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Eu Sou do Samba26/11/2020 | 05h00Atualizada em 26/11/2020 | 05h00

Liliane Pereira: O povo do Carnaval também elege

Colunista escreve nas quintas-feiras no Diário Gaúcho

Liliane Pereira: O povo do Carnaval também elege Omar Freitas/Agencia RBS
Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Com o resultado das eleições deste ano, uma das críticas que surgiu no meio sambista foi de que o povo do Carnaval não elege candidato. Ou, ainda, que não valoriza seus candidatos. Bom, eu tenho que discordar. Penso que a única forma possível de o povo carnavalesco não eleger candidato é se não for votar, o que não acredito que seja o caso da maioria.

As pessoas do Carnaval são, em grande parte, as mesmas que precisam que o posto de saúde esteja aberto até mais tarde para que elas possam consultar depois de voltar do trabalho. As que precisam de ônibus que as levem até suas casas em horários que contemplem o final da aula na escola, na faculdade ou no plantão.

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Esperar que sambistas votem em candidatos que tenham apenas propostas carnavalescas para oferecer chega a ser uma ingenuidade. Os carnavalescos querem sim uma estrutura melhor no Complexo Cultural do Porto Seco e nas quadras de escolas e fins, mas querem também ir e voltar de casa em segurança, sem o medo constante de ser assaltado a qualquer momento porque a rua em que moram sequer tem iluminação pública. Querem vagas em creches para seus filhos e saneamento básico para que eles não tenham que brincar entre lixo e ratos.

Interesses

Passou há muito o tempo em que dar camiseta, instrumento ou churrasco ganhava votos. As pessoas adquiriram o discernimento de perceber quando o candidato está interessado no povo ou apenas em ganhar o pleito. Já houve e ainda há vereadores identificados com a cultura popular. Alguns deles, porém, com atuações mais marcantes na área da saúde, em projetos sociais ou no esporte, sem que por isso deixem de dar atenção às questões carnavalescas.

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Afinal, tudo o que engloba as questões da cidade e suas condições para seus cidadãos influencia diretamente na vida de todos os sambistas. Duvido muito que haja uma quantidade significativa de eleitores dispostos a priorizar o voto para quem fala exclusivamente de Carnaval. Precisamos de mais!

 
 
 
 
 
 
 
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