Edital oferece R$ 150 mil para artesãs negras - Notícias

Versão mobile

 
 

Porto Alegre14/05/2022 | 05h00Atualizada em 14/05/2022 | 05h00

Edital oferece R$ 150 mil para artesãs negras

Entre as inscritas, 30 mulheres serão selecionadas e receberão R$ 5 mil cada; inscrições vão até 10 de junho

Edital oferece R$ 150 mil para artesãs negras Lauro Alves / Agencia RBS/Agencia RBS
A professora e produtora cultural Tainã Rosa foi a primeira a se inscrever para participar do concurso Foto: Lauro Alves / Agencia RBS / Agencia RBS

Um edital voltado à valorização do empreendimento de artesãs negras está com inscrições abertas em Porto Alegre. Ao todo, 30 mulheres serão selecionadas. Cada uma receberá R$ 5 mil, valor que deve ser destinado, por exemplo, à compra de materiais e de itens de mobília para o ateliê ou ao pagamento de cursos, taxas de empresa própria ou serviços de comunicação digital. O prazo para inscrição é 10 de junho. 

— Pretendemos melhorar a vida dessas artesãs e impulsionar as artes delas. Quem sabe, dali, algumas já conseguem empreender numa maior escala, conseguem realizar um sonho de comprar ferramentas que antes não podiam ser atingidas — destaca Miguel Sisto, coordenador do Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural (Fumproarte), setor da Secretaria Municipal da Cultura por meio do qual o concurso está ocorrendo.

A ideia é que, no segundo semestre, uma feira de artesanato ocorra na Casa de Cultura Plauto Cruz, mostrando os resultados deste edital, adianta Sisto. 

LEIA MAIS
Viamão inspira estampa de chinelos
Centro religioso adota rótula em Porto Alegre e faz homenagem a Xangô no local
Projeto promove práticas esportivas e de integração social para crianças e adolescentes 

A seleção 

No ato da inscrição (saiba mais abaixo), a interessada deve indicar como os R$ 5 mil poderiam auxiliar em seu empreendimento. Ao todo, o edital oferece R$ 150 mil, investimento feito pelo Grupo Carrefour Brasil, que acompanhou a elaboração do concurso.

— O objetivo principal é fomentar e dar visibilidade para esse grupo de profissionais e que possamos, de alguma maneira, estimular também que outras empresas façam investimentos nesses grupos — pontua Lucio Vicente, diretor de Sustentabilidade da empresa.

Como esclarece o coordenador do Fumproarte, a escolha das 30 artesãs fica a cargo da comissão de avaliação e seleção do fundo, que tem membros da sociedade civil e da Secretaria Municipal da Cultura. O tempo de atuação e a trajetória da artesã, a capacidade de o projeto ser executado e o mérito do trabalho da inscrita são critérios a serem avaliados, de acordo com o edital. A previsão é de que o resultado saia em 25 de junho.

A professora e produtora cultural Tainã Rosa, 26 anos, e a artesã e estudante de Artes Visuais Cristina Pinheiro Rodrigues, 48 anos, foram as duas primeiras a se inscrever. Conheça, abaixo, as histórias delas.

Bonecas negras

Atuante em produções culturais que integram artes visuais, literatura e relações étnico-raciais, Tainã explica que cresceu com "uma via cultural bem forte". Inspirada pela família e motivada pela questão da representatividade, há cerca de 10 anos, ela começou a fazer bonecas negras de pano — na época, apenas para usar nas aulas.

— As mulheres da minha família são contadoras de história e aí, a partir das contações de histórias, é que eu comecei a fazer as bonecas.

Em 2020, Tainã foi premiada em um edital da Fundação Cultural Palmares pela criação de uma coleção de seis bonecas de personalidades femininas negras da história do Brasil. E em 2021, iniciou o projeto Panô de Histórias Ujamaa, para ensinar principalmente mulheres a aprenderem a fazer as peças. Essa iniciativa, em 2022, está em sua terceira edição.

De matriz afro

Foi por volta dos 21 anos que Cristina deu uma virada na sua vida: saiu da função de auxiliar de enfermagem e passou a dedicar seu tempo ao artesanato. A inspiração veio da avó, que também era artesã.

O trabalho de Cristina tem como tema principal a religião, em especial as de matriz afro. E sua trajetória se relaciona a isso, já que começou confeccionando fios de contas para si própria e, aos poucos, viu pessoas se interessando em comprar as peças. Depois, passou a explorar também a pintura em esculturas de gesso e em tecido — momento em que decidiu dar "mais um mergulho", como descreve, aprendendo costura. 

— Resgatamos a nossa cultura através da arte, da pintura, do artesanato. Uma peça que pintamos caracterizada é uma peça que tem para nós um valor cultural — ressalta Cristina.

Como concorrer

/// A interessada deve entrar no site do Fumproarte e preencher o formulário disponível para o Edital de Valorização do Empreendimento da Artesã Negra

/// É possível se inscrever de forma escrita ou por vídeo, respondendo às perguntas do formulário

/// Quem não tiver acesso à internet pode utilizar os computadores da Casa de Cultura Plauto Cruz (Avenida Venâncio Aires, 67, no bairro Cidade Baixa) e contar com a ajuda dos servidores da secretaria

/// Dúvidas podem ser tiradas presencialmente, pelos telefones (51) 3289-8170 e (51) 3289-8171 ou pelo e-mail fumproarte@portoalegre.rs.gov.br

Produção: Isadora Garcia

 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros