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Nova onda de calor extremo atinge o Rio Grande do Sul nos próximos dias; entenda os motivos

Inmet estima que uma nova onda de calor irá se iniciar entre o fim dessa semana e o começo da próxima. Temperatura deve se aproximar novamente dos 40ºC

26/02/2025 - 14h11min

Atualizada em: 26/02/2025 - 14h11min


Zero Hora
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A alta temperatura não dará trégua ao Rio Grande do Sul nos próximos dias. A terceira onda de calor do ano no Estado está prestes a chegar ao fim nesta quarta-feira (26), mas projeções apontam que os gaúchos ainda devem encarar uma nova ocorrência do evento meteorológico em breve. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estima que a quarta onda de calor do ano — a quinta em território nacional — se iniciará entre o fim dessa semana e o começo da próxima

De acordo com Glauco Freitas, meteorologista do órgão federal, dessa vez, o fenômeno deve impactar, principalmente, os arredores da Região Metropolitana, com temperatura próxima aos 40ºC.  

Para a Climatempo, o fenômeno se inicia na sexta-feira (28) e está previsto para durar, pelo menos, até a quarta-feira (5). Não se descarta a possibilidade da nova onda durar até o dia 10 de março

O que irá motivar essa nova onda de calor?

O meteorologista Guilherme Borges, da Climatempo, afirma que o novo fenômeno será influenciado pelo encontro de dois sistemas de alta pressão, um que está atuando sobre o continente, e outro que se aproxima do oceano em direção à América do Sul, chamado de Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS). Aliada a isso, há a alta incidência solar, característica da estação.

Sobre o continente, há uma área na atmosfera com a circulação de ventos no sentido anti-horário e que intensifica a movimentação do ar de cima para baixo. Essa condição impede que nuvens se formem com facilidade e favorece a condição de céu aberto. Ela também faz com que a massa de ar quente fique concentrada próxima à superfície e dificulta a entrada de frentes mais frias. 

— A insolação durante o verão é muito alta. Então, se não tiver nuvens no céu, o aquecimento diurno é muito alto. Não é fora do normal ter temperatura alta na região Noroeste, Oeste, Central, mas está persistindo porque não está tendo a entrada de massas de ar frio — explica Eliton Lima de Figueiredo, meteorologista do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). 

O que é o ASAS?

Já sobre o oceano, há um sistema de alta pressão considerado semipermanente, que se movimenta no sentido leste-oeste, classificado na meteorologia como Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS). Conforme Guilherme Borges, durante o verão no Hemisfério Sul esse sistema costuma ficar mais próximo da África. No entanto, por uma variação nas temperaturas oceânicas, ele está mais próximo da América do Sul. Por ser uma área de alta pressão, ela dificulta o deslocamento das frentes frias e também inibe a formação de nuvens.

— Há uma sequência de sistemas meteorológicos se sobrepondo, potencializando essa condição de temperatura alta no Rio Grande do Sul — pontua o meteorologista.

Diferença da nova onda de calor

Glauco Freitas, meteorologista do Inmet, afirma que, dentro da nova onda de calor, as áreas que devem sofrer maior impacto são a Região Metropolitana de Porto Alegre, e os arredores, como parte da Serra e os vales do Rio Pardo e do Taquari. 

O especialista indica que isso se deve ao fato de essa porção do território gaúcho estar mais úmida. A condição deve impactar diretamente na sensação térmica

Uma coisa é onda de calor com ar seco, outra coisa, que é mais preocupante, é onda de calor com ar úmido. Os modelos e as análises estão indicando essas regiões com temperaturas mais elevadas. É uma área com espelhos d'água, o que aumenta a umidade. Aumentando a umidade, aumenta a sensação térmica. Isso pode trazer consequências muito grandes para a população — revela.

O meteorologista defende que ações do poder público são necessárias para prever e conter os riscos provocados pela onda de calor à saúde população. 

— Ao fazer uma ligação entre o evento extremo que ocorreu no Rio Grande do Sul em maio: o Estado está preparado, não só para as chuvas, mas também para as ondas de calor, que são as que mais matam no mundo? É muito importante saber sobre as ondas de calor. Vemos muito falar sobre a chuva, mas temos que dar a mesma importância para os eventos de calor — reflete o especialista do Inmet.

Em Quaraí, na Fronteira Oeste, onde foi registrada a temperatura recorde de 43,8ºC, a umidade estava baixa. Nessa nova onda de calor, segundo Freitas, mesmo que a temperatura esteja mais baixas nos arredores da Grande Porto Alegre, a sensação térmica pode ser mais elevada na região do que no Oeste.

Outro fator que deve contribuir para esse cenário é o fato do território citado abranger uma grande zona urbana, o que favorece a formação de ilhas de calor

— Esse é um prognóstico inicial. Ele será analisado e atualizado a cada dia, então pode ter alterações — pontua Freitas. 

O meteorologista Guilherme Borges explica que a onda de calor irá provocar elevação de 5ºC a 7ºC acima da média na temperatura na Campanha, Fronteira Oeste, Missões, faixa Norte e na região dos Vales e Central do Rio Grande do Sul. As demais devem ficar na condição de calor intenso, entre 3ºC e 5ºC além do esperado para essa época do ano.

Tendência para os próximos dias

A entrada de uma frente fria no Estado poderá provocar chuva entre a quarta (26), a quinta (27) e a sexta-feira (28) em todas as regiões, destaca o meteorologista Eliton Lima de Figueiredo. Essa instabilidade irá motivar uma ligeira queda nos termômetros

— Não é que vá esfriar, mas a entrada da frente fria irá provocar chuva e gerar nebulosidade. Na quarta, tem uma massa de ar que consegue penetrar um pouco mais no Estado. Ela pega o extremo Sul, mas, mesmo assim, continua alta a temperatura — diz o membro do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da UFPel.

Ainda na sexta-feira (28), os termômetros voltam a subir. Glauco Freitas, do Inmet, aponta que o Carnaval será bastante quente, com estimativa prévia de pico entre o domingo (2), a segunda (3) e a terça-feira (4). 

Mesmo com a elevação nos medidores, não significa que não irá ocorrer chuva nesse período. São esperadas pancadas localizadas e isoladas, as quais não serão capazes de barrar completamente o calor. 

*Produção: Carolina Dill

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