Calçada esburacada e vandalismo incomodam comerciantes que trabalham no Viaduto Otávio Rocha - Notícias

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Centro Histórico01/08/2021 | 20h52Atualizada em 01/08/2021 | 20h52

Calçada esburacada e vandalismo incomodam comerciantes que trabalham no Viaduto Otávio Rocha

Prefeitura revela projeto para revitalizar espaço com recursos próprios

GZH
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Erguido na década de 1930 para fazer a ligação entre o Centro e a zona sul de Porto Alegre, o Viaduto Otávio Rocha ainda surpreende pela imponência da construção. Cartão-postal da cidade e um dos principais patrimônios históricos da Capital, contudo, o local — como muitos outros pontos da área central — carece de manutenção e enfrenta problemas como vandalismo, insegurança e falta de conservação.

O viaduto recebe milhares de pessoas todos os dias; porém, a maioria usa o espaço apenas como passagem. Os poucos comerciantes que mantêm lojas no espaço estão concentrados na região mais próxima à Rua Jerônimo Coelho. Ali, surge um problema que não é apenas visual, mas, também, de acessibilidade: o calçamento esburacado.

Antônio da Silva, proprietário da gráfica Copy & Arte, conta que gostaria de poder trocar o piso que falta em frente à loja. O motivo do incômodo, segundo diz, é a parte estética.

— Infelizmente, não posso fazer a troca. Até já comprei as pedras iguais (às da calçada), mas esse serviço quem pode fazer é a prefeitura — afirma.

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Diferentemente do que ocorre no resto da cidade, onde os proprietários dos imóveis são responsáveis pelas calçadas, o pavimento do viaduto Otávio Rocha só pode ser trocado pela prefeitura, por se tratar de um monumento público de responsabilidade do município. 

Além do impacto visual, os buracos deixados na calçada fazem com que pedestres relatem acidentes no local. É o caso de Inajara Batista, 46 anos, que conta ter sido vítima das falhas no calçamento.

Para tentar resolver o problema, o artista de rua Muhad faz algumas intervenções no local: onde falta piso, ele tapa com cimento e completa com alguma peça incomum — em mais de uma parte da calçada é possível ver a massa misturada com peças do brinquedo Lego, por exemplo. 

Trazendo vida ao local

Nas escadarias que levam à Rua Duque de Caxias também há espaços de comércio junto aos prédios residenciais. Antes da pandemia, era comum acontecerem eventos musicais nos bares de ambos os lados do viaduto. Um dos estabelecimentos é o bar Justo, que fica no chamado "Passeio de Verão" — cada zona do Otávio Rocha recebeu o nome de uma estação do ano. 

— A gente trouxe uma cara nova para esta parte do Centro. Antes as pessoas tinham até medo de vir aqui — conta Leonardo Abbady, supervisor do bar. 

Caminhando mais um pouco, pode-se admirar uma galeria a céu aberto com obras de arte penduradas no mural do prédio Don Felipe. As peças são trocadas periodicamente. 

Em busca de solução 

A prefeitura de Porto Alegre divulgou na semana passada um edital para contratação de uma empresa que fará a execução dos serviços de manutenção de espaços e passeios públicos na Capital. 

Os trabalhos devem reparar calçadas, calçadões, passagens de pedestres, rampas de acessibilidade, passagens de canteiro central, escadarias e pontos de ônibus. O valor estimado para o período de 12 meses de contrato é de R$ 3.714.802,54. 

A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb) diz que dará prioridade para atender as demandas do 156 e recuperar os passeios do Centro Histórico — região que o prefeito Sebastião Melo enfatiza, desde o início do mandato, a vontade de revitalizar. 

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— O serviço que a empresa vencedora do certame prestará é importante para atender os pontos que a cidade necessita, melhorias em passeios e também acréscimo de mão de obra terceirizada. Atenderemos chamados do 156 e pontos importantes, como o Centro Histórico, entre outros — diz o titular da pasta, Marco Felipi. 

Em resposta a GZH, a SMSUrb disse que a medida deve trazer uma solução para os problemas no calçamento no viaduto Otávio Rocha. 

A gestão passada, do prefeito Nelson Marchezan, pretendia revitalizar todo o viaduto por meio de uma parceria público-privada (PPP) e transformar o espaço em um polo gastronômico. Na quarta-feira (28), a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) informou à reportagem que a atual gestão busca investir com recursos próprios na revitalização do local e que já trabalha na arrecadação do valor necessário. 

A obra está estimada em cerca de R$ 16 milhões, valor que também passa por revisão. Entre os serviços a serem executados estão: solução dos problemas de infiltração, novo revestimento e pintura, restauração das escadarias e dos banheiros, além da instalação de iluminação com lâmpadas de LED e piso acessível. 

Produção: Guilherme Gonçalves

 
 
 
 
 
 
 
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