Retratos da Vida
"Sempre que luto me sinto feliz", afirma Matheus Melo, prodígio mirim do jiu-jítsu gaúcho
Atleta de 11 anos busca patrocinadores e doadores para participar de campeonatos nacionais e internacionais da modalidade

No dia a dia, um menino de 11 anos, mas, ao pisar no tatame trajando seu quimono, o olhar é outro, a garra para vencer também, e Matheus Melo se transforma em um verdadeiro atleta.
Ele pratica jiu-jítsu, e seu amor pelo esporte está fazendo com que alcance voos maiores. Aos 11 anos, já coleciona inúmeras medalhas e alguns troféus por seus campeonatos de luta.
Com disciplina e dedicação, o jovem pretende percorrer competições nacionais e internacionais este ano. Porém, seu foco, para além do esporte, está na arrecadação de doações por meio de patrocinadores para realizar esse sonho.
O amor não é de agora; Matheus pratica atividades físicas desde os quatro anos. Inspirado nas artes marciais, ele começou sua trajetória no taekwondo. Com o passar dos anos, seus objetivos foram mudando, e o apego pelas lutas, também. Ele começou a praticar jiu-jítsu simultaneamente com o taekwondo aos oito e, por uma observação de seu treinador, há três anos o menino decidiu se dedicar completamente ao jiu-jítsu.
Neste ano, com foco em ganhar espaço no cenário profissional, sua família criou iniciativas para arrecadar dinheiro e seguir o sonho de lutar pelo Brasil e pelo mundo. O valor cobrirá as despesas gastas para a locomoção e hospedagens nos campeonatos para Matheus e um acompanhante, além das aulas e dos treinos ao longo do ano.
Foco no treino
Daniel Martins, 28 anos, é treinador do guri, e conta que enxergou no pequeno lutador uma facilidade na aprendizagem.
Logo, começou a incentivá-lo para que treinasse para competições. Dentro dos treinos, seria necessário ter, para além da disciplina, o foco e a mentalidade para se tornar um atleta.
Neste ano, Daniel e Matheus se preparam juntos para ao menos seis campeonatos, sendo dois deles internacionais, o Mundial de Jiu-Jitsu, em Abu Dhabi, em novembro, e o campeonato europeu, na Itália, em maio.
O mestre de Matheus reforça o potencial do jovem atleta e revela que, em todas as competições em que ele participou, marcou presença ou recebeu algum tipo de premiação.
Já para o menino, a prática foi algo fácil que entrou em sua vida. O que era para ser um esporte virou um momento especial e de emoção.
— A primeira vez que pisei no tatame competindo, eu gostei, me deu uma adrenalina. Sempre que luto me sinto feliz — afirma ele.
Com apenas 11 anos, Matheus já possui consciência de suas responsabilidades dentro e fora do tatame. Dedica-se pela manhã à escola e treina de segunda a sexta-feira à noite.
No período de preparação, ele relata que busca se concentrar em suas tarefas em casa e também focar em seu treinamento. Atualmente, o atleta ainda realiza acompanhamento nutricional e treinos de musculação para fortalecimento.
Ao relatar os benefícios que a luta lhe trouxe, Matheus destaca que está “aprendendo a ter disciplina e cuidado”.
União e apoio
Matheus tem o apoio de seus pais como parte fundamental em seu dia a dia. Moradores de Porto Alegre, a mãe, Sabrina Mesquita e o pai, Rogério Melo, se dividem nos cuidados e percursos que realizam diariamente com seu filho lutador. A academia de jiu-jítsu fica em Cachoeirinha, e o deslocamento também é uma das principais despesas sinalizadas pela família. Ao todo, são 80 quilômetros de ida e volta entre sua casa, na zona sul da Capital, e a academia.
Para Sabrina, Matheus é um menino muito tranquilo, que a acalma em momentos de competição. A mãe ressalta que, de início, havia uma preocupação com a violência que a luta pode representar, mas que atualmente enxerga diversas outras qualidades que seu filho pôde adquirir, como a humildade e a serenidade:
— É gratificante, tenho orgulho em falar que sou mãe de lutador.
Respeito
Já para o pai, Rogério, a luta já está trazendo resultados positivos para o seu filho. Entre os valores estão a resiliência e o amadurecimento.
— Quando ele ganha, parabeniza também o colega, busca conversar e respeita — destaca.
O técnico de máquinas de costura destaca que não sabe se o filho seguirá na carreira, mas que o esporte irá permanecer em suas vidas. Esporte esse que também uniu a família: atualmente, o pai e a mãe praticam o jiu-jítsu e a irmã mais velha, Luiza, 15 anos, também se interessou pelas atividades físicas.
Para ajudar
/// Entre as ações realizadas para conseguir um auxílio, a família realiza o “pedágio”, nome dado para o movimento de pedir apoio e promover o atleta pela cidade nas sinaleiras. A ação já é costumeira neste esporte e funciona como forma de divulgação das competições. Segundo Sabrina, esse dinheiro “é economizado para a gasolina, inscrições no campeonato e despesas”. Ela ainda ressalta que não aceitam apenas valor em dinheiro, também são arrecadadas passagens e demais auxílios.
/// Acompanhe o Matheus em seus treinos e campeonatos pelo Instagram gerenciado pelos pais @matheusmelo_bjj, em que também é possível conferir as informações sobre como fazer doações ou ser um patrocinador.
*Produção: Josyane Cardozo