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Companhia acelera transformação do saneamento gaúcho
Em três anos, Corsan investiu 6 bilhões em obras, tecnologia e serviços para a população



A universalização da água e do esgoto ainda não é uma realidade no Rio Grande do Sul. Em 2022, conforme dados do Instituto Trata Brasil, apenas 36% da população gaúcha tinha coleta de esgoto e somente 26,6% do volume gerado no Estado recebia tratamento. Além disso, segundo o Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 1,7 milhão de gaúchos não tinham acesso adequado ao serviço de esgotamento sanitário.
Com o objetivo de mudar esse cenário no Rio Grande do Sul e no restante do país, o Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil definiu que, até 2033, a cobertura de água potável deve atender 99% da população, e a de coleta e tratamento de esgoto, 90%. Para alcançar esse objetivo, o Rio Grande do Sul, por meio da Corsan, vem realizando investimentos cada vez mais robustos em modernização da infraestrutura e melhorias na rede.
Em três anos, a Corsan investiu R$ 6 bilhões e ampliou sua capacidade de transformar recursos em obras, tecnologia e serviços para a população. O movimento enfrenta um déficit acumulado ao longo de décadas, principalmente no esgotamento sanitário.
Desde julho de 2023, a média anual de investimentos da Corsan, historicamente em torno de R$ 499 milhões, passou para aproximadamente R$ 2,094 bilhões. Para levar esse volume de recursos às cidades, a companhia ampliou frentes de trabalho, incorporou tecnologia e dados e criou estruturas próprias de apoio às obras.
A universalização até 2033 ainda exige um longo percurso. O desafio, como reforça a presidente da Corsan, Samanta Takimi, é manter a escala de investimentos e de execução necessária para superar um déficit histórico.
— Quando falamos em universalização, falamos de uma transformação que chega à vida das pessoas e ao futuro das cidades. O Rio Grande do Sul não podia mais esperar. Estamos construindo a infraestrutura e a capacidade de execução necessárias para recuperar esse atraso e levar os benefícios do saneamento a quem ainda não tem acesso — afirma.
Investimentos avançam
A mudança aparece com mais força no esgotamento sanitário. A cobertura entre a população atendida pela Corsan passou de 19% para cerca de 30% em três anos. Com mais de R$ 1,6 bilhão investidos, foram implantados mais de 1,1 mil quilômetros de redes coletoras, construídas 18 estações de tratamento de esgoto, 116 estações elevatórias e mais de 101 quilômetros de emissários e linhas de recalque. As novas estruturas ampliaram o acesso aos serviços para mais de 852 mil pessoas.
Com os investimentos, a capacidade de tratamento cresceu mais de 911 litros por segundo, ou seja, 17,69 bilhões de litros de esgoto por ano deixam de ser lançados no ambiente sem tratamento, volume equivalente a cerca de 7 mil piscinas olímpicas.
Os sistemas de água também avançaram. Foram investidos R$ 810 milhões na ampliação da produção, da reservação e da distribuição, com 500 quilômetros de novas redes, 186 mil novos imóveis atendidos, sete estações de tratamento, dez reservatórios, oito elevatórias e 296 poços profundos em operação.
Prevendo problemas
A Corsan também investe em tecnologia. O Centro de Operações Integradas passou a monitorar, em tempo real, 312 unidades, ante 129 anteriormente. Ao todo, mais de 4,3 mil ativos — entre poços, reservatórios, estações de tratamento e elevatórias — são acompanhados de forma permanente.
Desde o início da nova gestão, o índice de perdas caiu de 44% para 40%. O uso de monitoramento por satélite e geofonia — técnica utilizada para monitoramento e exploração sísmica da superfície — permitiu identificar e corrigir 27 mil vazamentos ocultos, aumentando o aproveitamento da água captada e tratada e reduzindo a pressão sobre os mananciais.