Porto Alegre tem 147 linhas de ônibus a menos do que em 2019 - Notícias

Versão mobile

 
 

Transporte público16/09/2021 | 05h00Atualizada em 16/09/2021 | 05h00

Porto Alegre tem 147 linhas de ônibus a menos do que em 2019

Redução é de 39,6% na comparação com o período pré-pandemia. EPTC cita integração de itinerários como principal motivo

Porto Alegre tem 147 linhas de ônibus a menos do que em 2019 Jefferson Botega / Agencia RBS/Agencia RBS
EPTC cita "otimização" do sistema como razão do encolhimento Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS / Agencia RBS

Quem for a parada de ônibus hoje, em Porto Alegre, tem 147 opções a menos para embarcar do que tinha em 2019. Isso em dias úteis — aos finais de semana e feriados, são 119 itinerários que deixaram de operar. O número, obtido com exclusividade pelo Diário Gaúcho junto à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), representa a diferença de linhas que eram operadas na cidade em agosto de 2019 (371 linhas) e no mesmo período deste ano (224 linhas). 

Leia mais
Desafio é garantir que o fim da Carris não seja em vão, apontam especialistas
Prefeituras da repassaram mais de R$ 75 milhões ao transporte público na pandemia
Porto Alegre segue tendência ao extinguir cobradores dos ônibus

A empresa ressalta, entretanto, que isso não significa que todos estes itinerários deixaram de atender. Na verdade, a administração tem adotado o termo "otimização". A ideia é unificar linhas que se sobrepõem ou têm o mesmo destino, mas também aquelas afetadas pela redução de passageiros causada durante a pandemia.

— Hoje, temos pouco mais de 50% dos passageiros que tínhamos antes da pandemia. Unificamos linhas para conseguir manter a frequência das viagens e atender mais usuários. O sistema precisa ser otimizado para seguir funcionando — pontua Flávio Tumelero, gerente de planejamento da Operação de Transportes Públicos da EPTC.

Queda

Conforme os dados da empresa pública, a média de passageiros transportados por dia útil em agosto foi de 493.908 — antes da pandemia, eram 836.441, redução de 40,9%. Por isso, manter todas as linhas ativas deixaria a operação inviável, quando se trata dos custos. O transporte público já opera de maneira deficitária há algum tempo, pois a queda de passageiros era algo que existia antes da pandemia e se acentuou com ela. 

A demanda, claro, tem se adequado à nova realidade, mas Porto Alegre — e várias outras cidades do Brasil e do mundo — se preparam para que mesmo no "novo normal" a demanda se estabeleça em cerca de 80% do que era antes da pandemia, como projeta Flávio. 

Novos modelos de trabalho, educação e até mesmo de atendimentos médicos vão tornando os trajetos pela cidade mais reduzidos. Ainda assim, haverá sempre uma massa que precisa ir do ponto A ao ponto B, principalmente, em horários de pico.

— Essa redução de 20% em relação ao pré-pandemia precisa ser vista no sistema, principalmente, em redução de quilometragem. Por isso, linhas unificadas podem levar mais usuários, com mais viagens e manter um tempo aceitável de espera para o usuário. Se todas as linhas seguissem operando, não haveria ônibus suficientes, aumentando a espera entre uma viagem e outra, o que é pouco atrativo para o usuário — contextualiza Flávio.

Rubem Berta

Um exemplo de unificação são as linhas 493/Jardim Ypu e 494/Rubem Berta. Os itinerários partiam dos bairros que dão nome às linhas, ingressavam na Avenida Protásio Alves e por ela seguiam até o Centro Histórico. É o chamado sistema radial, como define a EPTC. Em Porto Alegre, cerca de 80% das linhas têm essa característica: partem de um bairro, acessam uma via radial (Protásio, Ipiranga, Assis Brasil, por exemplo) e vão em direção à região central. 

No caso das linhas do Ypu e Rubem Berta, o trajeto foi unificado. Agora, o ônibus sai do bairro Rubem Berta e, ao invés de ir diretamente ao Centro, passa também pelo bairro Ypu. A linha 494 ainda existe, mas apenas com alguns horários no início da manhã. Já a 493 deixou de atender, somente integrada com o outro trajeto, que deu origem à linha 494.4/Rubem Berta-Jardim Ypu. 

Apesar de ser uma solução para a EPTC, as integrações aumentam o tempo total de viagem, ainda mais para quem parte dos extremos do itinerário. Por isso, as medidas dividem usuários. O vereador Matheus Gomes (Psol), é um dos críticos às mudanças no sistema de transporte da Capital:

— Fazer as pessoas ficarem ainda mais tempo dentro dos ônibus torna o sistema menos atrativo, além de dar margem para os aplicativos de transporte. É necessário priorizar o transporte público coletivo de qualidade, começando pela retomada no número de usuários.

Concessão segue sob debate

Depois de dois acordos de conciliação firmados entre prefeitura e empresários, que resultaram, entre outras medidas, no repasse de R$ 57,6 milhões para as empresas que operam na cidade, outro ponto segue em discussão. É o contrato de concessão do sistema de transporte, assinado em 2016. A licitação prometeu várias mudanças para o transporte da Capital, como renovação de frota e ar-condicionado em 100% dos veículos até 2026. Mas isso parece cada vez mais distante de ser concretizado. Esses e outros pontos da licitação estão sob discussão da prefeitura e dos empresários do setor. Eles precisam entrar em acordo e apresentar à Justiça uma proposta para ser homologada. 

— Ainda não temos como adiantar que pontos serão alterados, porque não se fechou um acordo sobre isso — diz Flávio, evitando comentar as possíveis mudanças no sistema.

Cadê o ônibus?

/// A EPTC orienta que os usuários confiram a relação de linhas atualizadas no site da prefeitura.

/// Também é possível acompanhar os ônibus por meio de GPS no aplicativo Cittamobi, disponível nas lojas App Store e Google Play.

Leia mais notícias do Diário Gaúcho

 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
Imprimir
clicRBS
Nova busca - outros