Em situação anormal
Aumenta o número de morcegos coletados mortos, caídos ou desorientados em Porto Alegre
Quando encontrados nessas condições, os animais são capturados e testados para raiva


A Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre monitora com atenção o aumento no número de morcegos coletados em situação anormal pelas equipes de vigilância sanitária nas primeiras semanas do ano. Os morcegos são recolhidos apenas quando estão mortos, caídos ou desorientados, ou seja, em condições fora da normalidade. Em 2024, até esta sexta-feira (26), 72 animais da espécie foram capturados e tiveram amostras encaminhadas para teste de raiva, três casos confirmaram a doença.
As análises mais do que dobraram em comparação com janeiro de 2023. No período foram 34 coletas, com dois positivos para a doença. O trabalho é realizado pela Equipe de Vigilância de Antropozoonoses (Evantropo), da Vigilância Sanitária de Porto Alegre. Conforme o chefe do setor, Paulo Casanova, todos os animais coletados estão sendo testados como prevenção, já que a grande maioria não positiva para a doença:
— O morcego fora da normalidade dele já é enquadrado como suspeita e encaminhado para o laboratório. Ele é um reservatório natural da raiva. É o nosso trabalho sempre recolher nessas condições, mas grande parte não está com a doença.
No ano passado, 163 morcegos foram testados em Porto Alegre e sete positivaram para raiva, um índice de 4,9%. O número elevado de capturas em 2024 é acompanhado com atenção pela vigilância:
— Acende um alerta, mas ainda não é preocupante. É importante a gente desmistificar o medo dos morcegos. Não precisa ter medo do animal e querer exterminar, matar todos, a gente precisa é ficar atento e tomar os cuidados devidos — destaca Casanova.
Colônia de morcegos apareceu no Centro

Há cerca de duas semanas, centenas de morcegos surgiram no centro histórico de Porto Alegre. Segundo a equipe de Antropozoonoses, este ano, as condições climáticas podem ter contribuído para a maior migração dos animais para as regiões mais centrais da Capital.
As autoridades de saúde de Porto Alegre reforçam que os animais são protegidos por lei e cumprem papel importante no ecossistema. Por isso, as equipes da prefeitura não são autorizadas a retirar os morcegos:
— Ele ajuda a polinizar várias plantas, captura insetos e é uma espécie silvestre protegida por lei. Onde tem uma colônia, ninguém pode remover, é crime ambiental — ressalta Paulo Casanova.
O que a população deve fazer
Caso sejam encontrados morcegos em condições anormais, isto é, mortos, desorientados, caídos ou pendurado em janelas e cortinas dentro de casa a população não deve tocar no animal. A orientação é que seja acionado o setor de Antropozoonoses por meio do 156 ou do número (51) 3289-2450, que também recebe mensagens no WhatsApp.
As equipes da prefeitura não podem realizar a remoção de colônias. Nesse caso, de acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, o procedimento permitido por lei é aguardar que os animais saiam e, depois disso, limpar o local com água sanitária para retirar as fezes e o cheiro. Após a limpeza, as frestas devem ser vedadas para evitar que os morcegos retornem.
— Com a chegada do outono e depois do inverno começa o movimento contrário, os morcegos saem daqui e buscam outros pontos mais quentes. É o momento em que as pessoas precisam procurar empresas especializadas e fazer a limpeza. Os morcegos têm o hábito de retornar, por isso é importante fechar bem — orienta o chefe do Evantropo.
A raiva
A raiva é uma doença transmissível que pode atingir qualquer mamífero – como cães, gatos, bois, cavalos, morcegos e o homem. Ela é transmitida quando a saliva do animal infectado entra em contato com a pele lesionada ou mucosa, por meio de mordida, arranhão ou lambedura do animal.
O vírus ataca o sistema nervoso central, levando à morte após pouco tempo de evolução. É uma doença extremamente grave, com letalidade de quase 100% se a pessoa não tomar a vacina antirrábica.
Para prevenir os animais domésticos, o tutor do pet deve vacinar cães e gatos contra a raiva anualmente. Qualquer pessoa que tiver um acidente (arranhadura ou mordida, por exemplo) envolvendo animais mamíferos como cão, gato e morcego, deve procurar atendimento na sua unidade de saúde de referência.