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Combate à pandemia14/07/2021 | 18h48Atualizada em 14/07/2021 | 18h48

RS chega a 50% da população com primeira dose de vacina contra a covid-19

Estado lidera nacionalmente a aplicação inicial e fica em segundo lugar na injeção de reforço

RS chega a 50% da população com primeira dose de vacina contra a covid-19 Anselmo Cunha / Agencia RBS/Agencia RBS
Rio Grande do Sul é o Estado que mais aplicou a primeira dose na população, segundo o Portal Covid-19 no Brasil Foto: Anselmo Cunha / Agencia RBS / Agencia RBS

Quase seis meses após o início oficial da campanha de vacinação contra a covid-19 no Brasil, o Rio Grande do Sul atingiu, nesta quarta-feira (14), 50% da população imunizada com a primeira dose, segundo os dados mais recentes da Secretaria Estadual da Saúde (SES). Foram aplicadas 5.455.162 injeções da etapa inicial de imunização no Estado, que conta com 11,4 milhões de habitantes.

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A marca é alcançada com uma mistura de alívio e preocupação: de um lado, o Rio Grande do Sul é o Estado que mais aplicou a primeira dose na população, segundo o Portal Covid-19 no Brasil. De outro, para atingir a imunidade coletiva, cerca de 70% dos gaúchos precisam ter tomado as duas doses – até esta quarta-feira, no entanto, apenas 20,6% haviam finalizado o esquema completo.

Médicos entrevistados por GZH comemoraram a marca, um sinal de que a campanha está finalmente avançando e de que vidas estão sendo salvas. No entanto, destacam que a cobertura vacinal precisa aumentar – sobretudo agora, com a suspeita de circulação da variante Delta, muito transmissível e de origem indiana, em solo gaúcho.

A médica Beatriz Schaan, coordenadora do grupo de trabalho de enfrentamento ao coronavírus no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), avalia que a marca de metade da população gaúcha com uma dose sugere que o Rio Grande do Sul tem sucesso ao distribuir as vacinas e imunizar a população. No entanto, destaca que o indicador que precisa ser almejado é o de alta cobertura com duas doses

— Nesse quesito, 20% é muito bom, mas estamos longe da imunidade de rebanho e o vírus ainda circula. Considerando que esses 20% são sobretudo idosos e pessoas com comorbidades, a grande maioria das pessoas que mais morriam de covid, podemos entender que a cobertura impacta em termos de menos internações, o que facilita que pessoas com outras doenças acessem hospitais. É um começo de volta à normalidade. Mas precisamos de mais pessoas com duas doses — pontua.

A despeito de a vacinação adentrar novas faixas etárias e ganhar corpo, o ritmo de aplicação de primeira dose é irregular e o de segunda não é tão alto quanto já foi. Entre os motivos citados, estão o repasse inconstante pelo Ministério da Saúde e o fenômeno dos "sommeliers de vacinas".

A média móvel diária de aplicação da primeira dose era de quase 30 mil na terça-feira (13), ante um ápice de quase 66 mil em 15 de junho e quase 68 mil no início de abril. 

Já a segunda dose, após dois ápices, no fim de abril e de junho, sofre nova queda, indicam dados da SES. A média móvel é de 14,5 mil segundas doses por dia, enquanto que, no fim de abril, chegou a ser de quase 43,5 mil.

Ainda assim, a cobertura vacinal atual já está servindo para poupar vidas. A média móvel é de cerca de 70 vítimas diárias no Rio Grande do Sul, bem abaixo do ápice da quarta onda no Estado, quando ultrapassou 300 mortes, no início de abril.

O médico e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, observa que o Brasil passou meses acompanhando os efeitos da vacinação em outros países e, agora, finalmente vê os efeitos das vacinas por aqui. 

— A primeira dose já oferece proteção bastante elevada para os diferentes desfechos da doença, mas a segunda dose é fundamental para atingir os níveis máximos de proteção e para prolongá-la. Estudos têm demonstrado que, com as duas doses, a proteção contra as variantes, inclusive a Delta, é bastante alta, em especial contra mortes. Isso só leva a gente a reforçar a necessidade da segunda dose. Ter 20% da população (com a imunização completa) é um nível alto em comparação com o resto do país, mas precisamos progredir — diz Cunha. 

As estatísticas oficiais ainda mostram que os idosos estão sendo protegidos contra a covid-19. Desde março, o número de pessoas com 70 anos ou mais que morrem devido ao coronavírus cai mensalmente. O mesmo ocorre para a faixa entre 50 e 69 anos. A média de idade dos internados em hospitais também está caindo. A avaliação é confirmada por quem atua na linha de frente no combate à covid-19.

— Estamos em situação de maior conforto, com tendência visível a controle da situação. Se continuarmos vacinando com a intensidade atual, em setembro teremos uma tranquilidade bem grande no meio hospitalar. No hospital, nos últimos dias, a tendência é de redução significativa no número de casos. A expectativa é de que, se aumentarmos a segunda dose, vai melhorar — diz Francisco Paz, diretor-técnico do Grupo Hospitalar Conceição (GHC).

O médico infectologista Ronaldo Hallal, membro do Comitê Covid-19 da Sociedade Sul-Riograndense de Infectologia (SRGI), destaca que a marca de 50% da população com uma dose é um "alento", mas sublinha que a pandemia ainda não está resolvida e que a cobertura vacinal precisa crescer. 

— É uma boa notícia no sentido de desaceleração das formas mais graves da doença. Mas, com a introdução da variante Delta, podemos ter uma mudança de cenário. Têm havido esforços por gestores na direção de estimular a vacinação. Mas, por outro lado, temos certo estímulo ao medo em relação aos efeitos adversos, infinitamente inferiores do que os benefícios, além do impacto de alguns grupos sociais que buscam escolher a vacina que vão realizar. Precisamos de investimento maior na saúde, com mais equipes, estratégias de comunicação chamando para a segunda dose e vigilância genômica — afirma Hallal.

 
 
 
 
 
 
 
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