Problemas financeiros
Santa Casa de Rio Grande deve regularizar escalas de médicos para não paralisar pronto-socorro
Conselho Regional de Medicina do RS se reuniu com a direção do hospital e pode determinar interdição do serviço de urgência e emergência a partir das 23h59min desta quinta

Uma reunião entre o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) e a diretoria da Santa Casa de Misericórdia de Rio Grande, realizada na manhã desta quinta-feira (3), definiu que o hospital tem até as 16h para regularizar as escalas médicas do pronto-socorro e definir médicos especialistas para a retaguarda.
Caso a medida não seja cumprida, o Cremers vai notificar a Santa Casa para a interdição dos atendimentos de urgência e emergência a partir das 23h59min, com duração de 60 dias. A entidade irá então emitir uma resolução para "evitar risco de eventual prestação de serviços médicos em ambiente sem as mínimas condições éticas".
A notificação seria entregue e teria validade a partir das 12h desta quinta, mas a reunião com a direção do hospital estendeu o prazo de adequações à instituição.
De acordo com o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), os médicos são obrigados a acatar a determinação do conselho se for definida a interdição dos atendimentos. Em caso de descumprimento, eles podem inclusive responder por conduta antiética junto ao Cremers.
Há o entendimento no sindicato de que a situação da Santa Casa é grave. A instituição passa por problemas financeiros há anos e está em crise acentuada neste começo de 2025. Ainda segundo o Simers, há falta de médicos para as escalas de plantão, que acabam sendo preenchidas pelo diretor técnico da unidade.
Os médicos estão em situação de paralisação dos atendimentos eletivos desde 11 de janeiro e em estado demissionário desde 26 de fevereiro. Os pagamentos aos 80 profissionais que prestam serviço ao hospital estão atrasados desde novembro. Os adiamentos começaram em setembro, com as parcelas daquele mês sendo pagas em fevereiro. Os pagamentos de outubro foram feitos no fim de março.
O documento do Cremers aponta ainda que a Santa Casa apresenta falhas nas escalas de anestesia e da unidade pós-operatória. A falta de remuneração aos profissionais também é citada pelo conselho, além de pendências que fizeram a instituição perder o certificado de regularidade.
Os atendimentos de urgência e emergência funcionavam normalmente na manhã desta quinta-feira. A Santa Casa é o único hospital de pronto-socorro que atende o SUS em Rio Grande, cidade com quase 200 mil habitantes. No setor, são 10 leitos de UTI e outros 197 de enfermaria. No complexo, que inclui alas de diferentes especialidades, há um total de 19 leitos de UTI e 281 de enfermaria.