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Uma segunda chance

Reformulação no sistema de educação possibilita a alunos reprovados no ano passado fazer uma recuperação de conteúdos e passar para a série seguinte

15/04/2013 - 07h22min

Atualizada em: 15/04/2013 - 07h22min


Fernanda e Marcos vibraram com a oportunidade

O início deste ano letivo teve uma novidade e tanto para alunos que terminaram o primeiro ano do ensino médio politécnico em 2012 com o parecer de reprovados. Devido a uma reformulação no sistema de educação, eles tiveram a chance de fazer recuperação de conteúdos e, com bom aproveitamento, passar para o segundo ano.

As bases para essa mudança surgiram com a transformação, em vigor desde o ano passado, do antigo ensino médio em politécnico, que passou a trabalhar com áreas de conhecimento. As notas foram substituídas por pareceres.

Uma mudança de postura

No Colégio Estadual Japão, no Jardim Itu Sabará, o mês de março foi de bastante trabalho. Tão logo recebeu a informação desse novo processo, a escola elaborou um plano e organizou aulas de recuperação três vezes por semana no turno inverso para nove alunos.

- Chamamos os pais, informamos o que seria feito e, dos nove alunos, sete foram aprovados. A gente percebeu que eles se engajaram - avalia a diretora Jussara Regina Pinho.

Uma das alunas beneficiadas pela medida, Fernanda Rodrigues, 18 anos, diz que a força de vontade foi fundamental.

- Quando eu soube de chance, nem acreditei. E não podia deixar passar - disse.

Seu colega Marcos Soares, 16 anos, conta que mudou o seu jeito de estudar e fazer os trabalhos, com mais interesse.

A avaliação

Como era

O aluno recebia notas, de zero a dez, calculadas com base no desempenho em testes, trabalhos e outras avaliações. A nota era dada por disciplina.

Como ficou

O estudante receberá apenas quatro conceitos - um para cada área em que as disciplinas tradicionais foram agrupadas: linguagens (língua portuguesa e estrangeira, literatura, educação física e artes), matemática, ciências da natureza (biologia, física e química) e ciências humanas (história, geografia, sociologia e filosofia).

Se o aluno tiver desempenho insatisfatório em apenas uma área, poderá passar de ano, na situação de Progressão Parcial. Se receber conceito insatisfatório em pelo menos duas áreas, é reprovado.

Em geral, foi positivo

No Colégio Protásio Alves, os alunos tinham de fazer trabalhos e pesquisas paralelas nas áreas que precisavam ser recuperadas. Entre as estudantes que participaram do processo estão Paula Luana Soares Pires e Marla Luiza Rodrigues Machado, ambas de 16 anos.

Embora tenham obtido resultados diferentes na recuperação - uma conseguiu avançar para o segundo ano e a outra não - elas dizem ter obtido alguns aprendizados.

- Não é brincadeira, a gente tá aqui para estudar - observa Marla.

E Paula reforça:

- No ano passado, faltou mais atenção. Esse ano estou mais interessada.

Para a diretora da escola, Patricia Wolf, a avaliação do processo, em geral, foi positiva. E apesar de nem todos os alunos que quiseram participar conseguirem êxito na aprovação, ela percebe que houve uma mudança de postura dos estudantes.

Oportunidade está na legislação

A coordenadora da Gestão do Ensino Médio e da Educação Profissional da Secretaria Estadual da Educação, Maria de Guadalupe Menezes de Lima, rebate a ideia de que o novo processo seja uma "aprovação automática".

- O papel da escola é oportunizar a aprendizagem - explica, destacando que só foram aprovados aqueles que demonstraram o avanço.

Segundo a coordenadora, a progressão para a série seguinte em qualquer época do ano está prevista na legislação, e a ideia é que as escolas passem a olhar a educação dessa forma.

- Ao longo do tempo, fomos naturalizando a reprovação, o abandono. Essa é uma alteração do ponto de vista legal, prático, teórico - explica.

Ela lembra que cada colégio teve autonomia para realizar a recuperação de conteúdos.


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