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Produtos básicos10/11/2021 | 05h00Atualizada em 10/11/2021 | 05h00

Cesta básica acumula alta de 12,25% em 2021, na Capital

Dados do Dieese mostram que entre janeiro e outubro, conjunto de alimentos saltou 12,25%, chegando quase aos R$ 700, a terceira cesta básica mais cara do país

Cesta básica acumula alta de 12,25% em 2021, na Capital André Ávila / Agencia RBS/Agencia RBS
Batata apresentou a maior alta entre setembro e outubro, 22,68% Foto: André Ávila / Agencia RBS / Agencia RBS

Menos purê de batata, pouca salada de tomate, café em menor quantidade e com pouco açúcar. Esse é o resumo da conta para quem depende de alimentos básicos. Os quatro itens representam as maiores altas na cesta básica de Porto Alegre, na comparação entre setembro e outubro. Os dados constam no levantamento mensal do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado no início do mês.

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A batata saltou 22,68%, seguida de perto pelo tomate, com alta de 16,49%. Depois aparecem o café (4,18%) e o açúcar (3,84%). Entre estes itens, a batata é a única que vem de uma recuperação de preço, ainda acumula -5,25% de desvalorização, olhando para todo o 2021. Os demais itens têm alta significativa acumulada neste ano — 61,16% do tomate, 56,32% do açúcar e 37,70% do café. 

A cesta em sua totalidade também já acumula alta de 12,25% desde janeiro. Entre setembro e outubro, a elevação foi de 2,78%. Com isso, segundo o Dieese, o acumulado dos 13 alimentos considerados essenciais para subsistência de uma família brasileira está custando R$ 691,08. O valor equivale a 67,92% do salário mínimo nacional, de R$ 1.100. Uma projeção do Dieese aponta que o salário mínimo necessário no país deveria estar em R$ 5.886,50, mais de cinco vezes o patamar real. 

Ainda assim, a Capital perdeu o indigesto posto de cesta básica mais cara do país, ocupado algumas vezes em 2021. O primeiro lugar está com Florianópolis (R$ 700,69). Depois aparece São Paulo (R$ 693,79). Porto Alegre fica com o terceiro lugar entre as 17 capitais pesquisadas pelo departamento. O cesto mais barato é o de Aracaju (SE), custando R$ 464,17.

Inflação galopante

Outros itens de importância tiveram variações distintas entre setembro e outubro. O leite caiu 4,91% e o feijão 1,33%. O arroz, em compensação, subiu 1,10%, apesar da queda acumulada de 14,31% em 2021. O que ainda mais pesa no bolso e falta na mesa é a carne bovina. Normalmente, pelo custo, o alimento representa a maior fatia em gasto na cesta básica. Mas, com os meses de inflação galopante e redução de renda, o alimento deixou a mesa dos mais pobres. E ainda parece distante de retornar, com a estabilização do produto em um alto patamar de valor. Só neste ano, a carne acumula alta de 16,70% — contando os últimos 12 meses, esse número quase dobra, indo a 33,16%. 

Carne estabilizou, porém, nas alturas

No relatório atual, a carne bovina teve uma queda pouco de significativa de -0,09%, praticamente mantendo-se estável. Economista-chefe do Dieese no Rio Grande do Sul, Daniela Sandi confirma que há uma estabilização nos preços da carne. E com o elevado custo no qual o alimento está, o consumo fica em queda, pois as famílias mais pobres não conseguem ter acesso ao produto.

— E mesmo com o consumo (demanda) em queda no mercado interno, o preço (oferta) não se altera, pois o país exporta muito — compara Daniela.

O Brasil bateu recorde de exportações de carne bovina em setembro, com 187 mil toneladas vendidas para outros países, maior número de 2021, conforme a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Esse número até caiu bastante em outubro, quase pela metade, mas Daniela cita que muito da produção foi estocada em contêineres e frigoríficos.

Variações nas safras e custos de produção

Os três alimentos que puxaram a alta da cesta básica da Capital em outubro têm razões parecidas para aumentar de preço. Conforme a economista do Dieese-RS, no caso da batata, as geadas trouxeram perdas nas plantações e também houve aumento dos custos de produção, o que influenciou no preço. Enquanto isso, o tomate também foi afetado por temperaturas mais frias nos últimos meses, o que atrasou a maturação, reduzindo oferta. Houve o mesmo aumento dos custos de produção, com o dólar pressionando preços de insumos, combustíveis, etc., explica Daniela, além da redução da área plantada e produção.

— No caso do açúcar, a oferta foi reduzida devido ao clima seco e à entressafra no Norte e Nordeste. E com a elevação do valor do petróleo, estimula-se produção do etanol e o aumento das exportações. Fatores concomitantes para o aumento de preços — sintetiza a economista.


 
 
 
 
 
 
 
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