Feijão acumula alta de 50% em 12 meses na Capital - Notícias

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Item básico10/06/2021 | 05h00Atualizada em 10/06/2021 | 05h00

Feijão acumula alta de 50% em 12 meses na Capital

Porto Alegre voltou a ter a cesta básica de valor mais caro entre as capitais do país

Feijão acumula alta de 50% em 12 meses na Capital Tadeu Vilani / Agencia RBS/Agencia RBS
Feijão e sua dupla inseparável, o arroz, tiveram aumentos significantes no período, conforme pesquisa Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS / Agencia RBS

Depois de quase dois anos, Porto Alegre voltou a ter a cesta básica mais cara do país. O conjunto de 13 produtos considerados essenciais para a subsistência de uma família brasileira pesquisados pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese) custou R$ 636,96 em maio. O ranking considera 17 capitais do país, e a gaúcha não liderava desde julho de 2019. 

Agora, é seguida por São Paulo (R$ 636,40), Florianópolis (R$ 636,37) e Rio de Janeiro (R$ 622,76). Perceba que os três primeiros têm valores bem parecidos. Olhando para a lista de produtos incluídos na pesquisa, chamam a atenção os aumentos acumulados em 12 meses de dois itens básicos no prato de todos os brasileiros: o arroz e o feijão. 

O arroz ficou 0,57% mais caro em maio, se comparado ao mês de abril. Mas, em 12 meses, o aumento é de 65,02%. Comparado com abril, o preço do feijão em maio até caiu (-2,54%). Porém, em 2021, o aumento é de 15,36%. Em 12 meses, o produto ficou 50,17% mais caro.

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– Ainda que em alguns itens a alta tenha desacelerado frente a meses anteriores, os preços estão muito elevados, o que traz uma enorme dificuldade de acesso a itens essenciais, dada a significativa perda do poder compra em relação itens básicos como feijão e arroz. Esses aumentos afetam principalmente a população de menor renda já que, proporcionalmente, a alimentação tem um peso maior no orçamento – explica a técnica do Dieese no Rio Grande do Sul Daniela Sandi. 

Óleo de soja

Sobre abril, a cesta básica de Porto Alegre teve um aumento de 1,73%. No acumulado de 12 meses, os alimentos subiram, em média, 22,82%. O óleo de soja segue com a maior alta, mais do que dobrando de preço no período (aumento de 109%). O destaque recente tem sido a carne, sem previsão de alívio considerando a demanda pela exportação e o aumento do custo para alimentar os animais. 

– Em maio, Porto Alegre registrou altas maiores do que São Paulo na carne, no tomate e no pão, que são os três produtos de maior gasto mensal. Já Florianópolis, embora com alta maior na carne, registrou queda nos preços do tomate e do pão – detalha Daniela Sandi. 

A explicação para tantos aumentos juntos não é simples. Segundo a especialista, a situação é resultado de um “conjunto de questões”:

– Desde redução dos estoques de alimentos públicos da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), como arroz, feijão etc, dólar elevado que favorece as exportações e encarece os custos de produção e importação e aumento das exportações por conta da elevada demanda da Ásia. Somado a isso, nós temos as questões sazonais e conjunturais, como entressafra, clima e redução da área plantada. 

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Peso no orçamento

Com base na cesta mais cara que, em maio, foi a de Porto Alegre, o Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.351,11, valor que corresponde a 4,86 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100,00. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas: dois adultos e duas crianças.

Quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em maio, na média, 54,84% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta.


 
 
 
 
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