"Fui salvo por um milagre", diz Padre Marcelo Rossi, sobre empurrão que levou em missa - Entretenimento

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Musica e fé21/10/2019 | 18h44Atualizada em 21/10/2019 | 18h44

"Fui salvo por um milagre", diz Padre Marcelo Rossi, sobre empurrão que levou em missa

Religioso lançou música inspirada no acidente, que aconteceu durante uma missa, em julho

No dia 14 de julho deste ano, os brasileiros foram surpreendidos por uma cena surreal. Naquele dia, um dos padres mais populares do país, Marcelo Rossi, 52 anos, rezava uma missa em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, quando uma mulher driblou a segurança, invadiu o altar e o empurrou de cima do palco. Ele caiu de uma altura de cerca de um metro, na área que separava o palco das cadeiras onde estavam os fiéis. A mulher, que foi detida pela Polícia Militar, alegou sofrer de transtorno bipolar, foi ouvida na delegacia e solta. 

padre marcelo rossi, foto atualizada.
Padre lança faixa em parceria com Gusttavo LimaFoto: Divulgação / Divulgação

Pois o que aos olhos dos milhões de espectadores que assistiram ao vídeo no YouTube poderia ser uma quase tragédia, para o padre, foi um renascimento e o princípio de uma nova e mais iluminada fase em seu sacerdócio. Na semana passada, Marcelo, que já vendeu mais de 18 milhões de discos e mais de 16 milhões de livros, lançou uma canção inspirada naquele momento, Maria Passa à Frente, que integrará seu novo EP, que será lançado ainda neste ano, com participação especial de Gusttavo Lima. Nesta entrevista, o religioso relembra o momento, afirma que a intervenção de Maria o salvou e fala da parceria com o sertanejo. 

Como surgiu a inusitada ideia de gravar uma canção com Gusttavo Lima?

Primeiro, foi o empurrão. Dia 14 de julho, a data que eu chamo de Batismo de Fogo, eu nasci de novo. Nunca, na minha vida, vi algo assim, alguém ser empurrado daquela altura e nada acontecer. Confesso a você que, para mim, foi um momento que ficará marcado. Foi daí que surgiu a música. Agora, (a parceria com) o Gusttavo Lima... Olha como Deus foi lindo, eu nunca havia gravado com ele. A Sony (Music, gravadora do Padre e de Gusttavo) tinha pensado nele por saber que ele era católico, por toda a fé dele, o que é importante para mim. E ele aceitou e ficou divino. 

Eu vejo que fui salvo por um milagre e também vejo a intervenção de Maria. Nossa Senhora também passou na frente e tocou no coração do Gusttavo, para que ele cantasse como ele cantou. Vamos ser honestos. É fantástico. Eu gravei de um lado e ele de outro,  quem escuta pensa que nós estávamos juntos, mas nós não estávamos. Cada um (estava) em um lugar diferente. Eu coloquei minha voz, ele colocou a dele e o resultado foi esse. Faço questão de o encontrar ainda e dar um grande abraço. Aqui eu tenho certeza, mais uma vez, que é o toque da graça divina. 

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Como tens encarado a vida depois daquele empurrão que levaste durante uma missa?

Confesso a você que repensei muitas coisas depois daquele empurrão. Até agora, a ficha não caiu, ela ainda está caindo, porque se passaram só três meses. Quando eu encontro as pessoas é incrível, porque elas me perguntam como é que eu sobrevivi. Encontrei um bispo e ele, na hora, tocou em mim e perguntou se eu era de borracha. Lembrando que, depois, eu fui em um médico, passei pelo hospital, por uma tomografia, por todos os exames que você possa imaginar e, graças a Deus, eu não quebrei nada. E aqui está o milagre. Detalhe: sabe o que eles me receitaram? Arnica, um remédio natural, por causa das dores. 

Nunca senti uma dor como eu senti naquele dia. Demorei 10 minutos para me levantar. As pessoas achavam que eu estava desmaiado. Em 52 anos de vida, nunca tive uma dor como essa. Já quebrei duas vezes a perna, então, eu já sei (como é) a dor de quebrar alguma coisa. Se você olhar com calma o vídeo, eu parecia um boneco. Eu fui lançado, não sabia, fui pego totalmente de surpresa. Uma coisa impressionante era a força que ela tinha. A tendência é seus ossos ficarem mais frágeis com o avanço da idade. De fato, Maria passou à frente e pisou na cabeça da serpente. Quando eu subi no altar, eu estava com a Bíblia na mão. Primeiro, eu nem sabia quem tinha sido, mas eu dei o perdão. Minha perna ralou inteira, mas eu voltei para o altar sorrindo como eu nunca tinha sorrido antes, o Senhor me disse para fazer isso. Coitado do músico que estava do meu lado, o Dunga. Eu o abraçava, mas, às vezes, vinham aqueles espasmos da dor, devo ter enforcado muito o Dunga (risos). 

Graças a Deus, eu consegui ir até o final da missa. Volto a dizer que o milagre foi esse, de não ter acontecido nada comigo. Poderia ter batido a cabeça ou a coluna. Maria passou à frente e com certeza pisou na cabeça da serpente. 

Volta e meia, um assunto inevitável quando se fala no seu nome, é a depressão (em 2013, o religioso sofreu de depressão e anorexia, uma série de problemas decorrentes da fama, segundo ele.  Em 2017, em entrevista ao Diário Gaúcho, lembrou do tema). Como se encontra hoje? E como tem visto tantas campanhas falando sobre o assunto nos últimos tempos, alertando sobre o tema?

As pessoas falam "como alguém como o Padre Marcelo pode ter depressão, se é falta de fé". Pelo contrário, foi a fé que me salvou. É a importância da fé em um momento tão difícil. Venci a depressão pela oração. Eu posso dizer isso porque atendi várias pessoas com depressão e eu achava frescura, até eu passar por isso. Esse é o novo mal do milênio. Eu passei e posso dizer que não tem classe social, não tem raça e não tem idade. De crianças a idosos. Por diversos motivos. Hoje, eu sei a causa. Nós vivemos em um mundo de ansiedade. Acho que a grande causa (da depressão) são os transtornos de ansiedade. O que me salvou foi realmente a oração. 

Essa canção passa uma mensagem de otimismo, não é? Como foi esse período depois do empurrão. Imagino que tenha passado "um filme em sua cabeça", não?

Essa canção passa uma mensagem de otimismo, sim. Não passa um filme na minha cabeça, pois eu já sofri um acidente. (Em 1994) eu bati o carro, e nesse acidente, eu senti uma mão de Nossa Senhora. Para você ter uma ideia, naquela época, eu não usava cinto e eu tinha saído para comprar uma pizza, era pertinho de casa. Então, além de não ter aquela obrigação de usar cinto (o uso do cinto de segurança passou a ser obrigatório no Brasil três anos depois, em 1997), (a pizzaria) era tão perto que eu nem pensei em colocá-lo. Na volta, uma pessoa não me viu. Ao invés de eu frear, eu acelerei. Para você ter uma ideia, eu quebrei a direção na minha mão, imagina como foi a pancada. Quando eu acelerei, bati no poste. Naquele momento, sim, na minha cabeça, passou um um filme da minha vida. Mas eu senti uma mão de Nossa Senhora e o milagre de Deus. 



 
 
 
 
 
 
 
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