Coluna da Maga
Magali Moraes: copo meio cheio
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Já que estamos na metade de dezembro e essa é a penúltima coluna do ano, tá liberado fazer retrospectiva. Nessa época, sempre faço o exercício de relembrar o que vivi, incluindo bons e maus momentos. Uma forçadinha na memória pra resgatar as expectativas no começo de 2024, e o que aconteceu de lá pra cá. Cada ano tem a sua trajetória, tudo soma na nossa história de vida. Encaro essa revisada geral como eu fazia na véspera das provas, pra ter certeza de ter memorizado bem o conteúdo.
Como sou otimista, já vou logo citar o pior acontecimento do ano pra me livrar dele. Me refiro às enchentes de maio no Rio Grande do Sul, uma experiência horrível e inacreditável a que fomos submetidos. Ainda me choco quando encontro alguma marca de lama no alto de uma fachada na cidade. É muita ironia: quando eu olho pro copo meio vazio – expressão que simboliza o pessimismo – vejo a inundação que transbordou a rotina, alagou lares e sonhos, afogou vidas.
Diferença
Passou, passou. Bora olhar pro copo meio cheio, que só faz bem. Em 2024, finalmente comecei a terapia, e sinto uma grande diferença no meu bem-estar. De janeiro até aqui, é como se eu tivesse em mãos um etiquetador imaginário. Venho etiquetando com mais clareza os nomes daquilo que sinto, identificando os meus medos, em especial a tal da ansiedade, e isso me organiza por dentro. A relação com o trabalho melhorou, muitas fichas caíram e hoje me sinto pronta pra encarar 2025.
Retrospectiva boa é aquela que acumula aprendizados, tem a saúde em dia, os livros lidos, os amores protegidos, o bom humor e a esperança mantidos. Sempre dá pra ficar melhor, e é pra isso que serve a virada de ano (e as simpatias). Você também costuma olhar pra trás antes de seguir em frente? Faz um faxinão de sentimentos, separa o que quer botar fora, o que vale reciclar e o que seguirá junto com você. No mais, é jogar pro universo os desejos mais lindos.