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Seu Problema é Nosso20/12/2021 | 10h50Atualizada em 20/12/2021 | 10h50

Pessoas com deficiência reclamam de falta de acessibilidade na Trensurb

Elevadores estragados e falta de rampas são alguns dos obstáculos enfrentados pelos usuários

Pessoas com deficiência reclamam de falta de acessibilidade na Trensurb Lauro Alves / Agencia RBS/Agencia RBS
Elisabete evita algumas estações devido à falta de acessibilidade Foto: Lauro Alves / Agencia RBS / Agencia RBS

Optar pelo trem como meio de transporte é desafiador para alguns usuários. Ao conviverem com a falta de equipamentos adequados nas estações e com a demora para serem atendidas por funcionários, pessoas com deficiência (PCDs) não se sentem acolhidas nos trens que atendem a Região Metropolitana de Porto Alegre. 

Cadeirante há 25 anos, a ambulante Elisabete Ramos Lima, 54 anos, frequentemente se desloca a Porto Alegre. Moradora do bairro Rio Branco, em Canoas, é na Capital que ela compra e vende seus produtos. Fazer o trajeto de trem seria sua a melhor opção, porém, nas estações, não encontra facilidades para se deslocar. 

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Elisabete comenta que os elevadores da Estação Mercado estão estragados há pelo menos três anos, desde antes da pandemia. No local, há dois aparelhos que deveriam facilitar o acesso de pessoas com dificuldade de locomoção às estações: o primeiro fica em frente ao Mercado Público, na Avenida Júlio de Castilhos, e o segundo fica dentro da estação, junto à plataforma de embarque, em um nível superior da estação. 

Outra usuária, a aposentada Valdenir Tolentino, 45 anos, conta que, na falta dos elevadores, para acessar a plataforma, usa as escadas rolantes, auxiliada por um funcionário da Trensurb. 

– Uma vez, uma das rodinhas de trás da minha antiga cadeira ficou presa na escada rolante. A escada agarrou a rodinha e quebrou-a. Fiquei com medo e, desde então, não me sinto segura. Sempre acho que vai acontecer de novo. É um risco para o cadeirante subir naquelas escadas – desabafa a aposentada, que mora em Eldorado do Sul e necessita, periodicamente, vir à Porto Alegre para consultas médicas. 

Espera 

Elisabete conta que o elevador da Estação Rodoviária, na entrada da Avenida Júlio de Castilhos, costuma apresentar problemas – e é o que mais usa. A ambulante explica que, quando o elevador está estragado, acaba descendo na plataforma Farrapos para, em seguida, pegar um ônibus que a deixe no centro de Porto Alegre. 

Não são todas as estações que possuem elevadores. Onde não há, são utilizadas garaventas – estrutura que faz o deslocamento de cadeirantes pelas escadas. Na Rodoviária, o equipamento é alternativa para os momentos em que o elevador não pode ser utilizado. Porém, a ambulante fala que nem sempre se sente confortável nele, Certa vez, conta, a funcionária da Trensurb que a auxiliava se desequilibrou enquanto manuseava o equipamento, e elas quase sofreram um acidente. 

As usuárias relatam, ainda, que o tempo de espera por auxílio dos funcionários pode ser longo, às vezes. A aposentada fala que, na estação Niterói, onde não há elevadores, já precisou aguardar meia hora até alguém ajudá-la a subir pelas escadas rolantes. 

– Eu só estou sentada em uma cadeira de rodas, mas tenho uma vida. E tem muitos cadeirantes que evitam sair de casa por essas dificuldades (de acessibilidade). Eu não aceito isso – pontua Elisabete. 

Prejuízo para a autonomia

Já dentro das estações, quando precisam acessar os trens, outra demanda que as usuárias cobram é a falta de rampas que facilitem a entrada nos vagões. É que, devido ao vão que fica entre o trem e a plataforma, não conseguem acessar o trem sozinhas, e precisam de alguém que erga a cadeira. 

Além do prejuízo de autonomia, Elisabete e Valdenir apontam o perigo de suas cadeiras serem danificadas. 

– Fica um vão que atrapalha a entrada. Como, geralmente, eles têm que levantar a cadeira, isso pode causar um problema. No meu caso, que hoje tenho uma cadeira motorizada, a bateria ou o motor podem bater e ser danificados – fala a aposentada. 

Já Elisabete, comenta que, mesmo quando há um funcionário para ajudá-la, devido ao seu peso, é comum ter que pedir auxílio também a outros passageiros para poder entrar ou sair dos trens. 

Elas defendem que, se houvessem rampas móveis disponíveis nas estações, manteriam a sua autonomia.

Empresa projeta melhorias

A Trensurb explica, em nota, que os elevadores da Estação Mercado estão fora de uso devido à falta de empresas interessadas em concorrer à licitação para realizar os serviços de manutenção preventiva e corretiva. Em razão disso, estão projetando a substituição por modelos de elevadores convencionais.  

Já o equipamento da Estação Rodoviária, na estrada pela Avenida Júlio de Castilhos, costuma ser afetado por alagamentos em seu poço, precisando ser desativado momentaneamente. A nota diz que “a empresa está trabalhando para buscar uma solução para esse problema”. 

Destaca, ainda, que estão em curso obras de modernização e acessibilidade em 12 estações, que preveem reforma e construção de sanitários, instalação de piso podotátil e elevadores, além de outras melhorias. 

Também já está em andamento um processo de aquisição e teste de rampas móveis, “para auxiliar o embarque e desembarque de pessoas com deficiência nos trens”, assegura a empresa.

Produção: Émerson Santos


 
 
 
 
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