Cesta básica ficou 21,6% mais cara em 12 meses na Capital - Notícias

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Teu Bolso13/01/2021 | 05h00Atualizada em 13/01/2021 | 05h00

Cesta básica ficou 21,6% mais cara em 12 meses na Capital

Números divulgados pelo Dieese mostram o salto dos preços durante o ano passado. Só o óleo de soja subiu 126,32%.

Cesta básica ficou 21,6% mais cara em 12 meses na Capital Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Alimentação pesa cada vez mais no orçamento das famílias Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Um dos setores que mais sentiu os efeitos da pandemia certamente foi o de alimentação. As famílias sentiram no bolso o salto de preços que marcou 2020 e fez produtos tradicionais da mesa brasileira atingirem patamares inéditos. Na segunda-feira, o Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Diesse), divulgou o levantamento de preços da cesta básica de Porto Alegre

Os números são de dezembro, e mostram que, na comparação com novembro, o conjunto de produtos teve uma leve queda de 0,22%, deixando a cesta básica da Capital no valor de R$ 615,66. Entretanto, a pesquisa também mostrou o acumulado dos últimos 12 meses. O índice, que mostra quanto a cesta ficou mais cara em 2020, somou aumento de 21,6%.

Produtos

O levantamento do Diesse leva em conta os preços de 13 produtos considerados essenciais para subsistência de uma família brasileira. Entre eles, no comparativo mensal, entre dezembro e novembro, 10 tiveram alta de preço, enquanto três apresentaram redução. Entre as altas, o destaque fica para a banana, que subiu 7,45%. O produto que teve maior redução de preço foi o tomate, que ficou 26,22% mais barato, na comparação com novembro.

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Entretanto, chama atenção o acumulado dos 12 meses para cada produto. Com a pandemia, itens tradicionais e que não costumavam ser tão caros tiveram saltos de preço. Muito pelo aumento do consumo no mercado interno, mas também pela grande demanda por importação. Neste caso, os campeões de alta foram o óleo de soja, que ficou 126,32% mais caro na Capital em dezembro, se comparado com o mesmo período do ano anterior. Depois, aparece o arroz, que tem tido seus dias de luxo, com um aumento acumulado de 90,78%, conforme os dados do Dieese. A batata – alta de 69,44% – e o feijão – aumento de 65,83% – também aparecem com acréscimos de preço que ficaram acima dos 60%, no acumulado dos 12 meses. 

Inflação

Para se ter ideia, no mesmo período, a inflação acumulada do Brasil foi de 4,52%, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ontem. O valor é 0,21 ponto percentual acima dos 4,31% registrados em 2019. Essa é a maior taxa acumulada no ano desde dezembro de 2016, quando o índice ficou em 6,29%. O índice está acima da meta central de inflação para o ano passado, de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância, de 2,5% a 5,5%.

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E essa alta foi puxada pela alimentação. No acumulado do ano, o grupo de alimentos e bebidas apresentou a maior variação, de 14,09%, e o maior impacto – 2,73 pontos percentuais – sobre o IPCA em 2020, encerrando o ano com a maior variação acumulada desde dezembro de 2002, que foi de 19,47%.

Patamar elevado deve seguir

Conforme a economista do Dieese, Daniela Sandi, houve uma perda muito grande no poder de compra da população de baixa renda durante 2020. Isso porque, proporcionalmente, o peso da alimentação no orçamento dessas famílias é maior. E se os alimentos foram o que mais subiu, mais ainda esses grupos precisaram gastar. 

— A inflação dos alimentos caiu direto na mesa do trabalhador brasileiro e, mesmo que haja uma queda de preços neste ano, não será suficiente para alterar esse patamar mais elevado. Essa situação poderá aprofundar ainda mais os níveis de insegurança alimentar, pobreza e tornará ainda mais dramática a questão da fome no Brasil — projeta Daniela, alertando para o fato do fim do auxílio emergencial, que vinha sendo a única renda para muitas famílias carentes.

A economista diz que quem ganhou um salário mínimo em dezembro, precisou comprometer 63,69% do valor com a compra da cesta básica:

— Não sobra quase nada para os demais itens do orçamento. Então, é preciso olhar com cuidado para esses acréscimos de preço e pensar políticas que aumentem o poder de compra do salário, para que essas famílias não sejam tão prejudicadas. A cesta subiu 21,6% no ano e o salário mínimo, somente 5,26%.



 
 
 
 
 
 
 
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