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Contra a covid-1917/02/2022 | 22h06Atualizada em 18/02/2022 | 08h41

Após quase um mês, cobertura vacinal infantil é de 26,9% no RS; Estado alerta para baixa adesão

Dia C de vacinação ocorre neste sábado para expandir a aplicação da primeira dose em crianças entre cinco e 11 anos

Após quase um mês, cobertura vacinal infantil é de 26,9% no RS; Estado alerta para baixa adesão Mateus Bruxel / Agencia RBS/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS / Agencia RBS

Quase um mês após o início da imunização de crianças contra a covid-19 no Rio Grande do Sul, a cobertura vacinal da faixa etária de cinco a 11 anos é de somente 26,9%. O dado foi apresentado pelo governo do Estado durante uma transmissão ao vivo realizada na tarde desta quinta-feira (17). Além de alertar sobre a baixa adesão, o evento destacou o Dia C de vacinação infantil, que ocorre no sábado (19) em todos os municípios gaúchos. 

O material divulgado durante a transmissão aponta que, até esta quinta, 259.304 doses haviam sido aplicadas em crianças entre cinco e 11 anos. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), a população nesta faixa etária é de 964.273. Já foram distribuídas aos municípios 875.893 doses de vacina, que atendem cerca de 90% do público-alvo. Entre as regiões covid-19 do Estado, a cobertura vacinal das crianças varia entre 34,8% (região de Porto Alegre) e 8,1% (região de Bagé). 

Em sua fala, o governador Eduardo Leite ressaltou a importância do Dia C, que foi estabelecido para tentar contornar a baixa adesão no Rio Grande do Sul, especialmente em função da volta às aulas presenciais. Segundo ele, as ações estarão espalhadas por todas as cidades do Estado e cada município tem uma estratégia própria: 

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— As prefeituras são um ponto importante desse processo para que a gente consiga levar a vacina para todas as crianças. Isso diz respeito a todos nós, porque a vacinação é uma ação individual, mas o efeito é coletivo. 

Leite também chamou a atenção para o crescente número de crianças infectadas e internadas em leitos clínicos e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátricos devido à doença. Dados apresentados pela chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica (DVE) do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Tani Maria Schilling Ranieri Muratore, mostraram uma tendência de aumento no percentual de casos neste público, considerando o total notificado no Estado durante todo o período de pandemia. 

Em março de 2020, as crianças representavam menos de 2% do total de pessoas com covid-19 naquele momento. Neste mês, elas somam mais de 6%. Para Tani, é provável que este aumento esteja associado à circulação da variante Ômicron do coronavírus. Outro gráfico apontou que as faixas etárias de zero a 11 anos e de 12 a 19 anos passaram a representar uma proporção maior das hospitalizações por covid em 2022 (6%), quando comparado aos anos anteriores da pandemia. 

— As crianças são vetores e transmissores do coronavírus para todas as demais faixas etárias. E o que estamos observando neste momento é um maior adoecimento e uma maior gravidade entre os casos, inclusive com registros de óbitos. Nós temos, no período de 2022, seis óbitos já registrados em crianças, comparado com o período anterior de toda a pandemia, onde tínhamos o registro de 31 mortes — disse a chefe da DVE.  

Durante a transmissão, o governo estadual também lançou uma campanha em vídeo, com o tema “coragem no braço, amor no peito”, com o objetivo de mobilizar as crianças e sensibilizar os pais e responsáveis. 

Medidas para ampliar a vacinação 

Além do Dia C, a secretária adjunta da Saúde, Ana Costa, afirmou que o Rio Grande do Sul tem trabalhado junto com os municípios para diminuir "toda e qualquer barreira” no processo de vacinação das crianças. Entre as medidas para ampliar o acesso aos imunizantes, ela citou a facilitação de horários, a organização de mais pontos de aplicação de doses e a redução da exigência de agendamentos. 

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A secretária adjunta também destacou que o governo tem incentivado as chamadas ações extramuros, que saem da rotina da vacinação em unidades de saúde, e o alinhamento com as escolas para criar estratégias — que podem variar de acordo com cada município. Segundo Ana, é esperado que, com o início das aulas, ocorra um debate maior sobre o assunto, a fim de sensibilizar as famílias para que todas as crianças sejam imunizadas. 

— Temos incentivado ações locais que envolvam, tranquilizem os pais e diminuam as barreiras de vacinação. Estamos contando com a criatividade dos municípios que tem sido realmente muito efetiva. Esperamos que isso consiga mobilizar cada vez mais e que sejamos recordistas em vacinação, como fomos durante toda a pandemia na vacinação dos adultos — pontuou. 

Em relação às campanhas contra as vacinas, Tani Maria Schilling Ranieri Muratore salientou que não é possível mensurar seus impactos na adesão, mas que, sem dúvidas, esse grupo de pessoas que não acredita na eficácia e na segurança dos imunizantes pode estar contribuindo e influenciando pais e responsáveis para que não levem seus filhos aos postos. 

— As vacinas têm evidências científicas comprovadas e seguras. Não há relatos de eventos graves que tenham uma relação causal com as aplicações. Queremos desmistificar essas possíveis informações contrárias à vacinação — concluiu. 

 
 
 
 
 
 
 
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