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Convênios continuam11/09/2020 | 05h00Atualizada em 11/09/2020 | 05h00

Com repasses reduzidos, creches comunitárias da Capital trabalham com plantões, mas fortalecem elo com comunidades

Em abril, a administração municipal chegou a anunciar que os contratos seriam suspensos, mas voltou atrás

Com repasses reduzidos, creches comunitárias da Capital trabalham com plantões, mas fortalecem elo com comunidades Arquivo Pessoal/Divulgação
Entregas de alimentos repassados pela prefeitura e também de outras arrecadações são apenas um dos exemplos Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Já passou mais de meio ano desde que as crianças de Porto Alegre não frequentam mais suas escolas. E no setor da Educação Infantil, isso é ainda mais marcante. Na Capital, a maior parte das instituições que recebem os alunos gratuitamente não são públicas, mas sim administradas por entidades da sociedade civil que formam convênios com a prefeitura. Segundo a Secretaria Municipal da Educação (Smed), são 207 creches comunitárias conveniadas. 

Quando a pandemia fez com que os encontros presencias fossem suspensos e uma crise se avizinhasse, o município começou a olhar para onde os gastos poderiam ser cortados. E as escolas infantis parceirizadas entraram nessa lista. Em abril, a administração chegou a anunciar que os contratos com todas as creches comunitárias conveniadas seriam suspensos. Após protestos, voltou atrás. 

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Entretanto, os repasses foram reduzidos. Conforme a Smed, foi mantido “o pagamento referente a uma equipe mínima de apoio e a despesas de custeio, como água e eletricidade”. A secretaria afirmou que “orientou as entidades a inserirem os demais funcionários no programa federal de manutenção de emprego e renda”. Atualmente, são repassados R$ 2,5 milhões por mês a todas entidades.

Mas, se as creches estão sem aula e, diferentemente dos níveis Fundamental e Médio, não promovem atividades à distância, foi por meio de um trabalho de fortalecer vínculos que as instituições conseguiram se manter presentes na rotina das famílias. Recentemente, o Diário Gaúcho mostrou que a Smed tem distribuído kits de alimentação para estudantes da rede municipal. Em locais onde as creches comunitárias são um dos poucos, se não o único local de uso coletivo, as distribuições tem sido feitas por elas. As entidades também costumam organizar ações próprias.

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Auxílio

Apesar da verba repassada pelo município, as creches comunitárias precisam de mais auxílio para fechar suas contas e também concretizar as doações. A Tia Iara, na Vila Cruzeiro, por exemplo, atendia 45 crianças e tinha nove colaboradores. Hoje, além da diretora, Walesca Scatola, apenas mais uma pessoa trabalha no local. 

– Estamos em regime de plantão, atendendo a nossa comunidade escolar em tudo que eles precisam. Além disso, a cada 15 dias entregamos cestas básicas e outras doações – explica Walesca.

Sem aulas, creches comunitárias da Capital servem como elo entre poder público e comunidade. Na foto, a Tia Iara, na Vila Cruzeiro.
Entregas de alimentos são frequentesFoto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Ajuda de diversos locais

Para atender os pedidos que chegam, as instituições costumam contar com “padrinhos”. Pais de alunos ou pessoas da comunidade que fazem doações, que são repassadas para famílias que precisam.

– Os padrinhos são como anjos para nós. Eles tem grande participação na sobrevivência das creches durante esse período de pandemia – agradece Walesca.

Ações

À frente do Fórum Municipal do Direito da Criança e do Adolescente, órgão que congrega as instituições que têm convênios com a prefeitura na área de educação e assistência social, Carolina Aguirre Silva afirma que alguns serviços que eram feitos por entidades do fórum não pararam.

O trabalho é dividido entre a Educação Infantil – que atende crianças de zero a seis anos – e serviços de convivência – locais de atividades do contraturno escolar para quem tem de seis a 14 anos. Além das 207 creches, o município tem 96 serviços de convivência.  

– Temos ações que seguiram, como a Ação Rua, um programa em que a instituição vai até o morador para abordagens que auxiliam nos casos mendicância ou trabalho infantil, por exemplo. Mesmo sem aulas, os locais ainda têm feito muito por suas comunidades – pontua Carolina.


 
 
 
 
 
 
 
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