Coluna da Maga
Lúcio Charão: "A orla e seus donos informais"
O jornalista Lúcio Charão está substituindo a colunista Magali Moraes
Foram dois domingos. A reportagem da RBS TV foi duas vezes à orla, mais novo ponto turístico de Porto Alegre. Durante décadas, a Capital viveu de costas para o Guaíba. Após a revitalização, concluída em junho do ano passado, multidões passaram a ir ao local em finais de semana e feriados. Policiamento e fiscalização existem ali, mas não dão conta de cuidar de maneira apropriada da área.
Explico: para quem chega do Vale do Sinos, da Região Metropolitana ou mesmo da Zona Norte pela Avenida Mauá, de carro ou de moto, há a obrigação de pagar uma “taxa” para um flanelinha. Eles são donos de todo o acostamento. E praticamente criam “lotes” à beira do meio-fio. Os valores partem de R$ 5 e, à medida que você avança, chegam a até R$ 20. Em uma das reportagens do Jornal do Almoço, sem saber que estava sendo gravado, o flanelinha é taxativo:
– Se o senhor deixar o carro aqui e não pagar, não posso me responsabilizar se aparecer arranhado.
Por lei, cobrança não existiria
O repórter Bernardo Bortolotto, autor do conteúdo que flagra o descaso com os frequentadores da orla, diz que o caso é mais grave:
– Depois que as reportagens foram ao ar, recebi relatos de duas mulheres da Região Metropolitana que tiveram de pagar R$ 30.
Parece inacreditável que, para aproveitar um lugar aberto ao público, tenhamos de sofrer extorsão de pessoas que atuam na informalidade.
A prefeitura, em nota enviada à RBS TV, limitou-se a dizer que só atua quando há denúncia e que, por lei, os flanelinhas não têm de exigir valores, e sim receber o que o cidadão deseja (ou pode) pagar. Garanto que se você, leitor do DG, for até a orla, presenciará o oposto.
A Brigada, de forma mais enfática, disse que aborda os “donos da orla” e atende todas as ocorrências que chegam pelo 190 sobre a atuação dos flanelinhas. Que assim seja.