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Em um ano, cesta básica ficou R$ 92 mais cara em Porto Alegre, aponta Dieese

Dados do Dieese divulgados nesta segunda-feira mostram que o conjunto de alimentos variou 12,11% em 2022. No último mês do ano passado, houve queda de 2% no preço da cesta básica

09/01/2023 - 16h25min

Atualizada em: 09/01/2023 - 16h27min


Alberi Neto
Alberi Neto
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Mateus Bruxel / Agencia RBS
Entre os produtos com maior alta no ano estão batata, farinha, café e banana

Quase R$ 100. Foi este o aumento no preço da cesta básica entre o início e o fim de 2022, em Porto Alegre. Os dados constam no relatório do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado nesta segunda-feira (9). 

Na comparação entre dezembro de 2021 e o mesmo mês do ano passado, o conjunto de 13 alimentos pesquisados pelo Dieese subiu 12,11%. Até novembro, dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação acumulada nos últimos 12 meses era de 5,9%, metade do índice da cesta. 

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O salto em 2022 fez a cesta básica da Capital chegar aos R$ 765,63 no último mês de dezembro — valor R$ 92,71 mais caro do que 12 meses antes. Mas Porto Alegre não ficou sozinha nesta conta. Conforme os dados do departamento, o grupo de itens teve alta em todas as 17 capitais pesquisadas no somatório de 2022. 

A alta foi puxada por itens como farinha, batata, banana e café, que saltaram entre 20% e 50% de valor. A maior elevação registrada foi a da batata, que ficou 49,02% mais cara no ano que passou. O café subiu 20,58%. Mas, em valores, isto acaba sendo mais sentido pelo consumidor, pois a bebida é um produto normalmente mais caro do que outros que também tiveram alta.

O relatório do Dieese pontua as razões que levaram oito dos 13 produtos pesquisados a terminarem o ano mais caro nas 17 capitais pesquisadas. Para o departamento, os aumentos de preços, "em geral acima da média da inflação, obrigaram as famílias brasileiras, por mais um ano, a substituir alimentos habitualmente consumidos por outros mais baratos ou similares". O documento ainda aponta que "a ausência de políticas — de estoques reguladores, de subsídios aos preços dos produtos ou mesmo a falta de investimento em agricultura familiar — fez com que a trajetória dos preços continuasse em alta". 

Do lado da oferta de itens, o Dieese cita que os principais motivos das altas foram "o conflito externo entre Rússia e Ucrânia e a dificuldade de escoar a produção de trigo e óleo de girassol; o encarecimento dos custos de produção do leite no campo; a elevação de preço dos fertilizantes; o clima seco devido ao fenômeno La Niña; e a manutenção da taxa de câmbio em alto patamar, medida que estimulou a exportação".

Salário

Além das informações sobre os preços dos alimentos, o Dieese também mostra quanto estes gastos influenciam no custo de vida das famílias. Na Capital, os consumidores fecharam o ano comprometendo quase 70% do salário mínimo em vigor (de R$ 1.212) para adquirir todos os itens pesquisados. Pelos cálculos da instituição, o salário mínimo necessário para custear uma família brasileira deveria estar em R$ 6.647,63, mais de cinco o valor atual.


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