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Estrela mundial

Atriz de 'Emmanuelle' foi a musa de uma época em que erotismo e pornografia andavam juntos no cinema

Sylvia Kristel morreu de câncer nesta quarta-feira

18/10/2012 - 13h14min

Atualizada em: 18/10/2012 - 13h14min


Musa de uma época em que erotismo e pornografia eram quase sinônimos no cinema, a atriz holandesa Sylvia Kristel morreu na noite de quarta-feira, aos 60 anos, em Amsterdã. Ela ficou conhecida mundialmente como a protagonista da série de filmes Emmanuelle. A causa da morte foi um câncer na garganta, que ela tratava há 10 anos. Em julho passado Sylvia sofreu um acidente vascular cerebral.

Modelo que havia atuado em alguns filmes sem maior repercussão, Sylvia foi convidada a estrelar, em 1974, Emmanuelle, adaptação do romance lançado em 1959 por Marayat Bibidh, tailandesa casada com um diplomata francês e que teria usado no livro suas próprias experiências e fantasias sexuais. O polêmico romance, embora não tenha o status de clássico literário como O Amante de Lady Chatterley, de D.H Lawrence, ganhou uma adaptação no cinema em 1969. Mas foi a versão protagonizada por Sylvia que se tornou sucesso internacional rompendo um tabu: até então filmes eróticos, mesmo os não explícitos, eram produções baratas com circulação restrita.

Dirigido por Just Jaeckin, Emmanuelle surpreendeu pela abordagem do tema um tanto mais requintada em quesitos como fotografia, trilha sonora e interpretações, modelo de produção que originou termos como "soft pornô" ou "pornô chic". A personagem é um bela mulher francesa que viaja à Tailândia para encontrar o marido diplomata. Em Bangcoc, Emmanuelle vive experiências radicais com homens e mulheres. O casamento é aberto, ele também pula a cerca, e ambos se amam e vivem felizes assim. Com um orçamento de US$ 500 mil, o longa-metragem arrecadou mais de US$ 100 milhões.

Se hoje o tema está banalizado _ vide o sucesso de livros como Cinquenta Tons de Cinza _, à época de seu lançamento Emmanuelle provocou escândalo com cenas que associavam o prazer, tanto aquele a dois quanto o solitário, ao desejo sem culpa, à violência, aos apetrechos exóticos e a prática de sexo além das quatro paredes do quarto. Sylvia voltou a viver a personagem em outros dois filmes da série na década de 1970, e retornaria a ela de forma eventual nos anos 1980 e 1990, quando a franquia já havia descambado, com várias outras atrizes vivendo Emmanuelle, em filmes sofríveis produzidos diretamente para a televisão e o mercado de vídeo _ alguns abraçando o sexo explícito. Sylvia, inclusive, participou de algumas dessas produções vivendo a "velha Emmanuelle".

Em sua carreira de atriz, Sylvia buscou, sem sucesso, desassociar sua imagem de Emmanuelle. Trabalhou, entre outros projetos, com o prestigiado diretor francês Claude Chabrol, que lhe deu o papel principal em Alice (1977). Também viveu no cinema, em 1981, Lady Chatterley, uma precursora da libertária Emmanuelle. Em sua autobiografia, Undressing Emmanuelle, Sylvia relatou seus problemas com a depressão, o vício em cocaína, o alcoolismo e os casamentos fracassados. Nos últimos anos, dedicou-se à pintura. Ela foi casada com o escritor Hugo Claus, com quem teve um filho, Arthur, e vivia com o atual companheiro, Peter Brul.


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