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BICHARADA

Abandono de animais aumenta no verão

Protetoras relatam alta de ocorrências do tipo entre os meses de dezembro e fevereiro, período de viagens e mudanças

19/01/2026 - 13h57min


Henrique Moreira
Henrique Moreira
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Ana Paula Matzenbacher/Arquivo pessoal
Serena, que estava sendo deixada para trás, teve um destino diferente ao ser adotada.

No verão, protetoras independentes e organizações apontam aumento no abandono de animais e queda nas adoções. A tendência se repete a cada temporada: entre dezembro e fevereiro, multiplicam-se relatos ligados a mudanças de endereço, férias e reorganizações familiares. Embora não haja dado oficial específico sobre o abandono atrelado à estação, em Porto Alegre o Gabinete da Causa Animal estima que cerca de 6mil cães e gatos sejam abandonados anualmente na Capital.

Segundo Cláudia Guarise, 38 anos, voluntária do projeto Resgatados Santos Dumont, o abandono de animais aumenta no verão. Nesse período, reforça ela, as pessoas abandonam pets nas ruas, devolvem após a adoção ou os deixam presos em casa por 30 dias, ou mais, para viajarem à praia.

No início deste verão, uma publicação em rede social informava que uma tutora estava de mudança. Caso ninguém fosse buscar, a cachorra Serena e a filha permaneceriam no pátio, presas por correntes curtas. Cláudia viu a postagem e tentou confirmar a situação.

– Eu vi a foto das duas pretinhas. A pessoa dizia que ia se mudar e que, se ninguém buscasse, ia deixar as cadelinhas para trás. Quando perguntei se era sério, ouvi: “Se tu veio me julgar, nem vem”. Comecei a ver como tirar as duas de lá – relata.

Incentivo

Sem transporte imediato, uma moradora de Viamão abrigou as duas por dois dias até que Cláudia planejasse o encaminhamento a um sítio parceiro, para avaliação e cuidados veterinários. A filhote foi adotada primeiro. Serena reapareceu em nova divulgação, como “procura-se adotante”, e Ana Paula Matzenbacher, 37, da Capital, decidiu adotá-la.

– Sempre quis ter cachorro, mas eu tinha medo. Por morar em apartamento, trabalhar fora, não ter pátio. Falei com amigas que adotaram, e elas me incentivaram. Às vezes, eu olho e penso que ela precisava só de segurança, rotina e alguém. Ela é calma, parceira e mudou minha rotina para melhor – diz.

O miado na janela

Júlia Chiarello/Arquivo pessoal
Gatinha e filhotes à espera de um lar.

Entre o Natal e o Réveillon, uma gata jovem chamada Felícia pariu três filhotes no fundo do pátio de uma casa vizinha, no bairro Jardim Carvalho, na Capital, sem cobertura ou proteção. O pedido chegou à protetora Júlia Chiarello, 21 anos, do projeto Ju Salva Patinhas.

– Recebi a mensagem no fim da tarde. Uma mãe muito jovem, com três bebês de seis dias. Soube pelos vizinhos que a tutora tinha se mudado, e a gata ficou sem castração, magra, procurando um lugar minimamente seguro. Ela pariu no pátio e ficou miando na janela da vizinha, como quem implora para ser notada – relata.

Mesmo com pouco espaço e recursos limitados, Júlia – que, em 2024, realizou 132 resgates – fez o encaminhamento da mãe e dos filhotes a um lar temporário, com abrigo, alimentação, suplementação e atendimento veterinário.

– O resgate é só a primeira parte. Depois vêm todos os cuidados, e isso exige dinheiro. Agora estão seguros. A mãe está recuperando peso e os três filhotes crescem bem. Todos estão disponíveis para adoção responsável – afirma.

Saiba mais

Os dois projetos mencionados têm cachorros e gatos disponíveis para adoção. Saiba como entrar em contato:

/// Resgatados Santos Dumont: contato pelo Instagram @resgatadosdumont

/// Ju Salva Patinhas: Felícia e os filhotes, além de outros gatos, estão disponíveis para adoção. Contato pelo Instagram @jusalvapatinhas


*Com supervisão de Émerson Santos


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