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Saúde pública

Uma batalha de todos

Este sábado é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. O Rio Grande do Sul é o primeiro do ranking em incidência de casos. Porto Alegre lidera entre as capitais.

01/12/2012 - 10h21min

Atualizada em: 01/12/2012 - 10h21min


Zé, como é chamado, participa da Rede e Movimentos de Pessoas Vivendo com HIV e Aids há sete anos

Já faz parte do passado a ideia de que a aids atinge a um grupo específico de pessoas. Hoje, está mais do que claro que a doença não escolhe classe social, idade, raça ou opção sexual - pode atingir qualquer um que esteja exposto a situações de risco. Para lembrar sobre a importância de combater a epidemia, este sábado é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids.

- Primeira no ranking

Nesse cenário, Porto Alegre ocupa um incômodo primeiro lugar entre as capitais no ranking de incidência da doença divulgado pelo Ministério da Saúde este mês. São
95,3 casos para cada 100 mil habitantes. É o segundo lugar no Estado, atrás apenas de Alvorada (com 97,7 casos para cada 100 mil habitantes).

O Rio Grande do Sul lidera no país, com 40,2 casos para 100 mil habitantes. Em 2011, foram 4.315 novos casos registrados no Estado. E o desafio para virar esse jogo é de todos, começando pela prevenção e pelo combate ao preconceito.

- As pessoas deixam de tomar chimarrão com alguém que tem HIV mas, nas suas relações, não usam camisinha - observa o coordenador da área técnica de DST/Aids e Hepatites Virais da Secretaria da Saúde de Porto Alegre, Gerson Winkler.

- Sistema não está preparado

Além da parte que cabe à população, ele reconhece que o sistema de saúde precisa se estruturar melhor para atender a quem tem o vírus. Gerson lembra que a aids é uma doença crônica e que o o tratamento é por toda a vida, lidando muitas vezes com efeitos colaterais, como o surgimento de outras doenças.

- O cenário de hospitais e ambulatórios é bastante estrangulado. E ainda temos um índice muito grande de não adesão ao tratamento - relata.

Saiba mais

Como se transmite o HIV:

- Transar sem camisinha (sexo vaginal, anal ou oral), mesmo com alguém conhecido, pois esta pessoa pode estar infectada sem saber.
- Compartilhar agulhas ou seringas.
- Durante a gestação, da mãe para o bebê.
- O HIV pode ser transmitido pelo sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno.

Como não se transmite o HIV:

- Transar com camisinha.
- Compartilhar talheres, pratos, copos e chimarrão.
- Por meio de carinho, aperto de mão, abraço ou beijo na boca.
- Uso do mesmo banheiro, piscina ou pelo ar.
- Dormir na mesma cama.
- Pelo suor ou lágrima.
- Doação de sangue.
- Picada de mosquito.

Cidades com maior incidência (por 100 mil habitantes) 

- Alvorada: 97,7
- Porto Alegre: 95,3
- Canoas: 77,8
- Uruguaiana: 66,2
- Sapucaia do Sul: 66,1
- Viamão: 61,2
- São Leopoldo: 60,7
- Cruz Alta: 59,2

(*) Municípios com mais de 50 mil habitantes
Dados do Ministério da Saúde

É preciso se prevenir

Já são 26 anos desde que José Hélio Costalunga de Freitas, 61 anos, recebeu o resultado positivo para o exame de HIV. Na época, ainda não havia informação suficiente sobre a doença. Ele enfrentou o preconceito de cabeça erguida e com bom humor, apesar das inúmeras pessoas que se afastaram dele. Quase três décadas depois, essa é uma ferida que o arquiteto e arteterapeuta ainda enxerga em toda a sociedade.

- Não conseguimos mudar esse estigma e preconceito. E é o que mais mata as pessoas - afirma, lembrando que essa é a barreira que impede os soropositivos de conseguirem emprego, se relacionarem com outras e até de serem bem acolhidas no serviço de saúde.

- Sempre com preservativo

Zé, como é chamado, participa da Rede e Movimentos de Pessoas Vivendo com HIV e Aids há sete anos. Ele enfatiza que há informação, mas ela não tem sido suficiente para que a população faça da prevenção um hábito. A crença de que "não vai acontecer comigo" deixa as pessoas vulneráveis. E, mesmo com os remédios para controlar o HIV, o cenário continua delicado.

- Os remédios e o vírus causam envelhecimento precoce. O que está nos matando hoje são os efeitos colaterais da medicação - destaca.

Problemas cardiovasculares, ósseos, diabetes, linfomas, cânceres, lipodistrofia (perda e acúmulo de gordura), deficiência física e mental passaram a fazer parte da realidade da aids. 

- Preservativo tem que ser parte da relação, não tem outra resposta. Viver com HIV/Aids não é legal - conclui.

Desafios de toda a população

- Mulheres: é muito difícil conseguir conversar com o parceiro e falar da importância de usar a camisinha, ainda mais se é um relacionamento longo, como namoro ou casamento. O homem não concorda, a mulher se sente fragilizada e acaba cedendo à relação sem proteção.
- Homens: eles são resistentes a discutir a prevenção no dia a dia. Usar camisinha parece uma realidade distante, os homens costumam se sentir inatingíveis pela doença. Eles também não têm o hábito de ir a postos de saúde em busca de informações e cuidados.
- Jovens: ainda estão começando a vida sexual, são inexperientes, envergonhados e têm muitas dúvidas. Também não costumam frequentar os serviços de saúde. É importante que eles tenham liberdade e oportunidade de falar sobre a prevenção nas escolas e nas famílias, sem medo. É fundamental que se sintam à vontade para buscar informações.
- Idosos: são de uma geração que não iniciou a vida sexual com o uso da camisinha. Contudo, o uso de medicamentos para a ereção mudou os hábitos de relações sexuais. Assim, aumentou também o risco de exposição ao vírus.
- Gestantes e bebês: a falta do exame pré-natal aumenta as chances de transmissão do vírus da mãe para o bebê. Há dificuldades em fazer com que as gestantes realizem todos os exames e que seus parceiros também sejam testados para a presença do vírus. O uso de drogas agrava o problema. Fazer o acompanhamento durante toda a gestação reduz muito as chances de o bebê nascer soropositivo.
- Populações historicamente discriminadas, como negros, moradores de rua, travestis e homossexuais: o serviço de saúde precisa melhorar a acolhida a esses grupos, para que se sintam confortáveis a discutir suas relações sexuais e buscar informação.

Teste rápido de HIV na Capital

Neste sábado, unidades de saúde de diversos bairros da Capital funcionarão das 8h às 17h para a realização do teste rápido para o HIV. O serviço estará disponível também no Parque da Redenção no sábado, das 10h às 20h, e no domingo, das 14h às 20h. Basta uma gota de sangue. O resultado sai em 15 minutos. A pessoa recebe aconselhamento depois do exame e, em caso positivo, é encaminhada para o serviço especializado.

Confira, os locais para realizar o teste rápido de HIV/Aids. Clique aqui.


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