Aposentada transforma retalhos em roupinhas de recém-nascidos para doar em hospital na Capital - Notícias

Versão mobile

 
 

Seu Problema é Nosso14/01/2021 | 10h45Atualizada em 14/01/2021 | 10h45

Aposentada transforma retalhos em roupinhas de recém-nascidos para doar em hospital na Capital

Genoveva Kozlowski, 75 anos, utiliza recortes de etiquetas e estampas de mercadorias apreendidas pela Receita Federal para a produção das peças

Aposentada transforma retalhos em roupinhas de recém-nascidos para doar em hospital na Capital Ronaldo Bernardi / Agencia RBS/Agencia RBS
Peças são doadas para bebês em hospital Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS / Agencia RBS

Como uma forma de ocupar o seu tempo, a cuidadora de idosos aposentada Genoveva Kozlowski, 75 anos, de Porto Alegre, produz roupinhas para recém-nascidos com retalhos há cerca de dois anos. É com delicadeza e carinho que lida com as mini peças que, depois de prontas, são doadas para o Hospital Presidente Vargas. 

O trabalho solidário de Genoveva é produzido, principalmente, com recortes de etiquetas e estampas de mercadorias apreendidas pela Receita Federal, além de retalhos que, esporadicamente, recebe por meio da Associação das Mulheres Unidas pela Esperança do Morro da Polícia (Amue). 

– Eu gosto de fazer as roupinhas para bebê porque, se for para um adulto, ele poderá vender. Prefiro doar para crianças e para recém-nascidos que realmente necessitam – conta Genoveva.

LEIA MAIS
Ação em prol de animais silvestres pede doações
Precariedade no asfalto segue causando incômodos a moradores do bairro Bom Jesus
Novos passos: família de Alvorada faz campanha para cirurgia de Taylor  

Manualmente, ela separa as partes mais macias de cada retalho e prioriza aquelas mais coloridas, “porque bebê não usa preto”, sentencia. A idosa conta que, na sexta-feira passada, entregou no hospital uma leva com mais de 150 pecinhas de roupa. A produção inclui pijamas, camisetas, luvas e moletons. No total, Genoveva estima já ter doado mais de 1,6 mil roupinhas. 

– Uma assistente social do hospital me disse que as luvinhas são usadas em bebês que estão doentes e precisam de sonda. Normalmente, eles arrancam a sonda, mas quando estão de luvas isso não acontece – detalha a voluntária. 

Luvinhas para os que usam sondaFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Foi por meio da Associação do Voluntariado e Solidariedade (Avesol) que Genoveva conseguiu trazer para sua casa os retalhos das roupas apreendidas pela Receita Federal: 

– Tudo que eu conseguia descaracterizar, poderia trazer para casa. Ainda tenho um estoque, mas não podemos mais ir buscar por causa da pandemia.

Mas, além dos recortes, ela investe do seu bolso para continuar a confecção: 

– Uma vez por ano, tenho que pagar a manutenção da máquina. Eu que compro elásticos, linhas, colchetes, lã para a luvas, tudo no atacado na Pinto Bandeira – conta a aposentada, referindo-se à rua do centro da Capital conhecida pelas lojas de aviamentos. 

Sem enlouquecer

De origem polonesa, Genoveva veio de Horizontina para Porto Alegre aos 18 anos, para trabalhar. Sua mãe era estrangeira, assim como os avós paternos. Por muito tempo, trabalhou com costura mas, devido a problemas nos rins, teve de parar por um período. Após, Genoveva atuou na produção de alimentos congelados e, antes da aposentadoria, fez um curso para ser cuidadora de idosos. 

– Estou ocupando minha cabeça, fazendo alguma coisa útil. Se eu ficasse parada nessa época (de pandemia), seria para enlouquecer – conta a costureira, bem-humorada. 

Mãos habilidosas e solidáriasFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

"Mulher com olhar humano e solidário"

Segundo a presidente da Amue, Vitória Marques, 59 anos, Genoveva, além de ser uma das fundadoras da associação, dá vida à entidade por meio do seu trabalho solidário: 

– Genoveva tem um olhar humano e solidário que ultrapassa tudo e alcança aqueles que mais necessitam. Ela é nosso braço direito. Sempre que a busco para ajudar, ela está disposta e diz: “É pra já, Vitória!”. 

A costureira, que participava presencialmente de ações da Amue antes da pandemia, tem, agora, uma atuação mais restrita devido aos cuidados necessários. Na associação, Genoveva trabalhava na produção de quentinhas para a comunidade.

Mães

– Ela gosta de passar conhecimento, ensinar as mulheres. Iríamos ter uma oficina para as mães produzirem seus enxovais mas, por causa da pandemia, não dá para reunir as pessoas. Quando surge uma grávida que precisa, dona Genoveva produz um enxoval com todo carinho. Tem que ver a emoção das mães. É com amor e dedicação, ela até montou uma sala para fazer isso – detalha Vitória. 

De acordo com ela, a Amue recebe diversas doações, inclusive de roupas, retalhos e aviamentos:

– Quem quiser conhecer a associação e doar pode nos ligar ou vir até a sede. Ajudar é um dom maravilhoso, e todos nós podemos fazer, cada um da sua maneira. Vamos espalhar a semente do bem. 

Ateliê em casa para a produçãoFoto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Para contribuir com Genoveva

/// Roupas, retalhos, linhas, lãs e outros aviamentos podem ser deixados na sede da Amue, localizada na Travessa Coronel Rêgo, 248, bairro Coronel Aparício Borges, em Porto Alegre.

/// Para agendar a doação, entre em contato com Vitória pelo telefone (51) 98119-0292 ou (51) 3339-0631.

Produção: Caroline Tidra

Leia outras notícias da seção Seu Problema é Nosso  


 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
Imprimir
clicRBS
Nova busca - outros