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Aquecendo pés e coração07/07/2022 | 05h00Atualizada em 07/07/2022 | 05h00

Professora inicia mobilização por meio de rede social e cria banco de calçados em escola de Gravataí

Entrega da maior parte dos pares ocorreu na metade de junho em um sarau que inaugurou a iniciativa

Professora inicia mobilização por meio de rede social e cria banco de calçados em escola de Gravataí Lauro Alves / Agencia RBS/Agencia RBS
Najla Diniz comprou a primeira leva com dinheiro arrecadado junto a usuários do Twitter. Hoje, o banco vive de doações Foto: Lauro Alves / Agencia RBS / Agencia RBS

Um garoto usando chinelo de dedos no frio do início de junho. A combinação chamou a atenção da professora Najla Diniz, 45 anos, em uma das suas aulas na Escola Municipal Mario Quintana, em Gravataí.

— Eu me dei conta que, de repente, ele não tinha um calçado, porque 7ºC, ele de chinelo de dedo, o pezinho roxo — lembra ela.

Ao conversar em particular com o menino, sentiu um certo constrangimento por parte dele diante da situação. Foi então que Najla teve a ideia de criar um banco de calçados em uma sala da escola, onde os estudantes poderiam ir para escolher o sapato que precisassem, sem ter de fazer isso na frente de colegas, por exemplo.

A cena descrita pela professora virou foto e foi parar em seu Twitter (confira abaixo), contando que compraria um calçado para o garoto. Dali em diante, repercutiu. Em pouco mais de uma semana, Najla conseguiu arrecadar R$ 2.840. As doações vieram de 57 pessoas, que doaram de R$ 5 a R$ 500, relata. Com o valor, foram comprados 23 pares de calçados novos e meias. Na escola, também foram recebidas doações de sapatos usados. E, em 15 de junho, foi feita a inauguração do banco, com a entrega da maior parte dos pares em um evento voltado ao afeto e à solidariedade.

Repercussão

A ideia do banco de calçados foi bem recebida pela equipe da escola. A diretora, Ana Beatriz Lima da Silveira, diz ter se surpreendido com a repercussão.

— Nós temos escolas muito carentes mesmo (em Gravataí). Acho que essa é uma iniciativa que todas as escolas deveriam fazer, porque teve um alcance que não imaginávamos. Foi uma coisa muito linda, muito emocionante.

A escola Mario Quintana atende a cerca de 280 alunos, da pré-escola ao 9° ano do Ensino Fundamental. Segundo Ana, o retorno da comunidade também foi positivo, com pessoas se colocando à disposição para ajudar. 

Hoje, os calçados ficam na sala da supervisão, disponíveis para estudantes da manhã, a partir do 6° ano. A professora Najla explica que a ideia é que todos os pares sejam distribuídos antes de o inverno acabar e que o espaço fique também à disposição dos pais, caso necessitem.

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Pensando no outro

Ao ver os calçados expostos durante o sarau, a aluna Kauana Alessandra Oliveira Calheiro, 16 anos, decidiu fazer diferente:

— Eu não vi nada para mim não porque eu não quis, queria deixar para as pessoas que mais precisavam. Mas eu vi sapatos pequenos que cabiam na minha afilhada.

A jovem conseguiu dois pares para a menina, que até então tinha apenas um. A mãe de Kauana, a promotora de vendas Cristiane Garcia de Oliveira, 46 anos, elogia a proposta da escola e também a atitude da filha.

— Ela teve a necessidade de fazer, de pegar o calçado e dar para quem não tem. Eu achei muito importante da parte dela — comenta.

Para se aquecer

Durante o evento, onde estiveram alunos do 5° ao 9° ano, também houve leitura de poesias, música e uma bebida especial.

Três panelões de chocolate quente foram servidos aos estudantes. Por trás desse preparo, estava uma família que se engajou na proposta.

— Lembramos que criança adora chocolate e que seria incrível, além de poder fazer a doação dos calçados, dinheiro e tudo mais, levar um pouco de alegria para essas crianças através daquilo que sabemos fazer, que é a culinária — conta Vane Chaves, 41 anos, que é uma das sócias da loja O Artesão, de pizzas frescas.

Ela, o marido, que é chef e também sócio do estabelecimento, Leonardo Maia, e a filha, Pietra Ferreira da Silva, foram os responsáveis pela bebida. 

Por meio da loja, Vane doou dinheiro, ajudou na divulgação e comprou 80 meias-calças, produto que foi adquirido por um preço simbólico no comércio de uma amiga, que decidiu doar outras 10. Ao todo, então, foram 90 meias-calças. 

Vane já é conhecida da professora Najla e ficou sabendo da iniciativa da escola quando viu a foto publicada no Twitter, que a motivou a participar da arrecadação. Como destaca, às vezes um calçado esquecido em casa é "a diferença entre a escolha de uma criança poder ou não ir pra escola" — seja em um dia de chuva, seja diante do frio.

Gravatai, RS, BRASIL, 23/06/2022- Depois de ver um aluno de chinelo na aula em um dia frio, a professora Najla Diniz fez uma postagem no Twitter e começou uma mobilização. O resultado: vários pares de calçados novos e alguns doados foram entregues às crianças. Em uma sala, a escola montou um banco de calçados. Quando os estudantes precisam, podem ir ali conseguir pares para si ou para a família.  Na foto, a professora Najla Diniz, na Escola Mário Quintana.  na Foto: Lauro Alves  / Agencia RBS<!-- NICAID(15130667) -->
"Não queria que criança nenhuma passasse por isso, mas ao mesmo tempo é uma satisfação ver essa semente plantada", afirmaFoto: Lauro Alves / Agencia RBS

Como ajudar

/// Doações de calçados em bom estado, como tênis e botas, e meias são recebidas na própria escola, que fica na Rua Ângelo Couto, 151, na Morada do Vale III
/// As entregas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
/// O telefone para contato é (51) 3191-4955 

Produção: Isadora Garcia

 
 
 
 
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