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Sujeira

Coleta segue com atrasos, e moradores reclamam de lixo acumulado em ruas de Cachoeirinha

Prefeitura argumenta que demora para recolhimento está relacionada "à maior geração de resíduos"

22/12/2025 - 11h26min

Atualizada em: 23/12/2025 - 10h40min


Kathlyn Moreira
Kathlyn Moreira
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Quem circula por ruas de Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre, ainda encontra contêineres de lixo transbordando e resíduos espalhados por calçadas, cobertos por moscas e com sacos abertos, deixando um odor desagradável e sensação de sujeira. Esses cenários foram encontrados nos bairros Jardim América e Veranópolis.

Na Vila Fátima, restos de comida se misturavam a fezes de animais e se acumulavam ao redor de dois contêineres lotados que ficam próximos a uma escola, no cruzamento das Ruas Borges de Medeiros e José Rodrigues. Passando pelo local, a autônoma Rosângela Maria de Souza, 51 anos, relatou que o problema está recorrente.

— Tem lixo em todas as ruas, faz umas duas semanas que não estão passando. E isso começa a trazer barata e rato, coisa que não tem, na minha casa não tinha. E até é perigoso para os animais domésticos — reclama.

Outra moradora faz coro, comentando que também está percebendo a mesma situação.

— Tinha que passar na terça, quinta e sábado, e eles estão passando uma vez na semana. Alguns trazem até o contêiner, outros deixam lá. Dizem que estão agilizando, mas para todo o lado que se vai em Cachoeirinha a gente só enxerga lixo — afirma a aposentadoria Maria Silveira, 69 anos.

Desde 13 de dezembro, as queixas aumentaram.  Na quarta-feira passada (17), a prefeitura disse que quatro dos cinco caminhões da frota apresentaram falhas mecânicas simultâneas, mas que os veículos voltaram a circular. Em nota, o Executivo ainda citou que apurava a situação e que havia indícios de uma possível sabotagem ao serviço de coleta por parte da prestadora.

No mesmo dia, a gestão confirmou que cerca de 70% da cidade já estava com o serviço regularizado. No entanto, nesta segunda-feira (22), o município deu o mesmo dado, acrescentando que a estimativa dava conta do material recolhido até sexta-feira (19) e sem contabilizar o trabalho do final de semana, que ainda não foi divulgado.

Questionada sobre a continuidade dos problemas nesta segunda-feira, a prefeitura reconheceu que a situação agora se deve à "formação de filas na sexta-feira e no sábado no aterro sanitário de São Leopoldo, que atende a maioria dos municípios da Região Metropolitana".

Conforme nota da prefeitura de Cachoeirinha, "em média, o tempo perdido entre deslocamento e espera chega a cerca de quatro horas por caminhão, o que compromete diretamente o cumprimento das rotas de coleta. Essa situação não atinge apenas Cachoeirinha, mas diversos municípios que utilizam o mesmo aterro".

A gestão municipal ainda destaca que as filas no aterro "ocorreram, inicialmente, por uma questão interna da própria operação, relacionada a um manejo interno que estava sendo executado. Atualmente, o aumento no tempo de espera está ligado principalmente à maior geração de resíduos, situação comum nesta época do ano, e as filas no aterro acabam impactando diretamente o avanço da coleta".

Em nota, a CRVR, empresa que administra o aterro de São Leopoldo, afirmou que o tempo médio para a liberação dos caminhões no local é de aproximadamente uma hora. No texto, a empresa também afirma que um caminhão de Cachoeirinha teve problemas mecânicos e aguarda remoção.

Leia a nota na íntegra

"A CRVR informa que o tempo médio entre a recepção, pesagem e descarga de resíduos na unidade de São Leopoldo é de aproximadamente uma hora. Reforçamos que a segurança operacional é uma premissa indiscutível para a CRVR, e todos os procedimentos são rigorosamente seguidos para garantir que o processo ocorra da melhor forma possível.

Mas mesmo cumprindo todos os ritos de segurança, não procede a informação de que os caminhões aguardam quatro horas para realizar a descarga.

A única situação atípica registrada está relacionada ao município de Cachoeirinha, onde um caminhão contratado pelo município apresentou problemas mecânicos e permanece na unidade desde a manhã aguardando remoção. Os demais veículos estão realizando a descarga dentro do prazo médio de uma hora".

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