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Música15/11/2016 | 12h02Atualizada em 15/11/2016 | 12h02

Sucesso nas duplas, estouro como quarteto

Chitãozinho & Xororó e Bruno & Marrone lançam projeto que une as duas duplas, matando a saudade dos fãs de hits dos anos 80,90 e 2000.

Em 46 anos de carreira, 37 milhões de álbuns vendidos por dois dos maiores nomes do sertanejo na história do Brasil. Estamos falando em Chitãozinho & Xororó. Já Bruno & Marrone têm 30 anos de estrada, 10 milhões de discos vendidos e representam uma geração um pouco mais recente que estourou no começo dos anos 2000, fincando sua música na história do gênero. Se estas duplas já eram boas, juntas, só podem ser melhores ainda!

O projeto Clássico traz aos palcos os sertanejos em quarteto. A ideia surgiu em 2013, na Festa do Peão de Barretos, em São Paulo e, agora, virou DVD percorrendo o país em shows especiais.A junção deu tão certo que as agendas das duplas ficarão de lado em 2017. Tudo, para cumprir os pedidos de shows no novo formato sem data para acabar.  

O quarteto em ação: Marrone, Chitãozinho, Xororó e Bruno Foto: Eduardo Romeiro / Divulgação

Começou o susto e deu muito certo

Leandro, Chitãozinho, Luciano, Xororó, Leonardo e Zezé di Camargo Foto: Reprodução / TV Globo/Divulgação

Desde os anos 90, quando o Brasil foi pego de surpresa com a união das três maiores duplas sertanejas do país na época - Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano -, que se tornou um especial de sucesso na programação de fim da ano da TV Globo e percorreu o país em shows, o meio sertanejo não se via sacudido por uma união de nomes tão fortes quanto Chitãozinho, 62 anos, & Xororó, 59, com Bruno, 47, & Marrone, 51.

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Eles lançaram, na semana passada, o CD (preço médio, R$ 20) e o DVD (R$ 30) Clássico. O projeto retoma sucessos das duas duplas em um formato semelhante ao que os seis amigos fizeram nos anos 90 - depois, a turma ficou em cinco com a morte de Leandro, em 1998. 

Sem ensaio

 Em momentos do show, Chitão & Xororó entoam juntos alguns de seus sucessos, como Evidências. Em outro, Bruno & Marrone soltam a voz nos seus hits, como Vidro Fumê. Em um terceiro, os quatro se juntam para cantar clássicos como Dormi na Praça e Ainda Ontem Chorei de Saudade, além de uma das faixas inéditas do CD, Você me Trocou.

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— As duas duplas foram contratadas para fazer show em Barretos, em 2013. Nós faríamos duas apresentações separadas. Mas, aí, nos falamos por telefone e pensamos em nos juntar os quatro no palco. Eu e Xororó já tivemos essa experiência antes com o projeto Amigos e foi muito bom. Não ensaiamos nada, tínhamos as duas bandas no palco. E funcionou super bem — conta Chitãozinho.

— A partir daí, recebemos muitos pedidos de empresários para vários shows, e a turnê começou — completa Bruno.

Tarefa difícil foi eliminar canções

Com um repertório de 28 canções, a missão não foi fácil na hora de compor a seleção.

— Complicado foi tirar músicas. São muitos sucessos, e deu trabalho! Mas acho que fomos felizes, pois o resultado ficou muito bom. Vendo o DVD, percebemos que a emoção que ele passa é a que sentimos no palco — comemora Marrone, satisfeito.

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Foto: Reprodução / Universal Music

Renovação

Com a repercussão positiva, segundo eles, junto aos contratantes, a carreira paralela das duplas terá de quase ficar de lado, devido aos pedidos dos shows para 2017. Além de cair no gosto dos fãs saudosistas dos hits dos anos 90 e 2000,o quarteto se mostrou antenado ao atual mercado, que sempre pede novidades.

— Temos muitos pedidos de shows e vamos continuar. Acaba que vamos ter mais shows os quatro juntos do que as duplas separadas! Hoje, as festas precisam inovar, e este projeto de nós quatro é o diferente. Então, tem funcionando muito — analisa Xororó.

Gás novo pra dar aquela sacudida

Xororó, com Dudu (de boné) e Bruno Foto: Reprodução / Facebook

Mesmo com algumas alfinetadas aos sertanejos mais novos, o quarteto chamou um Midas da produção no país. Dudu Borges trabalha com jovens como Luan Santana e Gusttavo Lima, só para citar duas referências.

O disco foi gravado em abril, no Espaço das Américas,em São Paulo, e teve o dedo de Dudu. Claro que o resultado final ficou uma espécie de megaprodução nostálgica, mas arejada, pois os arranjos se tornaram mais modernos, não dando a impressão, por exemplo, de que o clássico Fio de Cabelo tenha estourado 34 anos atrás.

"A gente mesmo não sabe o que o povo quer ouvir"

Foto: Rafael Cusatto / Divulgação

Diário Gaúcho — Em recente entrevista ao Diário Gaúcho, o cantor Daniel falou da dificuldade de acompanhar o ritmo dos sertanejos mais novos, que lançam música a toda hora. Vocês também sentem isso?

Xororó — Eu respeito a opinião do Daniel, um grande amigo com uma história linda. Mas a gente não se preocupa com as execuções na rádio. Quem tem história, uma carreira consolidada, não precisa ter esta preocupação.
Bruno — A gente continua no mercado fazendo esse mesmo trabalho que as duplas mais novas, só que com menos intensidade. Elas são uma loucura, não respeitam nem o limite de três meses de execução de uma música na rádio! É uma busca incessante.
Marrone — Gravam tanta m*... que têm que gravar uma atrás da outra.
Bruno — Eu vou até consertar o que o Marrone falou. Não é que grava m*... A gente mesmo não sabe o que o povo quer ouvir. Essa busca incessante de achar um sucesso é uma loucura. Eles acabam lançando muita coisa.
Chitãozinho — Sempre foi assim.A gente nunca sabe a canção que o público vai assimilar melhor e cantar. Não existe fórmula.

Diário — Qual é a diferença de trabalhar em seis, como no projeto Amigos, e em quatro, como agora, no Clássico? E como conciliam as diferenças?
Xororó — Trocamos mensagens e chegamos à conclusão: vamos escolher duas músicas de cada dupla. O Bruno está pensando muito nesse momento da execução de músicas comerciais. A gente já é mais focado no conteúdo, na melodia e na letra, para a canção não ser só de momento. E assim fizemos, respeitando o posicionamento e a intenção de cada um. O projeto foi criado para ser único. Para eu cantar uma música mais comercial, tenho que me sentir bem.
Bruno — Nós gostamos dessa coisa mais clássica também. Começamos cantando em barzinhos o que eles (Chitãozinho & Xororó) faziam. O mais complicado, para mim, foi tentar agradar a eles com o que nós fazemos dentro do universo desse sertanejo mais jovem. A gente procura sempre se reciclar e renovar o nosso público. E trouxemos isso para o show.

Diário — As músicas mais tocadas no Brasil, de acordo com a Crowley (que monitora a execução das canções), são sertanejas.
Xororó – O Brasil é um país rural. As pessoas que estão nas grandes capitais vieram do interior. Por isso, a música sertaneja fala tão diretamente. Quando se faz um trabalho de qualidade e com respeito, a música permanece na memória. Mas nem sempre foi assim. Música sertaneja não tocava em rádio FM nos anos 70 e 80. Naquela época, a americana dominava.

Diário — Que dicas dão aos cantores mais jovens?
Xororó —
É fundamental estar bem fisicamente!
Marrone — Eles precisam ter os pés no chão.

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