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Fauna urbana

Animais feridos ao tocar na rede elétrica na Região Metropolitana são acolhidos pelo Zoo de Canoas; veja vídeo

Segundo cuidadores, as marcas deixadas após os acidentes impedem que os bichos voltem para seu habitat natural

26/03/2025 - 12h25min

Atualizada em: 26/03/2025 - 12h25min


Zero Hora
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No Zoológico Municipal de Canoas, na Região Metropolitana, um problema recorrente vem preocupando os profissionais da instituição: animais resgatados em Porto Alegre após sofrerem descargas elétricas causadas por fios desencapados.

Conforme os profissionais do zoológico, os impactos dos acidentes da fauna com a rede elétrica nas cidades fazem com que os animais percam para sempre a liberdade devido à gravidade dos ferimentos.

A veterinária do zoológico Isadora Fraveto, explica a situação de Pati, uma bugio-ruiva de aproximadamente 15 anos que sofreu um choque elétrico ao utilizar fios para se deslocar entre áreas de mata fragmentadas. 

— Ela pegou em algum fio que não estava encapado, porque é um animal que necessita desse transporte, e acabou tomando um choque. Devido à descarga, sofreu lesões graves e precisou perder um dos membros anteriores — relata.

A amputação do braço do animal impossibilitou a reintrodução na natureza, levando-a a ser acolhida pelo zoológico, onde viverá em cativeiro pelo resto da vida.

Outro caso semelhante é o do urubu Zico, que chegou ao zoológico em 2014 após sofrer uma severa descarga elétrica. 

— Ele perdeu alguns dedos de um dos membros esquerdos e também teve a asa direita quase inteiramente amputada. Isso o impossibilitou de retornar à natureza. É muito triste saber que um erro de planejamento urbano fez com que o animal tivesse que utilizar uma estrutura urbana insegura e, como consequência, sofresse um acidente irreversível — lamenta Isadora. 

A história da bugio Eva também marca a trajetória do zoológico. Segundo a bióloga Renata Gautier, o animal chegou ao local em 2008, após tomar um choque na rede de alta tensão e perder parte das duas mãos. Sem condições de voltar à natureza, Eva viveu sob cuidados humanos até 2021. 

— Nada mudou de lá para cá. Casos como esse ainda são frequentes, e é essencial responsabilizar as empresas de transmissão de energia para que encapem os fios e impeçam o acesso dos animais a essas estruturas — alerta Renata.

Para as especialistas, medidas preventivas precisam ser adotadas urgentemente. 

Encapar os fios é o básico. Outra solução fundamental é a implantação de pontes ecológicas, já que os bugios e outros primatas utilizam trajetos aéreos para se locomover entre áreas florestais — explica Isadora. 

Além disso, Renata enfatiza a importância do planejamento urbano e da manutenção de corredores ecológicos, que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, proporcionam o deslocamento seguro de animais, além da dispersão de sementes e do aumento da cobertura vegetal.

— Precisamos conectar as áreas naturais que estão fragmentadas e proporcionar acessos seguros para os animais — ressalta.

A CEEE Equatorial, concessionária responsável pelo fornecimento de energia na Capital, foi procurada para comentar sobre o assunto e apresentar medidas para evitar novos casos. Segundo a empresa, está sendo implementada a substituição da rede de baixa tensão por uma rede isolada o que evita choques elétricos em caso de contato e confere mais proteção aos animais.

Nota da Equatorial

"Em relação aos incidentes já ocorridos com bugios em Viamão e zona sul de Porto Alegre, a CEEE Equatorial esclarece que segue implementando uma série de medidas de cuidado, como a substituição da rede de baixa tensão por uma rede isolada no trecho mapeado pela Ação Civil, o que evita choque em caso de contato e confere mais proteção aos animais.

Dos 24km de substituição da rede elétrica por multiplexada nos trechos indicados pela Ação Civil, a CEEE Equatorial já efetuou a troca de 7 km.

As redes de distribuição da companhia obedecem a padrões construtivos, de acordo com as normativas brasileiras e as redes estão devidamente licenciadas pelos órgãos ambientais competentes.

A empresa segue realizando a poda da vegetação nas regiões mapeadas de forma preventiva, com o intuito de afastar os galhos que estão próximos à rede elétrica, e informa que a Ação Civil Pública está em fase bastante adiantada de negociação com o Ministério Público.

Por fim, é necessário destacar que a solução adequada da questão passa por uma ação conjunta entre Distribuidora de Energia e os órgãos ambientais licenciadores, destacadamente municípios, especialmente no que se refere à ocupação no entorno dos parques do Lami e Itapuã, que impactam o habitat e o modo de vida dos primatas, contribuindo decisivamente para os incidentes envolvendo redes elétricas, atropelamentos e outros."

Produção: Leonardo Martins


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