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Após decreto

Primeiro dia de retomada do comércio tem desempenho tímido nas vendas em Porto Alegre

Liberadas para funcionar, lojas puderam abrir as portas das 10h às 17h nesta quarta-feira

12/08/2020 - 21h03min

Atualizada em: 13/08/2020 - 11h10min


Bruna Viesseri
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Eduardo Pinzon
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Jefferson Botega / Agencia RBS
Dados preliminares indicam que o desempenho das vendas nesta quarta ficou entre 35% a 40% de um dia normal

Apesar do movimento visto nas ruas do centro de Porto Alegre, o primeiro dia de retomada do comércio foi tímido. Liberados pela publicação de um decreto da prefeitura da Capital, lojistas puderam abrir as portas das 10h às 17h nesta quarta-feira (12), e poderão repetir o funcionamento na quinta (13) e na sexta (14).

Conforme o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas da cidade (CDL Porto Alegre), Irio Piva, dados preliminares repassados pelos estabelecimentos indicam que o desempenho das vendas nesta quarta ficou entre 35% a 40% de um dia normal.

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Se na semana passada, perto do Dia dos Pais, o movimento visto em ruas e shoppings foi animador para os comerciantes, a realidade vista nesta quarta se mostrou mais dura.

— O que ocorreu na última semana, em que vimos uma boa procura por parte dos consumidores, era em função de uma demanda reprimida devido ao Dia dos Pais. De maneira geral, hoje as vendas foram muito fracas. Mas era algo que a gente esperava — afirma o presidente do Sindilojas POA, Paulo Kruse.

Segundo ele, o abre e fecha vistos nos últimos dias — quando a prefeitura permitiu o funcionamento do comércio em desconformidade com as regras previstas pelo governo do Estado e teve o decreto modificado a mando da Justiça — refletiu na postura dos consumidores.

— Acabou criando um clima em função disso, aumentando as incertezas do público, além dos receios que já existem em função da pandemia — diz Kruse.

Segundo ele, peças de inverno tiveram uma procura melhor em relação aos demais itens, mas, ainda assim, "muito fraca". 

Para Piva, outro fator que dificulta as vendas nessa retomada é o horário de atendimento:

— Essa é uma das principais colocações dos lojistas. Esse horário tão cedo, fechando às 17h, não é tão bom para o varejo, deveria se estender mais um pouco. Imagino que as pessoas também precisem se acostumar com o horário, e estamos apenas no primeiro dia.

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A chuva e a temperatura mais baixa nesta quarta também não favoreceram as vendas, conforme as entidades. Além disso, o medo de contrair a doença e estar mais exposto ao se deslocar pelas lojas também influencia.

— Além do período em que tivemos de fechar as portas, agora precisaremos enfrentar esta questão da retomada, que deve ser lenta e gradativa — analisa Kruse.

Comerciantes demonstram decepção

A reabertura do comércio de Porto Alegre nesta quarta-feira (12) frustrou muitos empresários. Da porta para fora, as calçadas estavam lotadas e era preciso desviar dos carregadores de mercadorias e vendedores que abordavam quem passava. Mas realidade das vendas não foi das melhores. O tempo frio e a falta de dinheiro na mão dos clientes são apontados como fatores determinantes para o baixo movimento dentro das lojas. 

— De zero a dez, eu daria nota 5 para as vendas nesta quarta-feira. Só pelo fato de ter amanhecido chovendo já imaginávamos que seria um dia abaixo da média. O motivo é que temos um público mais velho, que assim evita ir para a rua, e também porque o povo tá sem dinheiro — explica Ivan Rodrigues, um dos proprietários do Bazar Carioca, na Avenida Voluntários da Pátria. 

Ainda pela manhã, o proprietário da loja de confecções Magazine 51 projetava vendas abaixo da média neste primeiro dia de abertura do comércio após decreto municipal. O principal motivo, segundo José Luís Machado, é a falta de dinheiro nas mãos dos clientes. Ele prevê uma retomada lenta e gradual da normalidade das vendas. 

— Não foi nada dentro do esperado. Havia-se uma expectativa de reação, até pelo grande prejuízo que estamos acumulando nos últimos meses. Mas, infelizmente, o cliente não compareceu e o jeito vai ser seguir à espera deles — avalia. 

Uma das reivindicações dos comerciantes é a permissão para funcionar de segunda a sexta-feira. O decreto assinado pelo prefeito Nelson Marchezan libera o comércio, inclusive em centros comerciais e shoppings centers, de quarta a sexta-feira, das 10h às 17h. 

— Contamos com a compreensão da prefeitura para tentar reabrir o comércio nos cinco dias da semana. Você vê o desespero dos empresários fazendo de tudo para segurar os funcionários, tendo que pagar aluguel. Hoje em dia não deve ter um empresário que diga que está com todas as contas em dias — diz Machado. 

Na Avenida Voluntários da Pátria, pontualmente às 17h, a grande maioria das lojas já estava com as cortinas de ferro baixadas. A Brigada Militar (BM) realizou policiamento extensivo com motos e a cavalo na região. 


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