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Seu Problema é Nosso25/01/2022 | 10h57Atualizada em 25/01/2022 | 10h57

CooperCultura prepara inauguração de sua sede e São Leopoldo ganha novo espaço cultural

Por meio de oficinas de arte, há 10 anos cooperativa busca promover a capacitação e profissionalização de crianças e adolescentes

CooperCultura prepara inauguração de sua sede e São Leopoldo ganha novo espaço cultural Mateus Bruxel / Agencia RBS/Agencia RBS
Com arte, José (D) e Nelci (E) querem transformar a realidade de moradores da comunidade de Vicentina Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS / Agencia RBS

Há cerca de uma década, os integrantes da Cooperativa Popular Cultural, a CooperCultura, buscam fazer das artes uma ferramenta de transformação social. Ao oferecer oficinas de música, dança e eventos culturais para crianças e adolescentes do bairro Vicentina, em São Leopoldo, o projeto objetiva profissionalizar seus alunos e auxiliá-los em suas trajetórias artísticas. 

Para ampliar a atuação da organização, hoje se preparam para a realização de um sonho antigo: a inauguração de uma sede própria. E isso só se tornou possível graças à solidariedade de pessoas que, por meio de doações, contribuíram para a conclusão das obras de reforma do espaço. 

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Ao procurar por um local apropriado para suas oficinas, antes de ter a sede, há alguns anos a cooperativa chegou a alugar uma casa por seis meses. Mas, sem condições financeiras para manter o local, os ensaios passaram a ocorrer nas residências dos integrantes do projeto. Assim, o foco se tornou encontrar um espaço próprio. 

José Leopoldo da Rosa, 60 anos, um dos idealizadores, conta que, por meio de um líder comunitário da região, a CooperCultura soube da existência de uma casa abandonada no bairro. Ao buscar informações, descobriram que pertencia ao município. Decidiram, então, apresentar o plano de construção da sede para a prefeitura e, em 2019, receberam a liberação para utilizar o espaço. O terreno foi cedido para a cooperativa por dez anos. 

Doações 

Em 2020, começaram a reforma do local, com planos de organizar eventos para arrecadar o valor que necessitariam para as obras. Mas a pandemia impediu que isso acontecesse. Foi somente no começo de 2021, quando receberam recursos da Lei Aldir Blanc, que conseguiram instalar água e luz no imóvel, além de fazer outros reparos. Mas a verba não foi suficiente para concluir a obra. 

Ainda no ano passado, em duas reportagens, o Diário Gaúcho tratou sobre os esforços dos integrantes da cooperativa em levantar o valor para a finalização da reforma. E, graças às doações que receberam de pessoas que decidiram apoiar o grupo, ajudando com quantias em dinheiro e com a compra de materiais de construção, conseguiram dar andamento. Hoje, faltando apenas o acabamento de uma das salas, já projetam a inauguração do centro cultural para os próximos meses.  

Sonhos

Em março de 2020, as atividades do projeto foram interrompidas, sendo retomadas apenas em agosto do ano passado. Hoje, são realizados ensaios aos sábados com os alunos que integram a orquestra da CooperCultura. Com previsão de inauguração para abril, a sede passará a atender mais participantes. A partir de uma parceria com a Secretaria de Educação de São Leopoldo, o projeto ofertará turmas pela manhã e à tarde, com duração de uma hora e meia, para estudantes de escolas da cidade. No futuro, querem ampliar os serviços para jovens e adultos da comunidade. 

Carla Rosa, 26 anos, foi aluna da CooperCultura e hoje é pedagoga e presidente da cooperativa. Ela celebra a nova etapa que o grupo inicia com a conclusão das obras da sede, pois vê no projeto uma porta para a realização de sonhos. 

– Precisamos que alguém acredite em nós para que possamos aprender a acreditar em nós mesmos. A periferia tem muitos sonhos, e precisa que eles sejam descobertos e trazidos para a realidade. E a cultura nos abre portas para isso – comenta. 

“Arte é uma forma de enfrentamento à violência”, diz idealizador

Agora, o desejo dos integrantes do grupo é investir mais fortemente na profissionalização dos alunos. Desde o início, o objetivo era construir um empreendimento com as características de uma empresa, para qualificar os músicos em formação. Ajudá-los a ter remuneração para que não necessitem abandonar a arte, como costuma ocorrer com os jovens que, quando adultos, precisam buscar outros empregos para ajudar as famílias. Por isso, José fala que o projeto quer encontrar financiadores que os auxiliem a pagar bolsas para os alunos desde o momento em que ingressam na iniciativa. Além disso, pretendem investir em produção cultural para administrar os grupos que se formam.

O comerciante Nelci Dias de Menezes, 53 anos, além de ser pai de uma das alunas, auxilia na organização das atividades da cooperativa. Ele atua ali por acreditar que o trabalho social e o acesso à cultura colaboram para que os jovens tenham um futuro distante da violência e do crime. 

A própria trajetória de vida de José foi transformada pela arte. Na infância, trabalhava com reciclagem e, aos 11 anos, achou uma flauta em bom estado no lixo que catava. Foi ali que sentiu despertar o gosto pela música. Sozinho, aprendeu a tocar o instrumento e, com o tempo, foi se aprimorando. Hoje conseguiu ingressar em uma formação voltada à área. Ele estuda licenciatura em Música. 

Sobre sua história, é firme ao falar que não se trata de meritocracia, mas, sim, de se ter acessos. 

– Foi a oportunidade. Encontrar aquele instrumento me deu a oportunidade de aprender. Mas essa inteligência pode ser utilizada para aprender a arrombar um carro ou para tocar um violino. É preciso que tenhamos oportunidades para direcionar isso. E arte é uma forma de enfrentamento à violência – finaliza.

Produção: Émerson Santos 


 
 
 
 
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