Internações por coronavírus em UTIs de Porto Alegre têm primeiro recuo em 16 dias - Notícias

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Impacto da pandemia27/07/2020 | 21h54Atualizada em 27/07/2020 | 21h54

Internações por coronavírus em UTIs de Porto Alegre têm primeiro recuo em 16 dias

Especialistas dizem que variação ainda não permite apontar tendência de queda ou estabilização

Internações por coronavírus em UTIs de Porto Alegre têm primeiro recuo em 16 dias André Ávila/Agencia RBS
Foto: André Ávila / Agencia RBS

O ritmo de crescimento nas internações por covid-19 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de Porto Alegre diminuiu ao longo dos últimos sete dias.

Os 306 pacientes internados até as 14h desta segunda-feira (27) representavam 8,9% a mais do que havia uma semana antes. No período anterior, o aumento de hospitalizações havia ficado em 24,9%.

A segunda-feira também trouxe a primeira queda na quantidade de doentes atendidos em UTIs da Capital em 16 dias — na véspera, havia 316 pessoas internadas. O recuo anterior mais recente foi registrado em 11 de julho, quando as vagas em uso oscilaram de 209 para 202. Desde então, só haviam aumentado ou mantido o mesmo patamar da véspera. 

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Como a demanda de doentes graves pode variar bastante em questão de horas nos hospitais, e ainda há poucos dias com queda ou estabilidade nas hospitalizações, não é possível falar em tendência de queda ou mesmo estabilidade até o momento.

— Não sabemos com certeza qual a base populacional que demanda as UTIs de Porto Alegre. A abertura de novos leitos em cidades próximas pode reduzir um pouco a procura pelos hospitais da Capital, por exemplo. Também pode ser um reflexo do fato que o número de altas tende a ser maior no começo da semana, já que nos finais de semana há menos profissionais atuando (para encaminhar a liberação dos pacientes) — analisa o gerente de Risco do Hospital de Clínicas, Ricardo Kuchenbecker. 

Kuchenbecker sustenta que é preciso aguardar mais antes de tirar conclusões: 

— Ainda é pouco tempo de observação para estabelecer alguma nova tendência.   

Os números das últimas semanas sugerem, pelo menos, um crescimento menos acelerado. Quando se analisa a média móvel das internações (com o objetivo de reduzir o impacto de uma eventual alteração brusca e pontual nas datas analisadas), a curva é de um avanço mais lento.

Ao longo dos últimos sete dias, até a tarde de segunda, o número médio de internações foi de 297,3 ao dia, contra 258 no período prévio — um acréscimo de 15,4%. Uma semana atrás, pelo mesmo critério de média móvel, o salto na demanda de vagas por pacientes graves havia sido de 27,3% em Porto Alegre.

Doutor em Epidemiologia e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Paulo Petry lembra que, apesar de eventuais oscilações, a Capital ainda está com números muito elevados de ocupação nas UTIs. 

— Mesmo caindo um pouco as internações por covid em um dia, a taxa de ocupação geral ainda é próxima de 90%. Seguimos trabalhando com sobrecarga nos hospitais. Não é colapso, mas já existe dificuldade de regulação dos leitos disponíveis. Para não falar na sobrecarga emocional e de trabalho dos profissionais de saúde — observa Petry. 

Por volta das 14h da segunda-feira, o índice geral de ocupação das UTIs estava em 88,7% na Capital, com 788 leitos operacionais e 17 bloqueados.

 
 
 
 
 
 
 
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