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Coronavírus18/12/2020 | 05h00Atualizada em 18/12/2020 | 13h41

Esteio lidera incidência de casos e de mortes por 100 mil habitantes na Região Metropolitana

Município de 83 mil habitantes tem 4.417 casos confirmados e 110 óbitos, segundo a SES

Esteio lidera incidência de casos e de mortes por 100 mil habitantes na Região Metropolitana Jefferson Botega/Agencia RBS
Esteio, município de 83 mil habitantes, tem 4.417 casos confirmados e 110 óbitos, segundo a SES Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS

O Rio Grande do Sul se aproxima da marca dos 400 mil casos de coronavírus, conforme a Secretaria Estadual de Saúde (SES). Mais de 7,9 mil pessoas já perderam a vida em território gaúcho em razão da covid-19. Do total de casos, 34% estão concentrados em 12 municípios da Região Metropolitana, incluindo Porto Alegre. Ou seja, mais de um terço das ocorrências se encontra somente nestas 12 cidades que rodeiam a Capital. É um número que chama atenção diante do total de municípios no RS, que é de 497.

E dentro da Região Metropolitana, Esteio é a comunidade que se destaca neste ranking. Isso porque o município – com população estimada de pouco mais de 83 mil habitantes, conforme o IBGE – lidera os índices tanto na incidência de casos quanto de mortes para cada 100 mil habitantes.

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Olhando os números concretos, apenas pela quantidade, Porto Alegre lidera, obviamente, por ter uma população maior. Por isso, para se ter uma dimensão melhor da incidência da doença nas cidades, é preciso fazer o cálculo levando em conta a média para cada 100 mil habitantes. Assim, se coloca os locais em patamar de igualdade, independentemente de sua população, e se percebe onde a presença da doença é maior, seja por contaminação ou por óbitos. Este número é obtido da seguinte maneira: o indicador – nesta situação, o número de casos ou mortes por coronavírus – é dividido pela população daquela cidade. O resultado é multiplicado por 100 mil, obtendo-se o índice.

Ranking

Em Esteio, que lidera os rankings, a incidência é de 5.309 casos para cada 100 mil habitantes. A distância é considerável para São Leopoldo, segunda colocada, onde são 4.574 casos por 100 mil habitantes. 

O menor índice está em Viamão, onde são 1.432 casos para cada 100 mil habitantes. Em relação à mortalidade, Esteio tem 132 óbitos para cada 100 mil habitantes. Em número concretos, a cidade tinha, até esta quinta-feira (17), 110 óbitos. Mas, como a população é pequena, essa incidência fica evidente no cálculo. Os dados são da SES. 

A segunda cidade com maior mortalidade é Canoas, com 123 mortes para cada 100 mil habitantes. A posição chama atenção, já que na tabela de casos por 100 mil habitantes, Canoas cai para sétimo lugar. Porto Alegre completa este infeliz pódio com um índice de 116 mortes para cada 100 mil habitantes. A localidade com menos incidência de mortes é Gravataí, com 77 óbitos para cada 100 mil habitantes.

Para o secretário municipal de saúde de Canoas, Fernando Ritter, a incidência maior de mortes em relação aos casos têm ligação com o perfil das vítimas: idosos e pessoas com comorbidades. Ricardo aponta que a doença se espalhou mais por regiões vulneráveis, onde a contaminação é significativa. Entretanto, os casos que se converteram em óbitos estão mais concentrados em bairros de melhor condição financeira e entre idosos que vivem nestes locais.

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– De cada cinco casos de morte, quatro são idosos. Por isso, vemos como uma das hipóteses a contaminação mais letal em pessoas idosas e com comorbidades, mas que vivem pontos de menor vulnerabilidade, muitos até nem atendidos pelo SUS, mas por convênios – pontua Fernando.

Números absolutos

Olhando para os números absolutos da SES-RS, além de Porto Alegre, com 62.566 casos registrados até ontem, ainda aparecem Canoas, com 12.236 casos e Novo Hamburgo, com 11.019. Em mortes, a Capital tem 1.720 óbitos, seguida por Canoas, com 425, e Novo Hamburgo, com 274.

Longevidade da população

O que explica a situação de Esteio? Para a secretária municipal de saúde, Ana Boll, muito ainda se carrega nos dados do começo da pandemia, quando os municípios estavam em um período de aprendizado de protocolos e políticas para lidar com a covid-19. Ela acredita que a alta testagem realizada na cidade também demonstrou a elevada incidência de casos.

– Logo no começo da pandemia, já decidimos testar todo mundo que apresentava qualquer síndrome gripal. Então, tivemos uma detecção sempre precoce, com o objetivo de atender o paciente mais rapidamente possível – explica Ana.

Ainda assim, Ana reconhece que a mortalidade na cidade têm tido uma incidência alta. E a prefeitura trabalha com duas hipóteses para a situação. A primeira está ligada à idade dos pacientes. 

– Pela nossa rede básica, que cobre 100% do município, notamos que temos uma população idosa, com boa qualidade vida, mas com comorbidades, como diabéticos, imunodeprimidos. São pessoas que, quando deparam com a covid-19, enfrentam maior dificuldade e em muitos casos, infelizmente, não resistem – diz a secretária.

A segunda hipótese apontada pela prefeitura está ligada a um surto ocorrido no início da pandemia em um lar de idosos, onde ocorreram oito óbitos.

– Isso fez com que nós iniciássemos a testagem semanal em todos os lares registrados na cidade. Desde então, não voltamos mais a ter ocorrências de surto. 

Em São Leopoldo, alta testagem

O secretário de saúde de São Leopoldo, Ricardo Brasil Charão, afirma que, apesar da presença da cidade entre os municípios com mais incidência do coronavírus, no índice de mortalidade, o município cai para a 10ª colocação. Ou seja, apesar do número alto de casos, a letalidade é baixa na comparação com outros locais da Região Metropolitana. E por que isso acontece? 

 SÃO LEOPOLDO, RS, BRASIL - Municípios da Região Metropolitana com maior incidência de casos e mortes por Covid-19. (Foto: Jefferson Botega/Agencia RBS)Indexador: Jefferson Botega<!-- NICAID(14670808) -->
Cidade do Vale do Sinos já testou 37 mil pessoasFoto: Jefferson Botega / Agencia RBS

O secretário diz que, desde o início da pandemia, a prefeitura trabalhou para ofertar diagnóstico em larga escala, com testagem e detecção precoce dos casos:

– Por isso, ainda que não haja um tratamento específico para a doença, isso nos permite monitorar permanentemente o paciente, limitando o risco de uma piora no quadro. De 236 mil habitantes, testamos quase 17% da população, cerca de 37 mil pessoas, isso é muito. O importante é não deixar com que isso se converta na perda de vidas. 

 
 
 
 
 
 
 
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