Susto no súper: preço do arroz sobe 17,91% em agosto em relação ao mês anterior - Notícias

Versão mobile

 
 

Cesta básica05/09/2020 | 05h00Atualizada em 06/09/2020 | 20h04

Susto no súper: preço do arroz sobe 17,91% em agosto em relação ao mês anterior

Dado é da pesquisa publicada mensalmente pelo Dieese

Susto no súper: preço do arroz sobe 17,91% em agosto em relação ao mês anterior Isadora Neumann/Agencia RBS
Tendência de alta deve permanecer nas próximas semanas Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS

O aumento no preço do arroz tem assustado consumidores. Conforme o levantamento publicado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) nesta sexta-feira (4), o cereal tão presente na mesa dos brasileiros teve um salto de 17,91% em agosto, na comparação com o mês de julho. A pesquisa é publicada todo mês pela entidade e leva em conta preço de 13 itens que compõe uma cesta básica.

Para complicar, essa alta é uma tendência que deve permanecer nas próximas semanas. Se o aumento ainda não ficou evidente em todas as prateleiras, basta olhar os números diretos do produtor. Conforme o levantamento diário do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), a saca de 50 quilos do arroz tipo 1 chegou aos R$ 100,46 nesta quarta-feira, dia 2, ultrapassando a barreira dos R$ 100 pela primeira vez. 

Leia outras notícias do Diário Gaúcho

O recorde foi quebrado novamente na sexta, quando o valor foi para R$ 101,92 — nível mais alto na série histórica do Cepea, iniciada em 2005. Para se ter ideia do salto no preço, na mesma data no ano passado, o valor da saca era de R$ 44,76, um aumento superior aos 124%. Neste mesmo período, a inflação acumulada no país foi de apenas 2,31%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Regularidade

Analisando a série histórica do Cepea, é possível notar que o arroz não costumava apresentar grande alteração de preço, seguindo um patamar de regularidade ao longo dos anos. Porém, do início deste ano para cá, o cenário mudou. No dia 2 de janeiro, a saca de 50 quilos estava cotada em R$ 48,05. Ou seja, só neste ano, comparando este dado de janeiro com o de setembro, o aumento foi de 109,07%. 

O Diário Gaúcho consultou o Procon Porto Alegre para saber se os preços podem ser considerados abusivos e se o órgão está tomando alguma medida. Conforme a entidade, "o aumento dos preços está sendo identificado sobretudo na indústria _ e não no varejo _ em vários Estados e municípios do país". Este é um dos indicativos de que o preço final nos comércios ainda tem chance de ser afetado, nos casos onde já não foi. 

Leia também
Retomada das obras paradas impulsiona construção civil em Porto Alegre
Em julho, leite foi o produto da cesta básica que mais aumentou de preço na Capital
Nova gasolina se torna obrigatória no país

O comunicado do Procon da Capital ainda relatou que houve, ontem, uma reunião com representantes do órgão em vários Estados e decidiu-se levar o tema ao Ministério da Justiça e, talvez o Ministério da Economia, já que os aumentos podem ligados a "da alta do dólar, exportações etc.". "Envolve toda a cadeia e não apenas o consumidor da ponta", finalizou a entidade de defesa do consumidor na Capital.

Consumo alto e safra distante

Quando um produto tem sua procura elevada, para garantir que os estoques não se esvaziem, eleva-se o preço. É a lei da oferta e da demanda. Neste ano, itens como tomate, batata e leite já foram integrantes da cesta básica que mudaram de patamar nos preços. Agora, o mesmo se repete com o arroz. Isso tudo é consequência de sazonalidades — períodos do ano em que o produto fica naturalmente mais caro ou barato, em razão da entressafra ou de uma estiagem, por exemplo. Porém, neste ano, outros ingredientes foram adicionados. Com mais tempo em casa e com a chegada do auxílio emergencial, o consumo foi mais acentuado, tornando a busca por itens básicos, como o arroz, ainda mais forte. 

Entretanto, o problema pode se estender, já que o país ainda está na entressafra do grão e precisará seguir importando o produto para abastecer seu mercado interno. E quem importa, paga em dólar, moeda que está muito valorizada frente ao real. Por isso, a alta do arroz ainda pode ter consequências longas na mesa do brasileiro. 

Estiagem

Administrador de um supermercado, o comerciante Bruno Lang diz que a alta dos preços já está sendo sentida na hora da compra junto aos fornecedores. Segundo ele, ainda está sendo possível manter o preço pelo estoque, mas assim que as recompras precisarem ser refeitas, as alterações irão chegando ao consumidor.

— Tem uma marca que comercializava o pacote de 1 quilo, no supermercado, por R$ 5,40. Hoje, o vendedor me avisou que o valor no fornecedor já está R$ 5,39. Ou seja, quem ainda não subiu o preço, quando for reabastecer seu estoque, enfrentará essa realidade — acredita Bruno, que ainda aponta a forte estiagem pelo qual o Estado passou como outro fator para a escassez de arroz no mercado.

 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
Imprimir
clicRBS
Nova busca - outros