca de uma hora do centro de Porto Alegre. Os moradores não costumam “ir para a cidade” com frequência e já tinham hábitos mais isolados.

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— Há um perfil de pessoas que já têm por opção de vida ficarem mais afastadas do movimento — acrescenta Machado.

Mesmo mais próximos da região central, os bairros Pedra Redonda, Vila Conceição e Sétimo Céu também têm moradores com um perfil mais reservado, que escolheram a orla do Guaíba na Zona Sul em busca de tranquilidade. Mas o cenário é completamente diferente do primeiro: em vez de estrada de chão e pastagens ocupando vastas áreas, as ruas de paralelepípedo desses bairros nanicos levam a muros altos de casas e condomínios horizontais de alto padrão.

É difícil ver moradores caminhando na rua. Na Praça Paraíso, da Vila Conceição, a reportagem avistou apenas dois adolescentes, com máscaras, levando os cachorros para passear na tarde desta quinta-feira (18).

O engenheiro químico aposentado Hilton Piccolo, 63 anos, praticamente só sai de casa para ir ao mercado ou velejar, esporte que pratica sozinho. Ele leu que seu bairro tinha apenas um caso de coronavírus no jornal, mas não reduziu os cuidados em razão disso.

— Não fico muito aliviado. Meus pais, que moram aqui do lado, têm quase 90 anos — afirma.

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O secretário-adjunto de Saúde de Porto Alegre, Natan Katz, ressalta a importância de os moradores seguirem tomando todas as precauções de higiene e distanciamento, mesmo que seu bairro apareça pintado de verde no mapa de incidência da covid-19.

— Não acho nem que quem está em um bairro sem muitos casos tem que ficar tranquilo e nem quem está em um bairro com mais casos deve ficar apavorado. Os cuidados não mudam: tem que passar álcool gel com frequência, usar máscara, não ir para locais com aglomeração.

Doença se espalha gradativamente da região central em direção às periferias

O secretário-adjunto de Saúde de Porto Alegre, Natan Katz lembra que a origem da contaminação por coronavírus se deu em bairros mais centrais com população de maior poder aquisitivo, já que algumas pessoas trouxeram a covid-19 a partir de viagens. O usual, segundo ele, é que a contaminação vá se espalhando do centro para as pontas, e esse é um dos motivos pelo qual a Zona Sul tem vários bairros com menos incidência da doença. Além de ter por característica mais casas do que edifícios e muitos bairros com baixa população. De tão pequeno, o Pedra Redonda, se tivesse um caso apenas de coronavírus, já integraria o topo da lista de contaminação em termos proporcionais (por cem mil habitantes).  

Mas ele atenta para a possibilidade de os números de contágio aumentarem em bairros mais populosos das extremidades. É o caso da Restinga, que hoje ainda não tem um quadro preocupante — há 52 casos por 100 mil habitantes.

— A tendência é que a gente tenha, ao longo do tempo, uma aproximação das diferenças _ diz Natan.

Essa também é uma preocupação do infectologista André Luiz Machado. Boa parte dessa população não consegue manter o isolamento social na periferia e acaba morando com muitas pessoas na mesma residência.

— É fácil de virar o jogo nessas regiões densamente povoadas, onde há pessoas que não têm condições para manter cuidados como uso de álcool gel e a troca de máscaras regular.

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