Verão



Menos barulho

Contra o som alto, prefeitura de Imbé fecha a orla para veículos aos finais de semana

Praia era point de pessoas vindas de outras praias para aproveitar a noite

15/01/2016 - 09h42min

Atualizada em: 15/01/2016 - 09h42min


Bruno Felin
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Os veranistas de Imbé tiveram um sossego nas últimas semanas. Depois de um começo de verão com muito agito, centenas de carros com som no talo e milhares de pessoas na Avenida Beira-Mar, como já era de costume, a prefeitura decidiu impor uma medida radical: nenhum carro passa pela orla à noite, às sextas-feiras e aos sábados.

Parece loucura, mas não é. Para que motoristas apaixonados pelo som extremo não perturbem a vizinhança e não estacionem no tradicional ponto próximo à barra do Rio Tramandaí para festas sem limites, a escolha foi banir os carros completamente, o que tornou o antigo ponto de festa um deserto.

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No último sábado, em plena temporada, caminhar pela Avenida Beira-Mar dava a sensação de que o verão era algo distante. Além do vento, que tornava a noite fria, poucos se aventuravam a caminhar pela rua vazia. O balneário se dividiu. Do Hotel Samburá, acompanhando a barra do rio, para o lado de dentro do município, quiosques, bares e restaurantes mantinham a cidade viva. Para o outro lado, seguindo pela beira da praia, uma orla fantasma.

Hotel quase fechou devido a reservas canceladas

De acordo com a prefeitura, a medida foi tomada após um grupo de mais de 50 moradores se organizarem e exigirem alguma mudança. O problema do som alto é recorrente em Imbé. Por concentrar mais baladas do que os balneários vizinhos, a praia virou um point para quem gosta de parar o carro, aumentar o volume e tomar uma birita. De acordo com a prefeitura, trata-se de uma medida alternativa, que está sendo testada.

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- Estava acontecendo um acúmulo de 300 a 400 veículos com som potente e em torno de 2 mil pessoas. O som perdurava pela noite toda, das 21h às 8h, bombando. Imbé estava sendo visto como município que tudo pode em relação à perturbação do sossego. Inicialmente, chegamos a essa alternativa. Se continuar dando resultado, adotaremos - explica Marco Antonio Emerim da Silva, secretário de Segurança Pública e Trânsito de Imbé.

Os moradores, em geral, gostaram da medida. No Hotel Samburá, por exemplo, já se sente a transformação. Em anos anteriores, dezenas de hóspedes cancelavam suas reservas após as primeiras noites mal dormidas. O presidente do Grupo de Hotéis Kimar, Francelino Meregalli da Silveira, chegou a declarar a ZH, em janeiro de 2014, que o hotel estava prestes a fechar. Chegou a devolver até R$ 20 mil reais a clientes insatisfeitos.

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- Finalmente, conseguimos viabilizar uma medida como essa. Aquilo era uma batalha e não somava nada para o município. Hoje, a Brigada Militar consegue manter a segurança sem precisar mobilizar um grande efetivo. Graças a Deus, agora temos um pouco de paz naquele canto de Imbé - afirma Silveira.

Apesar da novidade, somente nesta temporada, de acordo com o capitão Heraldo dos Santos, comandante da Brigada Militar em Imbé e Tramandaí, foram mais de cem autuações, com veículos e equipamentos apreendidos.

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- Temos tido um retorno positivo tanto de moradores quanto de comerciantes. Essa ação ostensiva da Brigada Militar pode ocasionar uma migração do problema, mas ainda não identificamos isso - explica Santos.

Félix Zucco / Agencia RBS
Carros são proibidos de trafegar pela orla de Imbé durante a noite aos finais de semana

Nem todos gostaram da mudança

- Eles me quebraram. Fiz um investimento alto e olha aí (aponta para o bar vazio). Não estou dizendo que tem de esculhambar, pois quem faz bagunça é uma minoria, mas a Beira-Mar virou uma avenida fantasma - lamenta Itamar Silva, dono do Barraco do Ita.

Itamar Silva, 59 anos, dono do Barraco do Ita, não aprovou a medida
Foto: Félix Zucoo/ Agência RBS

Bem próximo ao bar de Silva está o Beira Mar Food Park, que reúne vans com opções de comida de rua e cervejas artesanais. Apesar de ser uma novidade deste verão, o empreendimento também está sofrendo as consequências do sumiço do público.

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- Parou o barulho, mas para nós é péssimo. Se fizessem um trabalho atuando direto nos carros de som, seria melhor. Corremos o risco de quebrar. Já são poucos empreendimentos na praia e quem tenta ainda precisa lidar com isso - afirma Rodrigo Grossini, um dos organizadores do Beira-Mar Food Park.

Os comerciantes se reuniram durante a semana para cobrar maior flexibilidade da prefeitura. O secretário de Segurança Pública e Trânsito de Imbé, Marco Antonio Emerim da Silva, prometeu diminuir o bloqueio em uma quadra a partir de hoje, para que o público possa acessar de carro os estabelecimentos até então prejudicados:

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- Queremos achar formas para que fique mais ou menos bom para todo mundo. Não vamos conseguir deixar todos contentes. Aquele público também afugentava as pessoas. São opções, não é uma coisa que batemos o martelo. Seremos flexíveis para buscar o melhor para toda a comunidade.


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