Coluna da Maga
Magali Moraes: na vigilância
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


A Vigilância Sanitária de Porto Alegre anda aparecendo tanto nas notícias que a gente se pergunta: o que eles vão fiscalizar (ou aprontar) da próxima vez? As câmeras corporais vão ajudar ou tumultuar mais? Ninguém quer comer carne vencida, cruz credo. E claro que as regras precisam ser cumpridas. Mas os excessos recentes em um estabelecimento inspecionado parecem novela de mau gosto. Tem que ouvir os dois lados, dar crédito a empreendedores responsáveis e escolher bem onde ir.
Eu já estava preferindo comer em casa por uma questão de economia, imagina pagar caro e passar mal. Agora e se os fiscais batessem aqui, o que eles iriam encontrar? Você bota a sua mão no fogo garantindo que tudo está um brinco de tão limpo? Esses dias, quase interditei a minha geladeira quando olhei melhor pra uma fresta embaixo da gaveta das verduras. Puxei tudo pra fora e… socorro! Condições insalubres é uma maneira carinhosa de me referir à cena.
Esponja
Nada que água e sabão não resolvam. E quando a esponja de lavar louça é a suspeita número um? Dizem que é um dos “lugares” mais sujos da casa, por isso precisamos trocar seguido a danada. Certo que o fiscal ia autuar. Se fosse um domingo de churrasco, quando a esponja sai mais esfaqueada que a maminha, seria a prova do crime. Alguém esconde rápido a grelha, que fica dias rezando por um bombril com CIF. As tábuas riscadas de madeira passariam ilesas nessa inspeção? Du-vi-do.
Tem que cuidar as denúncias anônimas. Boas práticas sanitárias dentro de casa valem também pra meias encardidas, tênis com chulé, escova de dentes destruída e travesseiros manchados, onde milhões de ácaros dormem de conchinha? Interdita logo, vai. Aproveita e multa junto os bicos melados das embalagens abertas de mostarda e catchup. O presunto esverdeado. O pote manchado de molho vermelho. Se não é fácil manter a nossa cozinha em ordem, o que dirá a dos restaurantes e bares.