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Atenção redobrada

Queimaduras, quedas e intoxicação: acidentes domésticos são mais comuns durante as férias escolares

Crianças pequenas e adolescentes são mais propensos a episódios  envolvendo fogo, objetos afiados, substâncias tóxicas e locais altos. Durante o período de recesso, tempo em casa sem supervisão pode ser perigoso. Médicas acreditam que prevenção é essencial para evitar lesões e sequelas graves

19/07/2024 - 09h07min


Yasmim Girardi
Yasmim Girardi
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Dmitry Vereshchagin / stock.adobe.com
Acidentes na cozinha podem causar cortes e queimaduras.

Queimaduras, quedas e intoxicações são ocorrências comuns no período de férias escolares. São nestas épocas do ano que as crianças costumam passar mais tempo em casa e, por isso, o risco de acidentes domésticos cresce consideravelmente. Segundo o Ministério da Saúde, indivíduos entre zero e 14 anos são mais vulneráveis a sofrer esses e outros eventos do gênero. Especialistas apontam que, para evitar esses episódios, é necessário garantir a segurança da casa e a supervisão adequada para os pequenos.

Dados do Ministério da Saúde apontam que milhares de crianças morrem anualmente em decorrência de acidentes domésticos. Os episódios que não levam a óbito podem causar lesões e sequelas graves para o desenvolvimento. Por isso, prevenção é considerada uma palavra-chave. Além disso, é importante que pais e cuidadores saibam como reagir e como buscar ajuda.

— A gente vê dois fenômenos que acontecem. Um é a redução dos quadros infecciosos, porque as crianças estão de férias e têm menos contato entre elas. Por outro lado, a gente acaba vendo mais acidentes. No inverno, são mais comuns acidentes com fogo e líquidos quentes. Mas também têm acidentes por mexerem em tomadas que não estão protegidas e por caírem de lugares altos — afirma Aline Medeiros Botta, diretora médica do Hospital da Criança Santo Antônio (HCSA).

Uma cartilha elaborada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) em 2021 indica os tipos de acidentes mais comuns e como preveni-los. Além dos citados por Aline, o material inclui afogamentos, sufocamentos, episódios envolvendo plantas venenosas e animais peçonhentos, escoriações, fraturas, hemorragias, desmaios e convulsões. O documento está disponível neste link. Segundo Maria de Lourdes Martins Pereira Jager, pediatra e professora do curso de Medicina da Universidade Feevale, as ocorrências costumam variar de acordo com a idade.

— O que ocorre é que vai se modificando os riscos e os acidentes que as crianças ficam mais propensas a ter conforme a faixa etária. Então, um lactante pequeno que engatinha tem uma propensão maior à queda, a engasgo com pequenos objetos, intoxicação por algum produto que ele possa encontrar. As crianças maiores e os adolescentes já ficam mais sujeitos a acidentes relacionados com quedas de bicicleta ou algum esporte radical.

Prevenção

A melhor forma de evitar esses acidentes é atuando efetivamente na prevenção. Para as especialistas, é essencial que os pais ou cuidadores mantenham a casa segura. Isso significa instalar telas de proteção nas janelas e sacadas, grades e portões em locais que dão acesso a escadas ou piscinas, móveis com quinas arredondadas, fios e tomadas protegidos e sem plantas venenosas nas áreas em que a criança tem acesso.

O banheiro é um local que se deve ter grande preocupação. É importante manter a tampa da privada fechada, e que os armários com medicações fiquem fechados, preferencialmente chaveados, em uma altura que a criança não tenha acesso. A lavanderia, que é onde normalmente estão os produtos de limpeza, também deve ter os armários fechados. Além disso, esses produtos devem ser acondicionados na sua embalagem original — aconselha a pediatra e professora da Feevale.

Ela explica que colocar produtos de limpeza em recipientes que a criança conhece, como garrafas de suco ou refrigerante, é perigoso. Isso faz com que os pequenos associem o produto a bebidas que já foram consumidas, aumentando as chances de intoxicação. Ingerir produtos de limpeza pode causar irritação gastrointestinal, queimaduras internas e, até mesmo, danos severos aos órgãos. Já o consumo de medicamentos pode ter diferentes efeitos, como dificuldade para respirar, alterações no ritmo cardíaco e convulsões.

Para Aline, a cozinha também é um lugar que deve ser protegido por trancas ou grades móveis. Utensílios afiados como facas e tesouras, e eletrodomésticos como liquidificadores e processadores, podem causar cortes se manuseados de forma inadequada. A diretora médica sinaliza a preocupação com o fogo, que pode causar queimaduras de primeiro, segundo e terceiro grau e deixar marcas permanentes nas crianças.

— A criança deve evitar ligar lareira e fogão a lenha sem que tenha alguém supervisionando o tempo todo. Tudo que envolver fogo ou líquidos quentes, a criança deve estar sob supervisão. Também tem que cuidar com tomadas e com aparelhos que ficam ligados na tomada, que a criança pode ter curiosidade e mexer — acrescenta a especialista.

Aline ressalta que a supervisão é essencial para evitar acidentes domésticos. O ideal, segundo a especialista, seria que todas as crianças tivessem um adulto ou adolescente responsável supervisionando o período de descanso em casa:

— Pelo menos até os 10 anos, idealmente, a criança deve ser supervisionada. Em um mundo ideal, crianças não deveriam ficar em casa sem supervisão. Mas sabemos que, muitas vezes, não é possível.

Como reagir

Acidentes domésticos pegam famílias desprevenidas o tempo toda e, por isso, é importante saber como reagir. O primeiro passo é manter a calma e avaliar a gravidade da situação. Em alguns casos, como cortes com facas, por exemplo, os pais podem prestar os primeiros socorros, lavando o ferimento com água e sabão e aplicando um curativo. Já em situações mais complexas, outros procedimentos são sugeridos.

—  Se a criança ingeriu algo que não deveria, o principal procedimento é não induzir ao vômito. Uma substância cáustica pode ocasionar uma queimadura na ida e outra na volta. Também é importante evitar o uso de qualquer antídoto que a família tenha conhecimento. Quando esses casos acontecem, o ideal é fazer contato com o Centro de Informações Toxicológicas ou levar a criança ao pronto-atendimento mais próximo da residência — explica Maria de Lourdes.

Dependendo da gravidade, serviços de emergência, como o Corpo de Bombeiros (telefone 193) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) também podem ser acionados.

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