Medição aponta mar gaúcho mais gelado que a média nesse fim de semana; entenda os motivos - Notícias

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Refrescante (até demais)16/01/2022 | 21h42Atualizada em 16/01/2022 | 21h42

Medição aponta mar gaúcho mais gelado que a média nesse fim de semana; entenda os motivos

Menos banhistas têm se arriscado no mar, segundo guarda-vidas, o que reflete em uma redução nos salvamentos

Medição aponta mar gaúcho mais gelado que a média nesse fim de semana; entenda os motivos Anselmo Cunha / Agência RBS/Agência RBS
Banhistas que arriscam mergulho no mar encontram água mais gelada do que nos últimos anos Foto: Anselmo Cunha / Agência RBS / Agência RBS

O petroleiro aposentado Sebastião dos Santos Maia, 65 anos, tem na memória a última viagem que realizou antes da pandemia de coronavírus força-lo a ficar em isolamento social. Há dois anos, esteve em Torres. Relembra, saudosista, de ter tomado um banho morno em meio às ondas do balneário mais ao norte do Estado.

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—  Hoje tá bem mais gelado, né?  — comenta, um pouco decepcionado.

A lembrança afetiva não tem fundamento científico, mas a percepção de que a água está mais fria do que o normal bate com o monitoramento do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar). Medição realizada pela Doutora em oceanografia física, química e geológica, Cacinele Mariana da Rocha apontou 21 graus no oceano, em Imbé. A aferição foi realizada na manhã deste sábado (15).

Segundo a especialista, apesar de variável, a média costuma ficar entre 23 e 24 graus, chegando a picos de 25 graus no período atual.

— Fria assim o meu guri não quer entrar - complementa o aposentado, arrepiado após um caldo na praia da Guarita.

Química no Ceclimar, Cacinele aponta uma série de possibilidades para o oceano ter perdido o calor de outrora: entre os mais sensíveis ao público, estão as noites frias e brisa intensa geradas pelo fenômeno La Niña.

— A temperatura atmosférica está mais baixa em alguns momentos, como no início da manhã e final da tarde, e assim o oceano perde temperatura gradual à noite. Quando tem vento também a pessoa sente mais frio ao sair da água, mesmo não sendo uma atribuição da água nesse caso — explica.

A costa do Rio Grande do Sul é definida como uma "zona de convergência", abastecida por duas correntes marítimas: as descargas subterrâneas das Malvinas, que vêm do sul e carrega água fria, e a Corrente do Brasil, com água de temperatura superior - esta, destaque no mar gaúcho nos últimos dias de 2021, com predominância de uma bacia morna e de tons cristalinos.

Mas o turista que fugiu do mergulho gélido poderá ser recompensado por uma mudança repentina.

— A Corrente do Brasil, na virada do ano, teve mais força e agora isso acabou se invertendo. Mas também pode mudar repentinamente, pois é assim, bem dinânico — complementa a pesquisadora do Ceclimar.

Menos banhistas

Percepção é de que menos pessoas estão entrando no marFoto: Anselmo Cunha / Agência RBS

Os guarda-vidas dizem sentir o efeito do mar menos atrativo, nas primeiras duas semanas de 2022.

— Percebemos a água mais gelada do que o habitual. E durante a semana, principalmente, é perceptível também a redução dos banhistas, principalmente de crianças — informa o Tenente Coronel Isandre Antunes, Chefe de operações do Comando de Bombeiros Militares do Estado (CBMRS).

Em Torres, Tramandaí, Imbé, Cidreira e Quintão, nenhum afogamento que necessitasse de socorro foi registrado na sexta-feira (14) e no sábado (15). As queimaduras por águas-vivas também têm sido menos frequentes na semana atual, de acordo com o comandante.

— Os últimos dias tiveram redução nas lesões, apesar de um aumento desde o início da Operação Verão, em comparação com a do ano passado — alerta, a fim de evitar uma exposição descuidada do público.

Com o resfriamento do oceano, o ambiente se torna mais favorável à ocorrência da "Medusa-Mármore", água-viva com menos potencial de causar problemas aos banhistas, segundo a professora do curso de Biologia Marinha da Ufrgs, Carla Penna Ozorio.

— A sorte é que a toxina que ela tem, no geral, não causa uma lesão tão perigosa quanto a caravela, e outras águas-vivas de água mais quente — compara.

A bióloga vai ao encontro da tese dos guarda-vidas, de que o mar frio possa ter impacto no número de pessoas queimadas pelos invertebrados. Contudo, reitera o mesmo alerta de outros especialistas.

— Acho bem razoável esta hipótese, lembrando que o sistema marinho costeiro do RS é bem dinâmico e pode mudar a qualquer momento. Novos ingressos de águas quentes poderão ocorrer, trazendo para o litoral norte novamente as espécies de cnidários que causam os acidentes - prevê.

Com a coragem dos seus oito anos de idade, Manuela Ribeiro Vieira decidiu encarar a água de qualquer forma.

— Tá um pouco gelada. Mas tá bom — diz, pouco preocupada.

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